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Toda quinta-feira, a partir das 20h30, os tambores começam a bater na orla de Alter do Chão e não param até a meia-noite. O carimbó em Alter do Chão não é folclore encenado para turista: é uma roda aberta, gratuita, que acontece toda semana no mesmo lugar desde 2018, conduzida pelos mesmos mestres que passaram a vida inteira dedicados a esse ritmo. Neste guia você encontra tudo: o que é o carimbó, por que Alter do Chão tem um sotaque único dentro dessa tradição, quem são os mestres que mantêm isso vivo, e todos os locais e eventos onde você pode assistir e participar ao vivo.
Sobre Alter do Chão, a vila que dança

Alter do Chão fica no município de Santarém, no oeste do Pará, às margens do Rio Tapajós, a cerca de 38 km do centro da cidade, pela PA-457, uma estrada totalmente asfaltada que leva uns 40 minutos de carro ou transfer. O acesso mais comum é voar até o Aeroporto de Santarém (STM), que recebe voos diretos de Belém, Manaus e Brasília. De lá, táxi ou van compartilhada completam o trajeto.
O apelido “Caribe Amazônico” diz muito: praias de areia branca e água turquesa-esverdeada que emergem no verão amazônico, quando o nível do Tapajós baixa entre agosto e dezembro. O Guardian, em 2009, colocou Alter entre as praias de água doce mais bonitas do mundo, e desde então o turismo cresceu, mas sem apagar o que faz daqui um lugar fora do comum.
A história começa com o povo Borari, que habitava essas margens antes dos colonizadores portugueses chegarem no século XVII para fundar uma aldeia missionária. Dessa mistura de culturas (indígena, africana e europeia) nasceram as festas, os saberes e os ritmos que ainda pulsam na vila. A Festa do Sairé, realizada todo setembro há mais de 300 anos, é o exemplo mais visível. O carimbó, que acontece toda semana na orla, é o pulso diário dessa identidade.
Melhor época para visitar: julho a dezembro, quando as praias estão no auge. Para o Sairé, planeje setembro. E se o carimbó for o motivo principal, qualquer quinta-feira do ano serve. Se você ainda não conhece a vila, dá uma olhada em tudo o que já contamos sobre Alter do Chão para organizar o resto da viagem.
O que é o carimbó: a dança que nasceu do tambor e da floresta

O carimbó é uma manifestação musical, coreográfica e festiva típica do estado do Pará. É dança de roda, música de tambor, celebração de quem vive perto do rio, e uma das expressões culturais mais completas da Amazônia brasileira. Tem letra, tem coreografia, tem figurino, tem instrumentos específicos e tem rituais internos que quem chega de fora demora a aprender.
A origem do nome e do tambor curimbó
O nome vem do tupi: curi significa “pau oco” e m’bó significa “furado”. Curimbó, portanto, é “pau que produz som”, referência direta ao tambor artesanal que dá base rítmica à dança. O curimbó é feito de um tronco escavado, coberto por pele de animal, e tocado com as mãos. Dois curimbós de tamanhos diferentes tocam juntos para criar contraste sonoro: o grave e o agudo que se alternam e se completam.
Com o tempo, o nome do instrumento virou nome da dança, e depois nome do gênero musical inteiro. Hoje, carimbó é ritmo, dança e identidade, tudo no mesmo pacote.
Os instrumentos: do curimbó ao banjo
Além dos dois tambores curimbó, a formação clássica conta com banjo (marcação rítmica), maracá, pandeiro, reco-reco, ganzá e afoxé. Nas versões mais antigas e raiz, a flauta de bambu marca a melodia. Nas versões estilizadas, mais tocadas nas rádios, entram guitarra, bateria e saxofone, o que muda bastante o som, mas não apaga a essência.
O carimbó pau e corda, que você vai encontrar em Alter do Chão, usa a formação acústica original. Nada de amplificação excessiva. O som chega cru e denso, com aquela ressonância que parece sair do próprio chão.
A coreografia: saias rodadas, pés descalços e o peru de Atalaia

