Tempo de leitura: 32 minutos
Palmas tem praia. E não é uma praia qualquer. A Praia da Graciosa, em Palmas (TO), é o cartão-postal da capital do Tocantins — uma faixa de areia de 520 metros às margens do Lago de Palmas que combina boa estrutura, gastronomia regional e um dos pôr do sol mais fotogênicos do Brasil.
A praia fica no perímetro urbano da cidade, a menos de 10 minutos do centro, e serve de porta de entrada para quem chega a Palmas antes de mergulhar no coração do Jalapão. Neste guia, você encontra tudo sobre a Praia da Graciosa: como chegar, quanto custa, o que fazer, a Ilha da Canela — e ainda um panorama completo dos principais atrativos do Jalapão que valem muito a pena combinar na mesma viagem.
Fomos à Praia da Graciosa pela primeira vez em 2016, antes da nossa primeira expedição ao Jalapão. Voltamos em 2024, com a família — dessa vez com o Nicolas correndo pela areia e nos lembrando de por que esse lugar é tão especial. Tudo o que vivemos e aprendemos está aqui.
Sobre Palmas
Palmas é a capital do estado do Tocantins e a cidade mais jovem entre as capitais brasileiras. Fundada em 1989, foi projetada do zero para ser a sede do recém-criado estado — uma cidade planejada que nasceu entre a Serra do Lajeado e o Lago de Palmas, num conceito que lembra Brasília pela geometria das avenidas e pela escala generosa dos espaços públicos.
Hoje, com cerca de 300 mil habitantes, Palmas tem um aspecto curioso: grandiosidade urbana misturada com interior. As avenidas são largas, os parques são bem cuidados, e a Oeste da cidade o Rio Tocantins — represado pela Hidrelétrica Luiz Eduardo Magalhães — formou o Lago de Palmas, que deu origem às praias fluviais que encantam moradores e turistas.
A Praça dos Girassóis, considerada a maior praça da América Latina, fica no coração da cidade e é o ponto de referência para tudo. Na primeira vez que passamos por Palmas, chegamos no final da tarde, e o motorista do Uber, sorridente e cheio de histórias, nos levou direto para a praia — às 17h10, já estávamos a caminho da Graciosa, ansiosos pelo pôr do sol.
Palmas é, também, a principal porta de entrada para o Jalapão — o destino de natureza mais desejado do Tocantins. Muita gente chega com o objetivo de conhecer os fervedouros e as dunas e acaba surpreendida com o que a capital tem a oferecer. Nossa dica sincera: reserve ao menos um dia para a cidade antes de embarcar rumo ao interior.
Como chegar?
De avião: o Aeroporto Brigadeiro Lysias Rodrigues (código PMW) recebe voos diretos das principais capitais brasileiras, incluindo São Paulo, Brasília, Goiânia e Belém. O aeroporto fica a cerca de 18 km da região turística da cidade — do desembarque até a Praia da Graciosa, um carro de aplicativo leva em torno de 20 minutos. Nas nossas duas viagens, chegamos sempre por essa rota — é de longe a opção mais prática.
De carro: as principais rotas passam pela BR-153 (vindo de Brasília e Goiânia) e pela TO-050. De Brasília são aproximadamente 970 km, com cerca de 10 a 11 horas de viagem. De Goiânia, em torno de 870 km e 9 horas. A estrada é boa na maior parte do trecho, mas atenção ao calor — as temperaturas são altas e o cerrado resseca bastante no período de seca.
De ônibus: há linhas regulares saindo de Brasília (cerca de 13 horas), Goiânia (12 horas) e São Paulo (mais de 24 horas, geralmente com conexão). A Rodoviária de Palmas fica no centro da cidade, próxima aos principais pontos turísticos.
Na cidade: para chegar à Praia da Graciosa a partir do centro, o acesso é feito pela Avenida Juscelino Kubitschek. Carros de aplicativo são a opção mais prática e rápida — o trajeto da Praça dos Girassóis até a orla leva menos de 10 minutos. Há também a linha de ônibus 091 (HGP) que passa pela praia.
Quanto custa?
A entrada na Praia da Graciosa é gratuita. A orla é pública, com acesso livre a qualquer hora do dia ou da noite.
