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O governo da Bahia criou, em 1º de setembro de 2026, o Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha. É uma nova unidade de conservação de 18,3 mil hectares na Chapada Diamantina. A área abrange partes de Mucugê, Ibicoara, Itaetê e Iramaia. Ela proíbe a mineração dentro do seu perímetro.
A gente já passou por essa região em mais de uma trilha. Foi assim em Ibicoara, na Cachoeira do Buracão e na Cachoeira da Fumacinha. Também em Mucugê, na Cachoeira do Herculano. Por isso a gente sabe bem o quanto essas águas e essas paisagens dependem de ficar livres de mineradora por perto.
Neste post a gente explica o que é essa nova área protegida. Conta por que ela demorou anos para sair do papel. Mostra o que muda na prática para quem visita a Chapada Diamantina. E conecta tudo isso com as trilhas e cachoeiras que a gente já cobriu aqui no blog.
Resposta rápida: em 1º de setembro de 2026 a Bahia criou o Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha. É uma unidade de conservação de 18,3 mil hectares que abrange Mucugê, Ibicoara, Itaetê e Iramaia. Ela proíbe mineração dentro do seu perímetro. O acesso às trilhas e cachoeiras da região não muda. Mas as nascentes que alimentam essas cachoeiras ganham proteção legal contra novos projetos de mineração.
O que é o Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha?
É uma nova unidade de conservação estadual. Foi criada pelo Decreto nº 24.778, publicado no Diário Oficial do Estado da Bahia em 1º de setembro de 2026. Tem cerca de 18,3 mil hectares, um tamanho parecido com o da cidade de Recife. Fica na porção sul da Chapada Diamantina, fora do perímetro já protegido pelo Parque Nacional.
A categoria escolhida foi Refúgio de Vida Silvestre (REVIS). Ela tem uma particularidade importante: permite que propriedades privadas continuem existindo dentro da área. A condição é que as atividades sejam compatíveis com os objetivos de conservação, como educação ambiental, pesquisa científica e monitoramento. O que fica proibido é justamente o que ameaçava a região: mineração, caça, captura ou perseguição de fauna, e introdução de espécies exóticas invasoras.
Quem administra a nova unidade é o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). A serra preserva mais de 98% da vegetação nativa. Ela também faz parte da bacia do Rio Paraguaçu, sistema hídrico que abastece cerca de 60% da população da Região Metropolitana de Salvador, segundo o levantamento do ((o))eco.
Por que a Chapada Diamantina ganhou essa área protegida justo agora?
A criação do refúgio é resposta a uma pressão de mineração que já dura quase uma década na Serra da Chapadinha. Segundo a reportagem do ((o))eco, mais de 14 mil hectares da região chegaram a ter pedidos de pesquisa mineral autorizados.
Entre eles está um projeto de exploração de diamante de 149 hectares perto da Cachoeira da Encantada, ativo desde 2017. Há também projetos de minério de ferro somando quase 3 mil hectares. Um deles é da Mineração Novo Rumo Ltda, com 999 hectares ao longo do Rio Timbozinho.
Em abril de 2023, uma fiscalização do Inema já tinha flagrado extração irregular na área. Determinou uma interdição temporária. No mês seguinte, a Assembleia Legislativa da Bahia aprovou uma recomendação para transformar a Serra da Chapadinha em unidade de conservação. A própria Sema (Secretaria do Meio Ambiente) estimou, na época, um processo de cerca de três anos até a criação formal. Foi exatamente o que aconteceu.
Pelo caminho, um movimento chamado SOS Serra da Chapadinha reuniu mais de 18 mil assinaturas em petição. Teve apoio de organizações como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAM). A CartaCapital também documentou um aumento de compra e venda de terras na região, com indícios de grilagem. Esse tipo de movimento costuma anteceder a chegada de projetos de mineração em maior escala.
Quem mora na região e como essa gente é afetada?
A Serra da Chapadinha não é uma área vazia. Segundo o ((o))eco, mais de 1.000 famílias vivem em assentamentos dentro ou no entorno da área. Entre eles está o assentamento Colônia, com quase 300 famílias em 8 mil hectares, além dos assentamentos Baixão, Valdete Correa e Europa. Em Itaetê, nove assentamentos e três comunidades quilombolas dependem diretamente das nascentes da serra.
