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No terceiro dia da nossa viagem por Itaúnas, acordamos com o céu nublado e as ruas da Vila Mágica cheias de poças — resultado da chuva forte da noite anterior. Mesmo assim, seguimos animados para fazer a Trilha do Tamandaré, uma das experiências mais simbólicas do Parque Estadual de Itaúnas (ES).
Saímos cedo da pousada, já com botas e mochilas nas costas, e caminhamos até a entrada do Parque Estadual de Itaúnas, que fica bem próxima. Ao chegarmos, já notamos uma área de recepção simples, com bancos de madeira, painéis informativos e um mirante que oferece uma vista para o Rio Itaúnas. Ali, também há uma prainha de rio — muitos visitantes aproveitam para se refrescar antes da trilha.
Passamos pelo centro de visitantes, onde pudemos ver fósseis, achados arqueológicos (como cerâmicas e entalhes da antiga Vila de Itaúnas, soterrada pelas dunas na década de 1960), maquetes reconstruindo como era a vila antes do soterramento pelas dunas, e painéis que narram a história local. Aquilo nos ajudou a entender melhor o que íamos caminhar dali a pouco. Esse mergulho na história foi o aquecimento perfeito para o passeio.
Logo após atravessar a ponte sobre o Rio Itaúnas, começa a trilha.
A Trilha do Tamandaré vai além de uma simples caminhada: é uma viagem pela memória da antiga vila e uma imersão na natureza do parque. Com apenas 1,1 km de extensão, ela é acessível para todas as idades, ideal para famílias com crianças, e combina história, paisagem e tranquilidade. São cerca de 700 metros até a Casa do Tamandaré e mais 400 metros até a praia. O trajeto é tranquilo, quase todo plano, e repleto de placas literárias com contos e memórias de antigos moradores da vila. É uma caminhada que convida à contemplação e com boa sinalização.
Criado em 1991, o Parque Estadual de Itaúnas protege ecossistemas de restinga, manguezais e dunas — além de preservar a herança cultural do antigo vilarejo. As placas literárias ao longo da trilha reforçam esse elo entre natureza e memória, tornando o percurso uma experiência sensorial e afetiva.
Se for visitar, leve água, repelente, calçado leve e respeito pelo espaço. Não entre em áreas restritas, nem recolha artefatos ou resíduos. É um lugar de aprendizado, e cada detalhe faz parte de um ecossistema que merece cuidado.
Logo no início, passamos por áreas alagadas próximas ao Rio. Ali, era indispensável usar repelente: mosquitos abundavam nos trechos mais úmidos. A trilha segue plana até quase a Casa do Tamandaré, com vegetação de restinga ao redor, arbustos e o som constante da mata. O caminho segue margeando o rio, cercado por vegetação de restinga e pássaros típicos da região.
Quando avistamos a Casa do Tamandaré, ficou claro por que ela é tão simbólica: é uma das poucas construções da antiga Vila de Itaúnas que não foi soterrada pelas dunas. Hoje, é uma ruína. Não é permitido entrar (risco de desmoronamento), e percebemos pichações em partes da estrutura — um lembrete triste de como o abandono e a ação humana afetam vestígios históricos. Alguém que vivia lá, conhecido localmente como “Seu Tamandaré” (Carlos Bonela), permaneceu ali até 2006, cultivando roças e mantendo árvores frutíferas ao redor da casa.
Depois da Casa do Tamandaré, seguimos por cerca de 400 metros até alcançar a praia. Nesse trecho, enfrentamos uma parte de areia mais solta, especialmente no acesso às dunas — uma leve subida que dá trabalho se você estiver cansado, mas nada muito exigente. Lá de cima, a vista das dunas, da restinga e do mar era de tirar o fôlego.
Descemos até a praia. Ali, percebemos um cenário tranquilo, quase deserto: éramos praticamente os únicos ali. Enquanto caminhávamos, Nicolas aproveitou para correr à beira-mar — e nós, para relaxar, jogar bola, brincar em família. O mar estava mais agitado naquele ponto, então ele ficou com um pouco de receio de entrar. Preferimos curtir apenas o visual e o som das ondas.
Depois, continuamos caminhando cerca de 700 metros até chegarmos perto das barracas da Praia de Itaúnas “principal”. Ali o mar estava mais calmo, havia mais gente, mas nada lotado. As barracas tinham boa estrutura: algumas cobravam pelo aluguel de cadeiras/ombrelones, outras só pediam consumo mínimo. Tomamos banho de mar — eu (ou nós) brinquei com as ondas, consegui pegar “jacarés” nas cristas das ondas, e Nicolas entrou no meu colo, rindo bastante.
Quando o relógio marcava por volta das 13h, decidimos retornar à vila. Pegamos outro caminho: a Trilha das Dunas, que é curtinha — cerca de 400 metros até a estrada, e depois mais 1 km até a vila. Foi uma alternativa simpática para fechar nosso passeio com calma.
Voltamos à vila com os pés cheios de areia e o coração leve. Caminhar pela Trilha do Tamandaré foi reviver um pedaço da história de Itaúnas e sentir, de perto, a força da natureza que moldou essa paisagem mágica. Uma experiência simples, mas profundamente marcante — o tipo de passeio que faz a gente desacelerar, respirar fundo e agradecer por estar ali.
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