O que você vai gastar na praia depende do seu estilo de visita. Nos bares e restaurantes da orla, as refeições giram em torno de R$ 30 a R$ 80 por pessoa, com destaque para pratos típicos tocantinenses — o tucunaré frito é uma obrigação. Cervejas e drinks nos quiosques custam em média R$ 10 a R$ 20.
Para ir até a Ilha da Canela, o passeio de barco sai por volta de R$ 100 por pessoa (ida e volta), partindo do Píer 1, ao lado da Ponte Fernando Henrique Cardoso. O valor pode variar conforme o operador — sempre confirme na hora.
Atividades aquáticas como stand-up paddle e caiaque têm aluguel a partir de R$ 40 a R$ 60 por hora, dependendo do ponto.
Qual a melhor época para visitar?
A melhor época para visitar a Praia da Graciosa em Palmas é entre maio e setembro, durante a estação seca. Nesse período, o nível do lago está mais baixo, a faixa de areia fica mais ampla, e as chances de chuva são bem menores. As tardes são quentes — e muito quentes — mas o pôr do sol compensa qualquer desconforto térmico.
De outubro a abril, o período chuvoso traz chuvas intensas, geralmente no final da tarde. A cidade fica mais verde e bonita, mas as praias encolhem com a subida do nível do lago e os passeios para o Jalapão ficam mais difíceis por causa das estradas de terra.
Se a ideia é combinar a Praia da Graciosa com uma expedição ao Jalapão — o que recomendamos muito — o período ideal é de junho a agosto, quando as condições são perfeitas para os dois destinos. Nas nossas viagens ao Jalapão, sempre começamos e terminamos em Palmas, e a Graciosa foi o ponto de chegada e de despedida das duas expedições.
Cuidados ao visitar
- Hidratação é essencial: o calor em Palmas é sério. Leve sempre água, principalmente se for visitar a praia durante o dia. A temperatura pode ultrapassar os 40°C facilmente.
- Protetor solar: use e reaplique com frequência. O sol do cerrado é intenso o dia todo, sem a brisa marítima que ameniza o calor nas praias litorâneas.
- Atenção ao banho: a Praia da Graciosa não é recomendada para banho — o local é mais voltado ao lazer, gastronomia e contemplação. Há registros de ataques de piranhas em banhistas na área. Já na nossa primeira visita, em 2016, um amigo do grupo foi mordido por uma piranha — parabéns pela adrenalina gratuita, Graciosa. Nas partes delimitadas existem redes de proteção para maior segurança, mas atenção redobrada é sempre recomendada.
- Segurança: a orla conta com segurança armada durante o funcionamento, mas como em qualquer espaço público movimentado, fique atento aos seus pertences.
- Horário: chegue no final da tarde para garantir o melhor pôr do sol. A orla ganha uma luz dourada impressionante a partir das 17h — fique até depois do sol sumir.
- Para quem vai ao Jalapão: se o plano inclui os fervedouros do Jalapão, lembre que protetor solar convencional é proibido nas águas. Prefira versões biodegradáveis ou evite usar antes do mergulho.
A Praia da Graciosa
A Praia da Graciosa está localizada na margem direita do Lago de Palmas, no perímetro urbano da capital do Tocantins, com acesso pela Avenida Juscelino Kubitschek. É banhada pelas águas do Lago de Palmas — formado após a construção da Usina Hidrelétrica Luiz Eduardo Magalhães, que represou as antigas águas correntes do Rio Tocantins. O resultado é um lago enorme, de águas calmas e temperadas, que virou o coração da vida à beira d’água da capital.
A orla tem 520 metros de comprimento por 90 metros de largura, uma escala generosa que comporta todo tipo de programa. Por lá você encontra bares e restaurantes com culinária tocantinense, quiosques, banheiros, playground, quadras esportivas, marina com atracadouro, píer, pista de cooper de 500 metros e uma ciclovia de 1.200 metros que percorre toda a orla. A infraestrutura foi revitalizada em 2016 e inclui rampas de acessibilidade e estacionamento.
No meio da orla, um obelisco de 12,38 metros chama atenção: quatro faces, cada uma com um trabalho artístico ligado a elementos da natureza — Consciência, Homem, Água e Terra, Vento e Fogo. É um dos pontos de parada favoritos para fotos.