A dança é feita em roda, em pares, sem contato direto. O homem convida a mulher com palmas. Ela aceita, e os dois começam a girar: movimentos rotatórios, passos miúdos, expressão corporal que conta a história que a música está cantando.
As mulheres vestem saias rodadas e volumosas, bem coloridas, que abrem no giro e criam aquele efeito visual inconfundível. Flores no cabelo, joias, tornozeleiras que tilintam no ritmo. Os homens vestem calças com a bainha dobrada, herança dos trabalhadores rurais que dançavam depois do dia de serviço. Todos descalços, pés no chão de terra.
Em certo momento, um casal vai ao centro para o famoso passo do peru de Atalaia: a dançarina coloca um lenço no chão e o desafio está lançado, o dançarino precisa pegar o lenço usando só a boca, sem apoiar as mãos no chão. Se conseguir, fica. Se não conseguir, sai entre vaias e risadas do grupo. A mulher ainda usa a saia para tentar envolver o par, num jogo de sedução e esquiva que é ao mesmo tempo coreografia e brincadeira.
As variantes do carimbó
O carimbó não é único, tem sotaques diferentes dependendo de onde é praticado. O carimbó praieiro é mais leve, das comunidades costeiras. O rural e o pastoril têm influências religiosas. O carimbó de repente é improvisado, com letras criadas na hora. E o carimbó pau e corda, ou carimbó raiz, é a versão acústica e mais tradicional, que ganhou força especialmente em Alter do Chão.
Por que o carimbó é Patrimônio Cultural do Brasil?

Em 11 de setembro de 2014, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou por unanimidade o registro do carimbó no Livro de Registro das Formas de Expressão do IPHAN. O processo começou em 2008 e levou seis anos, com pesquisas em campo em diversas regiões do Pará, levantamento de grupos, mestres e comunidades praticantes, e uma campanha liderada pelos próprios carimboleiros que ficou conhecida como Campanha do Carimbó. O registro foi formalizado em 2015.
O que muda com o reconhecimento, na prática? Amplia a visibilidade, abre caminho para políticas públicas de salvaguarda e garante que o Estado se torne parceiro na preservação da tradição, o que inclui apoio a grupos, mestres, registros e difusão.
O 26 de agosto é celebrado como o Dia Municipal do Carimbó, em homenagem a figuras como Mestre Verequete, considerado o Rei do Carimbó Raiz (1916-2009), e Dona Onete, a Musa do Carimbó. Pinduca, o Rei do Carimbó Moderno, foi quem levou a versão estilizada para todo o país a partir dos anos 1970.
O carimbó raiz de Alter do Chão: uma história à parte

