Oitavo dia em Alter do Chão (PA): City Tour em Santarém e Praia do CAT

Tempo de leitura: 8 minutos

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Nosso oitavo dia em Alter do Chão fizemos um city tour por Santarém e visitamos a praia do CAT — foi um dia de despedida carregado de descobertas, beleza, ruralidade, simplicidade e uma pitada de melancolia por saber que estamos indo embora. .

Acordamos cedo. Nada de barco: fomos explorar Santarém, que fica cerca de 40 minutos de Alter do Chão. O passeio começou quando nosso guia veio nos buscar na pousada, estrada de terra misturada a asfalto (dependendo do trecho), paisagens verdes, rios, gente trabalhando, barcos. A sensação de deixar Alter do Chão por um tempo nos trouxe aquele aperto no peito de despedida, mas de empolgação também para algo novo.

Santarém é uma cidade estrategicamente localizada na confluência do Rio Tapajós com o Amazonas, o que a torna ponto de encontro de rios, de histórias, de povos.

Nossa primeira parada foi o Mercadão 2000. É um mercado bem essencial pra Santarém, de abastecimento, um lugar onde moradores vão frequentemente. Não é exatamente um ponto ultra turístico (ainda que tenha forte apelo pra quem gosta de vivenciar o local). Mercadão 2000 tem papel importante como mercado de abastecimento local, e também está passando por modificações/investimentos para melhorar sua estrutura, servir melhor tanto à população quanto visitantes.

Lá observamos os blocos que vendem peixe fresco, frutas, ervas medicinais, carnes — tudo ligado ao cotidiano. Ao andar por ali sentimos o cheiro da cidade, vimos o trabalho artesanal nos temperos, nos mercados de peixe. Um pouco de caos, um pouco de ordem, com bancas improvisadas. Também soubemos que o Mercadão está passando por reformas/adequações — por exemplo, vai ganhar uma praça de alimentação com 24 quiosques.

Essa intervenção mostra como Santarém quer acomodar tanto moradores quanto visitantes, melhorando infraestrutura. É um lugar que mistura funções de mercado popular com comércio tradicional com apelo turístico.

Depois do Mercadão fomos para a parte nova da orla de Santarém. Cruzamos ruas, vimos o porto, andamos até o Mercado de Peixes, que fica bem na orla. É impressionante como esse mercado convive com o rio. Há muitos pescados dispostos para venda, algumas partes molhadas, e espécies diversas. A proximidade com o rio, quando há restos ou partes de peixe, atrai botos perto da margem — nós vimos vários, o que encheu de alegria o Nicolas. Observamos também garças que pousavam perto, migrando entre a natureza e as estruturas urbanas.

Isso nos trouxe reflexões: como o rio é parte integrante da vida da cidade, não só como transporte ou economia, mas como presença constante, fauna, paisagem, cheiro, som. Encontro dos rios Amazonas e Tapajós pode ser visto de determinados pontos da orla. Ver essa junção de águas é como contemplar a alma da região. Santarém é literalmente construída às margens dos rios.

Outra parada foi a igreja Matriz, Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Vemos ali a arquitetura colonial misturada com adaptações ao clima, ao calor, à umidade. O interior simples, objetos do culto, imagens sacras que dialogam com a fé local, com tradições católicas trazidas por colonização e adaptadas pela religiosidade popular amazônica. Foi bonito ver o Nicolas participando, mesmo que de forma infantil, rezando; é um lembrete de como viagem com crianças aproxima a gente de ritmos simples.

Depois fomos até a Praça Fortaleza dos Tapajós. Lá, permanecem vestígios históricos — os canhões, por exemplo — que lembram uma época de defesa da cidade, quando era importante proteger essa região estratégica de invasões ou de conflitos fluviais. Da praça se tem uma vista muito bonita do Encontro dos Rios Tapajós e Amazonas, bem pronunciada de lá em cima. A escadaria da praça também chama atenção: vista de cima é charmosa, mas percebemos que por baixo, do nível da rua ou do cais, a vista e o ambiente têm outros atrativos — o rio, barcos, pessoas chegando ou partindo.

Nossa visita ao Centro Cultural João Fona nos tocou bastante. É um prédio antigo, um marco histórico de Santarém. Construído entre 1853 e 1868, arquitetonicamente colonial, foi sede de várias funções: intendência municipal, prefeitura, câmara, sala de júri, cadeia pública.

O prédio do Centro Cultural João Fona é histórico: de meados do século XIX, de estilo colonial; foi adaptado para funcionar como museu/centro cultural em 1991, mantendo artefatos, documentos, móveis, também exibições relacionadas ao passado da cidade.