Para quem quer se movimentar, a praia é ótima para stand-up paddle, caiaque, canoagem, ciclismo, corrida e caminhada. O ambiente é tranquilo, mais voltado para famílias e casais do que para o agito noturno. Grandes eventos também acontecem aqui — a virada de ano da capital, o Campeonato Brasileiro de Churrasco, o Festival de Pipas e corridas como a Meia Maratona do Tocantins.
Na nossa visita mais recente, com a família, a areia estava mais extensa do que lembrávamos — o nível do lago estava baixo, sinal de que a estação seca estava no auge. Quiosques coloridos, música suave, famílias aproveitando o final de tarde. O Nicolas, só de fralda, tentou entrar na água sem cerimônia — e o pôr do sol que veio depois não decepcionou.
E é aí que mora o coração da Graciosa: o pôr do sol. A combinação das águas do lago, o céu do cerrado e a Ponte Fernando Henrique Cardoso ao fundo cria uma paleta de cores que vai do dourado ao vermelho profundo. Fotógrafos, noivos, formandos e turistas de todo o Brasil elegem esse pôr do sol como um dos mais fotogênicos do país. Nossa dica sincera: esteja lá às 17h30 e fique até depois do sol sumir. Vale cada segundo.
Ilha da Canela
A três quilômetros da orla da Praia da Graciosa, no meio do Lago de Palmas, fica a Ilha da Canela — considerada por muitos a praia mais bonita de Palmas. Com uma área de cerca de 45.000 m², a ilha tem uma faixa de areia clara, águas calmas e uma estrutura com bar, banheiro, duchas, bebedouro e quiosques à beira da água.
Para chegar, basta pegar um dos barcos no Píer 1, ao lado da Ponte Fernando Henrique Cardoso, na Praia da Graciosa. O trajeto de 3,2 km dura cerca de 10 minutos e custa em torno de R$ 100 por pessoa (ida e volta). Na nossa primeira visita, a travessia custava R$ 25 — os preços subiram, mas a experiência continuou valendo.
Diferente da Graciosa, a Ilha da Canela é indicada para banho — as águas calmas e a estrutura da ilha tornam a experiência mais tranquila e segura. Há atividades aquáticas disponíveis no local e até uma área de camping para quem quer estender a estadia.
O pôr do sol da ilha também é deslumbrante. Na nossa primeira visita, saímos da ilha já no crepúsculo e o retorno de barco — com o sol descendo sobre o lago enquanto a embarcação cortava as águas calmas — ficou gravado na memória. De volta à orla, ainda aproveitamos para conhecer os restaurantes da orla e paramos para comer um lanche curioso: hambúrguer com abacaxi. Achamos estranho, mas é bem gostoso e refrescante.
Outros atrativos do Jalapão
O Jalapão fica a cerca de 300 km de Palmas, em uma região que abrange os municípios de Mateiros, São Félix do Tocantins, Ponte Alta do Tocantins e outros. O parque é mantido por uma série de unidades de preservação — entre cerrados, dunas, rios cristalinos, cachoeiras e os famosos fervedouros. Já exploramos toda a região em diferentes expedições e posso dizer com convicção: é um dos lugares mais bonitos do Brasil. Confira nosso roteiro completo de 6 dias pelo Jalapão para ter uma ideia do que é possível fazer.
O que são os fervedouros do Jalapão? Fervedouros são nascentes de rios subterrâneos que brotam com tanta pressão que a água se torna mais densa, tornando impossível afundar — é o mesmo princípio do Mar Morto, mas no coração do cerrado tocantinense. Ao todo, existem 122 fervedouros catalogados em toda a região, mas apenas alguns estão abertos à visitação. Tudo sobre o fenômeno e os que conhecemos está no nosso guia completo dos Fervedouros do Jalapão.
Aqui, um panorama de cada atrativo — com os detalhes que só quem foi de verdade pode contar. Todos os locais abaixo ficam no estado do Tocantins, sendo a maioria acessível a partir de Palmas em roteiros organizados com agências locais.
Pedra Furada
Um dos ícones geológicos do Jalapão, a Pedra Furada fica a cerca de 30 km da cidade de Ponte Alta do Tocantins (187 km de Palmas). Trata-se de um grande conjunto de blocos de arenito esculpidos ao longo de milênios pela ação do vento e da chuva, formando buracos e arcos que lembram portais para outro mundo.
