Quarto dia pelo Jalapão (TO): 5 fervedouros

Tempo de leitura: 4 minutos

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Hoje acordamos sob um céu que parecia pintado de ouro, típico do amanhecer no Jalapão. O sol já brilhava intensamente quando despertamos às 6h, ansiosos para mais um dia de imersão nesse paraíso tocantinense. Apesar do pequeno contratempo no café da manhã — que atrasou um pouco —, fomos recompensados com uma mesa farta: frutas frescas, pães caseiros, tapioca e suco de cajá, um verdadeiro banquete que nos energizou para a maratona de fervedouros que nos aguardava.

Saimos às 7h20 rumo ao Macaúbas, o primeiro fervedouro do dia. Após uma hora de estrada de terra, adentramos uma paisagem de cerrado, onde as palmeiras macaúbas, que dão nome ao local, formavam um cenário majestoso. A trilha curta nos levou a um deck de madeira em curva, que revelou o fervedouro como uma joia escondida. A água cristalina, em tons de azul-turquesa, borbulhava sob nossos pés — uma sensação mágica de flutuação, impossível de afundar. Nicolas, nosso pequeno aventureiro, riu à vontade, alternando entre os braços de cada um de nós. Como chegamos primeiro, estendemos os 20 minutos de visita, aproveitando a tranquilidade do lugar.

O segundo destino, Buritizinho, surpreendeu pela atmosfera intimista. Cercado por buritis — palmeiras que são símbolo da região —, o fervedouro é pequeno, mas de uma beleza quase selvagem. A água mais escura e profunda contrastava com a transparência do Macaúbas. Enquanto aguardávamos nossa vez, exploramos um rio próximo, onde a correnteza formava pequenos tobogãs naturais. Nadar ali foi como mergulhar em um aquário, com raízes submersas criando padrões hipnotizantes.

O terceiro fervedouro, Encontro das Águas, foi uma aula de geografia viva. Nas proximidades, os rios de águas azuis e douradas se fundiam, criando tons esverdeados. Enquanto esperávamos, sobrevoamos o local com o drone, capturando imagens aéreas que mostravam a grandiosidade do Cerrado. Ao entrar no fervedouro, a força da água nos surpreendeu: era como ser levado por uma corrente invisível. O guia nos contou que a nascente ali é a mesma da Cachoeira do Formiga, um detalhe que conectou ainda mais nossa jornada às raízes dessa terra.

Após o mergulho, seguimos para o Fervedouro do Rio Sono, onde almoçamos sob uma estrutura rústica, mas acolhedora. O cardápio simples — arroz, feijão, frango caipira e farofa — estava divinal, preparado no fogão a lenha. O picolé de buriti, fruto típico, dividiu opiniões: alguns amaram seu sabor terroso, outros preferiram o açaí gelado. O fervedouro em si foi um reencontro emocionante para mim. A água morna e a vegetação densa ao redor nos fizeram sentir em casa, e Nicolas aproveitou para “conversar” com os pássaros que cantavam nas árvores.

O último fervedouro, Buritis, redimiu minha primeira visita sob a chuva. Dessa vez, o formato de coração revelado pelo drone nos comoveu. Os buritis altos balançavam ao vento, enquanto Nicolas se encantava com bananas verdes penduradas — seu novo fascínio. Apesar do cansaço, rimos muito com suas tentativas de “colher” as frutas. O momento mais doce foi vê-lo adormecer nos braços da Samara, exausto de tantas aventuras.

O dia não terminou sem seus desafios. A GoPro, invadida pela areia fina dos fervedouros, quase nos fez perder registros preciosos. Felizmente, após secá-la com um sopro de esperança (e um secador emprestado), os arquivos estavam intactos. À noite, o banheiro entupido na pousada em Mateiros virou piada — afinal, faz parte da vida nômade pelo sertão. Jantamos no mesmo restaurante da véspera, onde o açaí cremoso e o sorvete de cupuaçu nos reconfortaram.

De volta à pousada, olhamos para o céu estrelado, sem poluição luminosa, e relembramos cada detalhe. O Jalapão não é apenas um destino: é uma experiência que nos lembra da força da natureza e da simplicidade que nos conecta. Cada fervedouro, com sua personalidade única, nos mostrou como a água é sagrada aqui, moldando não apenas a paisagem, mas a alma de quem passa por ela. Amanhã nos esperam as cachoeiras, mas hoje, fechamos os olhos gratos por mais um dia de histórias para contar.

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