No assentamento Baixão, cerca de 160 famílias tinham suas nascentes diretamente ameaçadas pela pesquisa de diamante que já estava em andamento na região. É esse tipo de dependência direta da água, mais do que só a paisagem, que motivou boa parte da mobilização. Ela resultou no decreto de setembro de 2026.
Vale reforçar: a criação do REVIS não expulsa essas famílias. Também não impede a permanência das propriedades já existentes. O que muda é que atividades incompatíveis com a conservação, como a mineração, deixam de poder avançar dentro do perímetro da unidade.
O que muda para quem visita a Chapada Diamantina agora?
Para quem viaja para fazer trilha e conhecer cachoeiras na região, o efeito principal é indireto, mas real. A água que alimenta boa parte das cachoeiras do sul da Chapada Diamantina, incluindo as que ficam em Ibicoara e Mucugê, passa a ter uma camada extra de proteção. Ela funciona contra atividade de mineração que poderia comprometer nascentes e rios.
A gente já fez a trilha da Cachoeira do Buracão, em Ibicoara, uma queda de 85 metros dentro de um cânion que só se visita acompanhado de guia local. Também fizemos a Cachoeira do Herculano, perto de Mucugê. Essas duas trilhas ficam justamente na região que agora tem uma unidade de conservação nova ao redor.
Na prática, nenhuma trilha, acesso ou taxa muda por causa do decreto. O refúgio não interfere na visitação turística já estabelecida, já que essa atividade não é incompatível com os objetivos de conservação. O que muda é a segurança jurídica contra novos projetos de mineração avançarem justamente nas áreas que abastecem essas cachoeiras.
O plano de manejo da nova unidade já está pronto?
Ainda não. Segundo o Jornal da Chapada, o decreto de criação prevê um prazo de até cinco anos para a elaboração e aprovação do Plano de Manejo. É o documento técnico que vai definir com detalhe o zoneamento da área. Ele estabelece o que pode e o que não pode ser feito em cada trecho, e como fica a relação entre conservação e as atividades das famílias que já moram ali.
A definição do polígono final da unidade passou por consulta pública em junho de 2026. Recebeu 299 contribuições da sociedade civil. Essas contribuições foram analisadas antes da consolidação da proposta. Isso levou, inclusive, a incorporar uma pequena parcela do município de Iramaia que não estava no desenho original.
Até o plano de manejo ficar pronto, valem as restrições gerais já em vigor com a criação do REVIS. São elas: proibição de mineração, caça e introdução de espécies exóticas dentro do perímetro. As propriedades e atividades já compatíveis com a conservação continuam permitidas.
Quais são as perguntas frequentes sobre o Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha?
Separamos as dúvidas mais comuns sobre a nova área protegida da Chapada Diamantina.
O Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha fica dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina?
Não. A Serra da Chapadinha fica ao sul do Parque Nacional, numa área que até setembro de 2026 não tinha nenhuma proteção formal como unidade de conservação.
A mineração já estava em atividade na Serra da Chapadinha?
Sim, havia pesquisas e permissões em andamento para diamante, minério de ferro e quartzito, somando milhares de hectares, segundo o levantamento do ((o))eco. O decreto de setembro de 2026 encerra a possibilidade de novos avanços de mineração dentro do perímetro da unidade.
Quem vive na Serra da Chapadinha vai precisar sair de lá?
Não. A categoria Refúgio de Vida Silvestre permite a permanência de propriedades privadas e das atividades já compatíveis com a conservação, incluindo as famílias assentadas e as comunidades quilombolas da região.
Isso muda alguma coisa para quem vai fazer trilha na Chapada Diamantina?
Não muda o acesso, as taxas nem a necessidade de guia nas trilhas já existentes, como a da Cachoeira do Buracão e do Herculano. O que muda é a proteção das nascentes e rios que alimentam essas cachoeiras contra novos projetos de mineração.
Quando o plano de manejo da unidade fica pronto?
O decreto prevê um prazo de até cinco anos para a elaboração e aprovação do plano de manejo, que vai detalhar o zoneamento da área.