A trilha tem dois caminhos: à direita, você chega ao maior portal — perfeito para fotos. À esquerda, uma trilha sobe até o topo da pedra, de onde há uma vista incrível para as florestas do cerrado, o Morro da Cruz e o Morro Solto. Subimos até o segundo furo, onde o silêncio era quebrado apenas pelo voo das maritacas. A vista do alto, com o cerrado se estendendo até onde a vista alcança, nos fez sentir pequenos.
O final da tarde é o melhor horário para visitar — o pôr do sol lá de cima é simplesmente espetacular. Atenção: o guia pode alertar sobre a presença eventual de onças na região e colmeias de abelhas no topo. Evite barulhos excessivos na parte alta. Todos os detalhes estão no nosso guia completo da Pedra Furada no Jalapão e no relato do nosso segundo dia de viagem pelo Jalapão, onde visitamos a Pedra Furada logo depois da Lagoa do Japonês.
Lagoa do Japonês
Localizada no município de Pindorama, a Lagoa do Japonês é um oásis de águas cristalinas e azul intenso cercado por formações rochosas e vegetação exuberante. O nome vem da descendência nipônica do antigo proprietário da terra.
O lugar é ótimo para banho, flutuação e passeios de barco até uma gruta submersa — onde a cor da água, num azul impressionante, contrasta com as rochas ao redor. Na nossa visita, alugamos sapatilhas para proteger os pés das pedras de calcário e boias para maior conforto ao nadar. Optamos pelos ingressos para o barquinho até a gruta — e a cor da água de dentro era deslumbrante. Logo começou a ventar forte e a chuva caiu, mas nem isso apagou a impressão que o lugar causou.
Os detalhes da nossa experiência por lá estão no post completo sobre a Lagoa do Japonês.
Cânion Sussuapara
O Cânion Sussuapara fica a 14 km da cidade de Ponte Alta do Tocantins e recebeu esse nome por causa de um veado — o suçuapara — que quase não se vê mais na região. Foi formado pela ação das águas que cortaram as rochas ao longo dos séculos, criando paredes úmidas cobertas de musgos e samambaias com uma cortina constante de pingos pelas laterais.
A trilha até o interior do cânion é curta — cerca de 100 metros, plana na maior parte — mas exige atenção na descida final, que pode ficar escorregadia. Assim que demos o primeiro passo dentro do cânion, vimos um caracará comendo um rato e logo depois uma cobra colorida em verde, preto e amarelo. O lugar tem essa energia selvagem que é difícil de descrever. No final, uma piscina natural e uma queda d’água de aproximadamente 5 metros aguardam os visitantes. Se tiver resistência ao frio, o mergulho compensa.
Até as pedras têm lenda aqui: as pedras brancas espalhadas pelo chão do cânion esperando ser coletadas, ter um pedido feito e serem colocadas na parede, para que os seres da mata realizem seus desejos. Por via das dúvidas, valeu fazer o pedido. O artigo completo sobre o Cânion Sussuapara tem todos os detalhes.
Cachoeira da Velha
Chamada por muitos de “mini Foz do Iguaçu”, a Cachoeira da Velha é a maior e mais conhecida cachoeira do Jalapão — com aproximadamente 100 metros de largura e 15 metros de altura. O volume de água é impressionante — mesmo no mirante, que fica a uma distância segura, dá pra sentir o respingo. Banho não é permitido por questões de segurança.
Para chegar até lá, você passa pela antiga fazenda que, segundo os guias locais, teria sido usada pelo traficante Pablo Escobar — uma pista de pouso ainda pode ser vista no local. O guia contou que os funcionários conseguiram fugir antes do exército invadir a propriedade. Verdade ou lenda, o Jalapão tem esse talento para acrescentar uma camada de mistério a cada atração.
A cachoeira recebeu seu nome por causa de uma mulher que amava aquele lugar e passava horas sentada nas pedras contemplando as quedas. Quando ela morreu, dizem que seu espírito ficou vagando pela região — e os locais ainda relatam avistamentos. Todos os detalhes estão no nosso guia da Cachoeira da Velha no Jalapão.
