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A gente acordou com o som suave da Natureza ao redor — não foi exatamente tão cedo como nos outros dias, mas foi aquele despertar gostoso, sabe? Tomamos o café da manhã num ritmo mais acelerado (porque, sim — a ansiedade de descobrir mais do Arapiuns fala mais alto) — bolos deliciosos, café quente, frutas típicas… e fomos logo nos empanturrar, tipo “amanhã a gente compensa”.
Saímos rumo ao cais da orla, com mochilas leves e corações prontos pra mais um dia de exploração. Chegamos uns cinco minutinhos atrasados — já na vibe “Ops, será que perdemos o barco?” — mas, felizmente, o guia também atrasou — alívio! Então conseguimos nos juntar ao grupo e partir sem susto.
Por volta das 09h20 começamos a navegar em direção ao Rio Arapiuns. Diferente dos outros dias, não ficamos fazendo paradas nas praias do Tapajós — ali já sabíamos bem o que esperar. A viagem foi longa: mais de uma hora de deslocamento até o ponto onde os rios se encontram.
E foi ali que sentimos uma das primeiras nuances desse dia: as águas começam a mostrar diferenças sutis — quase imperceptíveis de início — mas que se tornam mais evidentes quando começamos a mergulhar nas praias do Arapiuns. As águas do Arapiuns são mais escuras e cristalinas, enquanto as do Tapajós têm aquele tom esverdeado e tendem a ser um pouco menos translúcidas. É como se estivéssemos entrando num lugar secreto, de sensações delicadas.
Fizemos nossa primeira parada na Ponta do Iucuxi. O nome, segundo o guia, vem do “Tucuxi” — muitos botos nadavam ali — embora hoje isso não seja mais tão visível. A praia é linda: um grande banco de areia, banho de rio gostoso, sol batendo nos pés. Passamos uns 30 minutos ali — tempo suficiente para sentir a brisa, molhar os pés e respirar fundo esse pedaço de Amazônia.
Logo em seguida, rumamos para a Praia do Toronó. No momento de ancorar, demos de cara com cinco botos nadando perto do barco — um deles até pulou fora d’água. Show da natureza ao vivo. Ficamos ali observando, encantados, e depois fomos para a praia. Eu fiquei brincando de “voar” com o Nicolas — ele adorou voar sobre a água e sentir aquele friozinho gostoso, risadas borbulhando.
Depois de curtir Toronó voltamos ao barco, e navegamos até a Comunidade Coroca. Foi ali que a imersão cultural e ecológica do dia atingiu outro nível. No momento em que desembarcamos, já sentimos o “peso” da história, do modo de vida local, das conexões entre os moradores e a floresta que os cerca.
Nosso guia local nos levou direto para o meliponário, onde conhecemos as abelhas canudo e jandaíra — nativas e sem ferrão. Tivemos uma verdadeira aula sobre como funciona o cultivo do mel dessas espécies, a importância delas para o ecossistema local, e os desafios de preservação. Foi emocionante ver como algo tão pequeno — uma colmeia — traduz tanto do saber tradicional ribeirinho.
Enquanto percorríamos o local, passamos por árvores com placas indicando seus nomes. O guia compartilhou histórias e curiosidades de cada espécie — da castanheira às frutíferas menos conhecidas. O Nicolas quis correr e brincar com a filha pequena do guia — eles riam, corriam, se misturavam com a comunidade. Ver essa interação entre filhos de mundos diferentes é sempre um dos pontos mais especiais da viagem.
Depois das abelhas, fomos para a loja de artesanatos da comunidade. Experimentamos os méis: o da canudo e o da jandaíra. Surpreendentemente, tinham sabores bem distintos. Nós gostamos bastante dos dois, mas o da abelha canudo conquistou nosso paladar. Claro que aproveitamos para levar umas potes como lembrança — presentinhos com sentido, sabe?
