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No quarto dia da nossa viagem em Alter do Chão resolvemos dedicar o dia inteiramente pras praias do Rio Tapajós. Levantamos por volta das 7h30, com aquele friozinho na barriga de quem vai se encher de sol, água doce e natureza. Tomamos café da manhã com calma. Sabe aquele suco de cupuaçu? Foi nosso primeiro presente do dia — doce, exótico, refrescante. A gente se animou de vez pra sair no barco.
Alter do Chão já estava mostrando porque é chamada de “Caribe Amazônico”: luz do amanhecer, ar úmido, os primeiros contatos com a água do Tapajós… tudo conspirava pra magia.
Encontramos o grupo de passeio (guias + outros visitantes) e embarcamos. A embarcação cortava as águas calmas do rio. O período do ano influencia muito como as praias aparecem: seca vs cheia. Em épocas de seca, bancos de areia se formam, praias mais acima do normal aparecem, a paisagem muda bastante.
Navegamos uns 30 minutos até a primeira parada: Praia de Catajuba. Era cedo, a praia ainda vestia o silêncio – estávamos sozinhos lá. A água rasa e calma, a areia clara, árvores que davam sombra… ficamos uns 50 minutos relaxando, nadando, conversando, tomando sol com sombra quando o calor apertava.
Esse tipo de praia deserta é uma dádiva: a sensação é de descoberta. A gente sentia que cada lugar ali parecia cenário de filme.
Depois de Catajuba, fomos pra Comunidade Maguari. O plano era almoçar na Casa do Elton. Pedimos pirarucu. Enquanto esperávamos, demos uma volta pela comunidade: conhecemos moradores, Nicolas ficou encantado com uma escultura de moto feita ali, uma obra improvisada, mas carregada de identidade local — tingida de criatividade amazônica.
O almoço demorou mais do que esperávamos, veio em quantidade menor do que imaginávamos, e o valor foi alto (R$ 130). Então lembro que, mesmo nos lugares mais bonitos, precisamos ajustar expectativas de serviço e preço.
Logo depois do almoço seguimos para a Praia do Maguari, que pra gente foi a mais bonita do dia. Era uma praia em estilo ponta, com banco de areia bem marcado; o rio estava com volume alto, fazendo com que a ponta virasse uma ilha no meio do Tapajós. Cenário lindo: palmeiras, troncos caídos, algumas construções rústicas de sombra, tudo compondo uma paisagem quase cinematográfica.
Foi o lugar onde mais usamos o drone: capturar a proporção da ilha, as tonalidades do rio, as formas do banco de areia do alto era algo surreal. Ficamos uns 50 minutos por lá também, absorvendo tudo.
A terceira parada foi a Praia de São Domingos. Muito bonita, deserta. Com contraste interessante: de um lado águas rasas com pequenas ondas, do outro calmaria profunda (a gente pulou do barco várias vezes, sentindo aquela sensação estranha de flutuar sem tocar o chão). O sol saiu pra bater forte, mas logo apareceu uma nuvem que deixou o ambiente mais brando, gostoso. O vento, a água fria quando molhamos o corpo, o calor residual do sol — tudo isso misturado numa experiência sensorial potente.
Ficamos menos tempo aqui: uns 25 minutos, porque Nicolas tinha dormido pouco antes de chegarmos e ficou dormindo enquanto a gente curtia. Essas paradas menores também são necessárias — pra recarregar, pra contemplar.
Seguimos para a Praia do Pindobal, navegando cerca de uma hora. Durante o trajeto, Nicolas dormiu, mas acordou logo ao ver movimento, crianças, restaurante, estrutura. Pindobal foi a praia mais movimentada que visitamos no dia. Barracas de madeira, demarcações de onde nadar, crianças correndo.
Pedimos comida: experimentamos arraia frita (surpreendentemente boa, textura que lembra frango), batata frita. Gasto da parada: R$ 44. Nicolas se divertiu muito, fez amizade, correu. Foi uma das paradas que mais aproveitamos pra socializar.
A infraestrutura nas praias varia muito: algumas são praticamente selvagens, outras têm barracas, restaurantes rústicos, estrutura de sombra, demarcações. É bom ir preparado com água, protetor solar, repôr energia no celular.
Pra fechar o dia de praias, fomos pra Ponta do Muretá. O objetivo era assistir ao pôr do sol. Lá, mais afastados da maioria das pessoas, sentimos uma atmosfera diferente: contemplativa, quase íntima com o rio, a luz, o céu. Alter do Chão tem pores-do-sol capazes de tirar o folego — o céu muda, o reflexo na água do Tapajós… é hipnótico.
Quando voltamos pro centro, eram cerca de 19h. Tomamos banho na pousada, trocamos de roupa, demos um agrado pro Nicolas: mingau, calmaria antes da noite.
Descemos pro centrinho pra jantar, e aproveitar a Quinta do Mestre — apresentação de carimbó no fim da orla. Achamos várias barracas de comidas locais, restaurantes que ainda não tínhamos explorado. A cidade estava se enchendo, a vibe ficando mais intensa com a chegada do fim de semana.
A Quinta do Mestre e a Sereia é um evento que acontece às quintas-feiras em Alter do Chão. É uma roda de carimbó, aberta ao público, que se tornou importante pra valorização dessa manifestação cultural local. O carimbó de Alter do Chão tem raízes profundas, é patrimônio imaterial do Brasil e representa bastante do que é a identidade amazônica.
Assistimos ao carimbó: música, dança, percussão, batuque, alegria. Nicolas não largou o violãozinho e ficou cantando/dançando junto. Participamos também — tentar acompanhar os passos, o ritmo, a roda de gente que chega e sai. Foi divertido, emocionante. Também comemos salpicão, bolo de chocolate feitos pelas pessoas que organizam o evento. Descobrimos que é uma fonte de renda da comunidade, realizada sem grande apoio institucional — cultura viva, feita por cada um que ama o lugar.
Para um passeio como esse de praias, algumas dicas que a gente daria pra quem quiser repetir ou fazer parecido:
– Ir com paciência de horário — atrasos acontecem, comidas demoram, o ritmo não é apressado.
– Escolher bem onde almoçar, entender preços e quantidade. Às vezes o visual compensa, mas pode pesar no bolso.
– Usar drone se tiver, porque as fotos de cima, da ilha, do banco de areia marcado, fazem diferença.
– Levar água, lanche leve, protetor, chapéu — mesmo com restaurantes disponíveis, momentos isolados exigem preparo.
– Aproveitar a parte cultural da noite — carimbó, música, comida feita pela comunidade. São parte essencial de Alter, não só “turismo”.
Voltamos pra pousada já noite, cheios de imagens no olhar: a transparência da água, o verde das margens, a vibração cultural, o contraste entre praias desertas e as mais movimentadas. Nicolas dormiu rápido dessa vez — acho que o corpo dele também precisava processar tudo aquilo.
O terceiro dia de viagem em Alter do Chão nos mostrou que não basta ver, é preciso sentir: sentir o calor, o som do rio, o cheiro do mato, o ritmo da música, o café da manhã com fruta amazônica. Nos sentimos mais conectados — entre nós, com a natureza, com a cultura local.
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