Prainha do Rio Novo
Às margens do Rio Novo — o maior do Jalapão e um dos poucos rios que ainda possuem água potável em todo o mundo — a Prainha do Rio Novo é uma praia fluvial de areia fina e águas calmas num trecho de cerrado fechado. Fica a poucos minutos da Cachoeira da Velha, mas para chegar lá é preciso voltar ao transporte e ir até o ponto de início das escadas.
As águas são tranquilas na maior parte do percurso, mas em período de cheia a correnteza surpreende em alguns pontos — vale tomar cuidado. Para quem quer aventura, no Rio Novo também é possível fazer rafting e bóiacross. Dica extra: a Prainha do Rio Novo já foi cenário do filme Deus é Brasileiro — o que diz bastante sobre a beleza do lugar. Tudo que sabemos sobre essa praia está no post completo da Prainha do Rio Novo.
Praia do Caju
Localizada também em Palmas, às margens do Lago de Palmas, a Praia do Caju é uma alternativa mais tranquila e cercada de vegetação para quem quer banho de rio sem o movimento da Graciosa. A água é própria para natação, o ambiente é reservado e arborizado — ótimo para um piquenique à beira d’água ou para aproveitar o pôr do sol com menos gente. É uma das praias urbanas de Palmas com melhor condição para banho. Já a Praia do Caju que fica no Jalapão, às margens do Rio Novo, é uma atração diferente — mais selvagem, repleta de cajueiros e a caminho das Dunas.
Dunas
As Dunas do Jalapão são um dos cenários mais surreais do Brasil: grandes montanhas de areia avermelhada no meio do cerrado, com água por todos os lados — daí o apelido de “Deserto das Águas”. Ficam a 282 km de Palmas pela TO-255, cerca de 4 horas de viagem em 4×4. O acesso é de segunda a domingo, das 6h às 18h30, com entrada máxima até as 17h30.
A subida exige esforço — a trilha de 350 metros começa plana, atravessa um riacho de águas cristalinas e termina nas encostas de areia onde cada passo cede — mas a vista do topo justifica cada metro. Ao longo de todo o caminho, você tem a vista para a Serra do Espírito Santo, com seus 22 km de extensão. Existe uma trilha que sobe até o topo para ver o nascer do sol que dizem ser uma das coisas mais bonitas do Jalapão.
No caminho para as dunas, a Lagoa dos Jacarés é uma parada obrigatória: enorme, com vegetação densa nas bordas e frequentada por jacarés (não se iluda pelo nome bonito — banho não é recomendado). Antes de pegar a estrada das dunas, a parada no Bar da Dona Benedita para provar a cachaça de Jalapa é quase sagrada. Contamos nossa experiência completa no artigo do passeio pelas Dunas do Jalapão e também no guia sobre as Dunas e a Lagoa dos Jacarés.
Fervedouro do Ceiça
O Fervedouro do Ceiça — antigo Dona Glorinha — foi o primeiro fervedouro aberto ao turismo na região do Jalapão, e tem um charme histórico especial. Foi aqui que mergulhamos pela primeira vez em 2016, onde tudo começou. Cercado de bananeiras que tingem a água de tons esverdeados, o Ceiça oferece uma flutuação suave e quase meditativa, com grupos de até seis pessoas por vez. É o ponto de partida ideal para quem quer entender o fenômeno — e sair querendo conhecer todos os outros.
Fervedouro Macaúbas
O Fervedouro Macaúbas impressiona pela água translúcida e fresca que brota com tanta força que a areia fina do fundo mantém os visitantes boiando sem nenhum esforço. As palmeiras macaúbas que dão nome ao local criam uma sombra generosa. Fomos os primeiros visitantes do dia e ficamos além do tempo permitido de 20 minutos — e não nos arrependemos. O Nicolas, nosso filho, adorou a experiência: flutuou, brincou, riu a cada movimento que o levava para cima, como se a água fosse viva. Leia nossa experiência completa no Fervedouro Macaúbas.
Fervedouro Buritizinho
Compacto, com capacidade para apenas seis pessoas, o Fervedouro Buritizinho tem uma beleza quase mística. Suas águas, de tonalidade âmbar escura — resultado da decomposição orgânica das folhas dos buritis — contrastam com o verde intenso das palmeiras ao redor.