A cultura da cerâmica tapajônica é central. Essa cerâmica indígena antiga, com relevos, representações humanas ou animais, foi produzida por povos originários da região. Muitas peças desse tipo estão no Centro Cultural João Fona. A cerâmica tapajônica, em muitos casos, é comparada, pelo refinamento e detalhamento, à porcelana em termos de delicadeza (em alguns relatos culturais).

Dentro, nos encantamos com as peças: cerâmicas tapajônicas (fragmentos, objetos inteiros), móveis antigos, objetos que registram a vida cotidiana, arquivos, mobiliário de câmaras antigas, objetos do período colonial até recentemente. Também vimos uma ossada de baleia jubarte que veio do mar, desviou-se e acabou encalhando no rio — algo que ressalta como a Amazônia, mesmo rio acima, recebe surpresas vindas do Atlântico. Esse tipo de acervo nos faz pensar no tempo profundo, na ancestralidade indígena, nas conectividades naturais. A ossada, as cerâmicas, tudo isso conecta passado, natureza e cultura.

Também descobrimos que muitas peças estão sendo catalogadas, há acervos que representam a cultura Tapajó, Konduri — culturas indígenas antigas da bacia do Amazonas. O museu tem funcionado de segunda a sexta, é gratuito, e é um dos principais guardiões da memória local.

Seguimos até a orla mais movimentada, tiramos fotos no letreiro “Eu amo Santarém”. Sempre rolando essa mistura de selfie + contemplação. Visitamos pontos onde saem passeios turísticos, compramos lembrancinhas — imãs, miniaturas, artesanatos. Notamos que alguns desses itens são bem padronizados, comparados com outros que vimos em mercados mais artesanais ou comunidades menores, e nem sempre tão autênticos ou tão diversos quanto esperávamos. A variedade às vezes peca. Esperávamos mais variedade regional nos doces, nos sabores, nas texturas caseiras nos artesanatos.

Almoçamos na Rayane, restaurante famoso local. Comemos pirarucu com creme de milho — prato que reúne sabores amazônicos: peixe de grande porte, textura firme, combinando com o milho, creme vegetal, ingredientes regionais. Bebemos a famosa limonada local, refrescante, ideal pra esse calor da região.

Depois do almoço, passamos pelo Cristo Rei Artesanatos. Compramos algumas lembranças. Como mencionei, esperávamos que fosse mais parecido com mercados artesanais mais rústicos, com variedade de doces, de sabores caseiros. Em muitos desses pontos, os produtos são mais industrializados ou já “voltados pro turismo”, mais padronizados — menos o tempero do improviso local.

Encerramos as visitas em Santarém com uma passada na Orla da Praia do Maracanã, que é muito frequentada por locais — não tanto por turistas. Dali se tem um visual bonito da orla, praia de rio, algumas construções, morros próximos. Subimos um morrinho ao lado da praia para uma vista mais ampla do entorno, da orla, das águas, dos barcos. Pensamos em ficar para o pôr do sol, mas era cedo ainda (por volta de 15h) e quase todo o roteiro já concluído.

Voltamos pra pousada para descansar, tomar banho, trocar de roupa — dar uma desmontada leve do dia urbano pra voltar pro clima ribeirinho de Alter. Ainda tínhamos tempo, então decidimos ir à Praia do CAT (Centro de Atendimento ao Turista), que seria nossa última praia dessa viagem.

Quando chegamos, notamos que o deck estava fechado para reforma. Mas isso não tirou o encanto: descemos a rua, andamos até chegar na areia, seguimos até à beira do rio, tomamos banho de rio, o Nicolas brincou na areia. Procuramos nos afastar de pessoas fazendo bagunça (falando alto, fumando, bebendo) pra recuperar paz. Achamos uma árvore pra deixar nossas coisas, curtimos o rio, o silêncio com interrupções suaves dos naturais sons: água, vento, risos de criança.

Uma coisa interessante que achamos depois pesquisando: praias como a do CAT, têm sido avaliadas em relatórios de balneabilidade — e em muitos casos a água está própria para banho, com condições excelentes. A natureza sendo generosa até o fim.

A passarela do CAT, que estava fechada para reforma, recentemente foi liberada após reformas, e recebe elogios de visitantes por garantir acesso melhor, seguro, socialmente mais inclusivo para quem vai.

Para nosso último pôr do sol em Alter do Chão ficamos próximos à água, observando as cores, o reflexo do sol no rio, o céu incendiado de laranja, rosa. Foi belíssimo, especial.

Quando voltamos ao centrinho, para jantar com os amigos que fizemos na viagem, foi aquele misto de alegria pelo que vivemos + saudade antecipada. O restaurante Arco Íris, o sorvete no Boto (sorvetes de laranja e jambu), as crianças exaustas, animadas, com trakinagem e sono. E, por fim, a certeza de que aquela viagem era mais do que turismo: era imersão, aprendizado, convívio, natureza e história.

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