Continuando nosso passeio no outro lado da comunidade, fomos ver as tartarugas amazônicas. Antes da atração principal, fizemos uma parada no tanque de filhotes. O guia explicou que, na natureza, apenas cerca de 10% sobrevivem, por conta de predadores e condições adversas — a sobrevivência é dura.
Depois navegamos numa pequena balsa até um canto do lago onde começamos a dar ração para atrair as tartarugas. E quantas! Era impossível contar. Tartarugas com cerca de 70 cm de comprimento, algumas que podem chegar até 1 metro — ver aquilo ali era coisa de documentário. Nunca tínhamos visto tantas juntas, tantas grandes, tão próximas. Foi uma emoção genuína.
Àquela hora já estávamos com fome — e o restaurante comunitário de Coroca nos aguardava. Pedimos tambaqui e pirarucu assados para o grupo todo, além de sucos de taperebá e cupuaçu. Tudo estava sensacional: os peixes frescos, bem temperados, servidos com fartura. A comida ficou marcada como “melhor da viagem” pra gente. De sobremesa, devoramos uma torta de cupuaçu e um creme de cupuaçu com chocolate. Difícil explicação: era doce, leve, amazônico, encantador.
Custos: taxa da trilha 25 reais por pessoa, a comida 50 reais por pessoa. O suco ficou 5 reais cada um, e torta/creme, 7 reais cada. Números que soam modestos frente à riqueza da experiência.
Depois do almoço, ficamos um momento no redário da comunidade — redes ao ar livre suspensas para descansar, observar a mata, escutar canto de pássaro, sentir vento. Depois desse “mini cochilo espiritual”, fomos para a beira da praia para curtir, brincar, observar. Nicolas queria brincar no balanço local, subir uns montinhos de areia, ficar sujando as mãos.
Despedimo-nos da Coroca e seguimos de barco até a Praia de Caracaraí. O plano inicial era parar em Ponta Grande, mas o guia, sensível à composição do grupo (havia crianças), preferiu um local com sombra — muito mais confortável para todo mundo. Ficamos cerca de 30 minutos ali, tomando banho de rio — o raso era ideal para Nicolas se aventurar sozinho, ele brincou bastante. Depois fomos para áreas mais profundas, para ele se jogar correndo da praia na água geladinha — fez isso umas dez vezes, e a cada mergulho vinha o sorriso largo dele.
Depois disso, navegamos cerca de uma hora até Praia do Jacaré. A ideia original era parar na Ponta do Cururu, mas como já conhecíamos e, sendo sábado, poderia estar lotada, insistimos no Jacaré — e foi a melhor escolha. A praia era diferente, com pedras no fundo do rio e uma pedra grande de frente para o pôr do sol que tornou-se um cenário mágico para fotos. Nuvens pontuais cruzavam o céu, mas não estragavam nada — só davam textura. Em certo momento, chegou a chuviscar, leve, quase poético.
Para tornar tudo ainda mais especial, o guia nos serviu abacaxi ali mesmo, naquele momento suspenso entre céu, pedras, rio e calor suave. Foi como se a natureza disse “aproveitem”.
Retornamos à Alter do Chão, já pensando em nos recompor, tomar banho e sair pro centrinho comer. Ao chegar, descobrimos que havia chovido forte por lá. A chuva caiu com força enquanto caminhávamos — nos abrigamos no restaurante X-bom para jantar. Pedimos dois hambúrgueres: X Alter e X Picanha Banana — combos que misturam local e regionalidades amazônicas. Na loja ao lado, pedimos sucos: um de taperebá com abacaxi e outro de morango com maracujá. A chuva diminuiu, a noite esfriou, fomos caminhando de volta à pousada, meio molhados, meio rindo, cheios de lembranças na cabeça. Dormimos com o som da água batendo nas folhas ao redor e com a certeza de que aquele sexto dia foi um dos mais fortes da viagem.
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