O acesso começa com uma trilha curta de 250 metros, onde um rio de águas calmas serve como área de espera para os grupos. No meio do caminho, o som dos pássaros e o balançar das palmeiras de buriti nos acompanharam. A profundidade maior em relação a outros fervedouros dá uma sensação extra de aventura. Contamos os detalhes no artigo sobre o Fervedouro Buritizinho.
Fervedouro Encontro das Águas
Com apenas 4 metros de diâmetro, o Fervedouro Encontro das Águas oferece a pressão mais intensa do Jalapão — tente afundar e o fervedouro te projeta para cima como uma rolha de champanhe. O nome vem do encontro entre dois rios de tonalidades distintas: um azul cristalino e outro dourado, que ao se misturarem formam um verde-esmeralda hipnotizante.
Do alto do drone, a vista era deslumbrante — o fervedouro como uma piscina natural circular, cercada por vegetação densa, com os dois rios de cores distintas se encontrando a poucos metros. Estudos com sondas revelaram que o poço subterrâneo tem entre 70 e 80 metros de profundidade, alimentado pelo mesmo aquífero que abastece a Cachoeira do Formiga. O post completo sobre o Fervedouro Encontro das Águas tem todos os detalhes.
Fervedouro do Rio Sono
O Fervedouro do Rio Sono é o único com formato retangular entre os fervedouros do Jalapão. Suas águas esverdeadas são as mais frias da região — o que no calor do cerrado parece qualquer coisa menos um defeito. Múltiplas nascentes permitem escolher diferentes pontos de flutuação. Depois da experiência, o restaurante local e as redes suspensas sob os buritis viraram programa obrigatório — cochilamos por ali um tempão enquanto o cerrado fazia silêncio ao redor. Nossa visita completa está no artigo do Fervedouro do Rio Sono.
Fervedouro Buritis
O Fervedouro Buritis faz parte do Parque Estadual do Jalapão e fica a 18 km do centro de Mateiros. Recebe seis pessoas por vez e tem uma particularidade visual irresistível: visto de cima — por drone — o desenho da piscina natural tem o formato de um coração, emoldurado pelas palmeiras buritis.
Visitamos o Buritis duas vezes — na primeira, a chuva tingiu a água de marrom. Na segunda, com o céu limpo, ficamos por quase uma hora dentro do fervedouro, esquecendo completamente o limite de 20 minutos. A água translúcida revelava pequenas fendas no fundo arenoso, por onde borbulhavam os veios subterrâneos. Uma das experiências mais bonitas de todas as nossas viagens. O relato completo está no post do Fervedouro Buritis.
Cachoeira do Formiga
A Cachoeira do Formiga é talvez o cartão-postal mais reproduzido do Jalapão — um poço de cor verde-esmeralda absolutamente irreal, com uma queda d’água de aproximadamente 2 metros que não engana: a pressão da água é fortíssima e forma uma verdadeira hidromassagem natural. O nome vem de uma planta da região.
Diferente de outros pontos do Jalapão, a Formiga não tem limite de visitantes nem restrição de tempo — o que a torna um dos pontos mais populares e acessíveis da região. Ficamos lá por cerca de 4 horas na primeira visita, e ainda assim saímos com vontade de ficar mais. O acesso é controlado até as 17h30. Tudo sobre nossa experiência está no artigo completo da Cachoeira do Formiga.
Fervedouro Beija-flor
Descoberto há poucos anos e ainda pouco frequentado, o Fervedouro Beija-flor é um tesouro para quem consegue encaixar no roteiro. O guia João, um tocantinense que conhece cada centímetro do Jalapão como a palma da mão, nos convenceu a trocar o Alecrim pelo Beija-flor — e que sorte a nossa.
Um poço circular de água tão azul que parecia iluminado por dentro, com limite de 10 pessoas e apenas 20 minutos por grupo. Tivemos o privilégio de desfrutá-lo quase sozinhos, enquanto o drone capturava imagens aéreas que mostravam o fervedouro como um olho azul incandescente no meio da vegetação. Os fervedouros do Jalapão são alimentados pelo aquífero Urucuia, uma das maiores reservas de água doce do Brasil. Os detalhes completos estão no nosso relato do quinto dia pelo Jalapão.
Fervedouro Bela Vista
O maior fervedouro da região, com 15 metros de diâmetro e profundidade estimada em 80 metros, o Fervedouro Bela Vista fica próximo à cidade de São Félix do Tocantins. O local tem uma torre de observação de 5 metros que oferece uma vista panorâmica impressionante — de cima, o fervedouro parece uma joia incrustada no cerrado.
Visitamos duas vezes e pegamos chuva nas duas — a água estava com coloração mais escura pelo verde da chuva recente. Mas a torre, as placas educativas sobre a fauna e a flora locais e a piscina natural alimentada pelas mesmas águas do fervedouro compensaram. Ao manobrar o drone, fui surpreendido por um bando de andorinhas que, defendendo seu território, quase interceptaram o equipamento. A experiência completa está no artigo do Fervedouro Bela Vista.
Fervedouro Por Enquanto
O Fervedouro Por Enquanto surpreende pela cor: águas azul-turquesa quase fluorescentes que brilham sob o sol do entardecer. Fica em uma pousada que permite pernoite — e acordar para um banho matinal naquele poço, com o silêncio do cerrado ao redor, foi uma das experiências mais especiais de toda a expedição. O poço é amplo, com deck de madeira para contemplação antes do mergulho.
Na nossa última noite antes do dia da Cachoeira da Arara, mergulhamos no poço iluminado por refletores subaquáticos, sob o céu estrelado do cerrado — um cenário difícil de acreditar que é real. Você pode conferir esse trecho no nosso artigo resumo dos 7 dias pelo Jalapão.
Cachoeira da Arara
A Cachoeira da Arara impressiona pelo cenário e pela energia de estar lá cedo. Chegamos como os primeiros visitantes do dia — a sensação de ter o lugar só para nós foi mágica. O nome vem das araras-vermelhas que habitavam a área antes da ocupação humana; hoje restam apenas histórias e a esperança de que projetos de preservação tragam essas aves de volta.
As pedras lisas das bordas são traiçoeiras — dois cortes nos pés e um no joelho foram o preço da ousadia. No restaurante da propriedade, anexo à cachoeira, o strogonoff de legumes — que, por engano, acabou sendo vegano — era tão saboroso que rivalizava com qualquer versão com carne. O artigo com nossa experiência completa está no post da Cachoeira da Arara.
Serra da Catedral
No caminho de volta da Cachoeira da Arara para Taquaruçu, paramos para admirar a Serra da Catedral — um conjunto de rochas quartzíticas esculpidas pelo vento que lembravam torres góticas, um cenário perfeito para fotos surrealistas. A Serra possui 180 metros de altura e é considerada patrimônio natural do Jalapão.
No caminho, uma família de emas apareceu na estrada — elegantes e curiosas, atravessando a planície como se fossem donas do lugar. Mais adiante, uma viatura policial capotada abandonada na beira da pista acrescentou um toque de mistério. O Jalapão nunca entrega seus segredos de mão beijada. O relato desse dia completo está no artigo do sexto dia pelo Jalapão.
Cachoeira da Roncadeira
A Cachoeira da Roncadeira fica no distrito de Taquaruçu, a apenas 35 km do centro de Palmas — o que a torna acessível mesmo para quem tem pouco tempo na capital. Com uma queda de 70 metros, recebeu esse nome pelo barulho que a água fazia ao bater nas pedras, que lembrava uma roncadeira.
No local, você pode tomar banho na parte rasa, mergulhar na parte funda, ir atrás da cachoeira — ou fazer o rapel, mediado por empresa local. O rapel da Roncadeira custa em torno de R$ 150 por pessoa e leva cerca de 15 minutos para descer os 70 metros. A subida até o topo, por si só, já é uma aventura: íngreme, segurando nos galhos e nas pedras, com desnível equivalente à própria altura da cachoeira.
Descemos molhados, felizes e com adrenalina sobrando. A sensação de estar atrás da cortina d’água — na chamada “catedral” da Roncadeira — é poderosa e quase espiritual. O Heitor, que estava cheio de medo antes de começar, desceu logo depois de mim e o sorriso estampado no rosto confirmou: a Roncadeira conquista qualquer um. Todos os detalhes no nosso artigo completo das Cachoeiras Escorrega Macaco e Roncadeira.
Cachoeira Escorrega Macaco
A Cachoeira Escorrega Macaco fica no mesmo distrito de Taquaruçu, a apenas 80 metros da Roncadeira na trilha de 1,5 km. Com 50 metros de altura, o nome é autoexplicativo: um longo escorregador natural de pedra, polido pela água ao longo de milênios. O tipo de atração que agrada crianças, adultos e qualquer um que ainda guarde um pouco da criança dentro de si.
Na trilha de acesso, passamos por macacos pelo caminho — e antes ainda é preciso descer uma escada de 143 degraus, que é a parte mais puxada de todo o percurso. Uma boa dica: se for fazer o rapel na Roncadeira, passe pela Escorrega Macaco na volta para contemplar a queda de perto. Tudo sobre essa dupla de cachoeiras está no post das Cachoeiras Escorrega Macaco e Roncadeira.
Perguntas Frequentes sobre a Praia da Graciosa
A Praia da Graciosa é boa para banho?
A praia em si não é recomendada para banho — o local é mais voltado para lazer, gastronomia e contemplação. Há registros de ataques de piranhas na área (e experiência própria para confirmar isso). Para um banho mais seguro e agradável, o ideal é ir até a Ilha da Canela, a 3 km de barco, onde as condições são bem melhores.
Como chegar na Ilha da Canela?
Para ir à Ilha da Canela, basta se dirigir ao Píer 1, ao lado da Ponte Fernando Henrique Cardoso, na Praia da Graciosa. De lá saem barcos regulares que fazem o trajeto de 3,2 km em cerca de 10 minutos. O valor é de aproximadamente R$ 100 por pessoa (ida e volta), com variações conforme o operador.
Qual o melhor horário para visitar a Praia da Graciosa?
O final da tarde — a partir das 17h — é o horário ideal. O pôr do sol na orla é considerado um dos mais bonitos do Brasil: a combinação das águas do lago, a Ponte Fernando Henrique Cardoso ao fundo e o céu do cerrado cria uma paleta de cores que vale qualquer esforço. Esteja lá às 17h30 para garantir o espetáculo completo.
É possível combinar Palmas e Jalapão na mesma viagem?
Sim, e é o que recomendamos. A maioria das expedições para o Jalapão parte de Palmas, que fica a cerca de 300 km dos principais atrativos do parque. O ideal é chegar um dia antes, visitar a Praia da Graciosa e a Ilha da Canela, e seguir para o Jalapão na manhã seguinte. Confira nosso roteiro de 7 dias pelo Jalapão para ter uma ideia do que é possível fazer em uma semana.
Precisa de guia para visitar o Jalapão?
Para os atrativos do Jalapão — especialmente os fervedouros e as estradas de terra que cortam o parque — um guia credenciado é altamente recomendado e, em muitos pontos, obrigatório. As estradas de areia são confusas, as condições mudam com a chuva, e os fervedouros têm regras rígidas de visitação. Nas nossas duas expedições, usamos guia e não nos arrependemos nem por um segundo.
Quanto tempo preciso para conhecer o Jalapão saindo de Palmas?
O mínimo recomendado é 6 dias para cobrir os principais atrativos com tranquilidade — e 7 dias se quiser incluir o rapel na Roncadeira e mais fervedouros. Confira nosso roteiro de 6 dias pelo Jalapão para um planejamento detalhado.
Conclusão
A Praia da Graciosa é muito mais do que uma praia urbana: é o lugar onde Palmas respira, onde as famílias se encontram, onde o sol desce devagar sobre o lago e parece que o tempo para. Chegar ali depois de um voo longo, pedir uma cerveja gelada num quiosque e ver o pôr do sol colorir o céu do cerrado é uma daquelas experiências simples que ficam gravadas na memória — e que a gente quer repetir.
Fomos lá duas vezes. Nas duas, a Graciosa cumpriu o que prometeu. E nas duas, ela foi apenas o começo de algo muito maior — o Jalapão esperando a poucos quilômetros com seus fervedouros que desafiam a gravidade, suas dunas douradas e suas cachoeiras monumentais. Se quiser ver tudo isso dia a dia, com detalhes e relatos de quem foi, confira nossa viagem completa de 7 dias pelo Jalapão.
Conta pra gente nos comentários se você já foi à Praia da Graciosa ou se está planejando a primeira visita. E se quiser mais detalhes sobre qualquer um dos atrativos que listamos, é só clicar nos links — já passamos por quase todos eles e contamos tudo.


