O que muita gente não sabe é que o carimbó pau e corda chegou a Alter do Chão só por volta de 2005. Antes disso, havia grupos que se apresentavam para turistas ao som de carimbó eletrônico: músicas do Pinduca tocando no som, dançarinos recebendo visitantes como atração. Bonito, mas vazio de raiz.
Quem mudou isso foi um músico, compositor, contador de histórias e Mestre Griô chamado Chico Malta. Nascido em Santarém, ele mora em Alter do Chão há mais de 30 anos e foi o responsável por plantar o carimbó pau e corda nessa margem do Tapajós.
Mestre Chico Malta e o Movimento de Roda de Curimbó
Em 29 de janeiro de 2010, na casa do próprio Chico Malta, nasceu o Movimento de Roda de Curimbó (MRC), o primeiro grupo de carimbó pau e corda de Santarém. O que começou como uma festa espontânea com músicos de vários lugares virou um movimento cultural com identidade própria: foi daí que saiu o álbum Tapajós em Festa, com participação de Dona Onete e músicas que resgatam ritmos como curimbó, marambiré e folias do Çairé, heranças diretas do povo Borari.
O MRC também teve um papel político: atuou contra megaprojetos na Amazônia, em especial as hidrelétricas no Rio Tapajós. O carimbó como resistência, não só como dança.
Chico Malta segue como a referência máxima do carimbó tapajônico. Foi quem implantou em Santarém a campanha pelo reconhecimento como patrimônio, fundou o Centro de Referência do Carimbó Mestre Chico Malta e criou, em março de 2018, a Quinta do Mestre e a Sereia, que hoje é a maior expressão viva do carimbó em Alter do Chão.
Carimbó pau e corda vs. carimbó estilizado: qual a diferença?
O carimbó estilizado é o que você ouve no rádio e nas festas populares do Pará: bateria eletrônica, guitarra, arranjos mais elaborados. É bom, é dançante, é o Pinduca na caixa de som da barraca de praia. Mas não é pau e corda.
O carimbó pau e corda usa só instrumentos acústicos: curimbó, banjo, maracá, flauta. O som é mais cru, mais denso, mais próximo do chão. As letras costumam falar do cotidiano do povo do rio: pesca, floresta, histórias de boto, amor ribeirinho. É o carimbó que Mestre Chico Malta chama de “carimbó que vem do fundo da mata e do rio”.
Em Alter do Chão, foi justamente esse carimbó raiz que gerou um sotaque próprio, com influências do povo Borari e ritmos como o marambiré e o curimbó original da região, que é reconhecido e distinguido dentro do universo mais amplo do carimbó paraense.
Os mestres e grupos de Alter do Chão
Além de Chico Malta, outros mestres mantêm o carimbó vivo em Alter:
Mestre Hermes Caldeira lidera o Grupo Quatá de Carimbó e é o anfitrião do Pirarimbó, uma experiência cultural imersiva que une piracaia e carimbó ao vivo numa praia exclusiva.
Mestre Osmarino Cumaruara é o nome por trás do Grupo Cumaru. Mestre Paulinho Barreto e Mestre Silvan Galvão completam o time ativo nas rodas de Alter.
E tem um grupo que merece atenção especial: as Suraras do Tapajós, um coletivo formado exclusivamente por mulheres indígenas de Alter do Chão. Criado em 2018 como as “Guerreiras do Tapajós”, o grupo fez sua primeira turnê internacional em 2025, com apresentações em Lyon, Angoulême, Podensac e Paris, representando a Amazônia no Ano do Brasil na França. É o carimbó tapajônico abrindo portas para o mundo.
Onde assistir apresentações de carimbó em Alter do Chão

Alter do Chão tem opções para todos os gostos e bolsos, da roda gratuita na rua ao jantar imersivo na praia com Mestre ao vivo. O importante é entender que cada espaço tem uma vibe diferente. Vamos por partes.
Quinta do Mestre e a Sereia: a roda mais autêntica da Amazônia
É o evento mais importante. Criada em março de 2018 por Chico Malta, a Quinta do Mestre acontece toda quinta-feira, das 20h30 à meia-noite, na orla de Alter do Chão, em frente ao Centro de Referência do Carimbó Mestre Chico Malta, na confluência da PA-457 com a orla da vila.
É na rua. Chão de terra, árvores frutíferas ao redor, o Rio Tapajós como cenário de fundo e a Ilha do Amor iluminada no horizonte. Os grupos se revezam (Cobra Grande, Quatá de Carimbó, Cumaru, Tatu Canastra), cada um com seu set, suas sereias, seus mestres. O público chega aos poucos, a roda vai crescendo, e em algum momento turistas e moradores dançam juntos sem que ninguém precise pedir.
Nós estivemos lá numa quinta de julho de 2024, depois de um dia inteiro seguindo o nosso roteiro de praias em Alter do Chão. Chegamos com o cansaço no corpo e saímos três horas depois com o tambor ainda na cabeça. O Nicolas, nosso filho, achou um violãozinho por ali e não largou mais. A gente entrou na roda: tentativa e erro nos passos, risos, o ritmo que vai entrando no corpo sem avisar. Comemos salpicão e bolo de chocolate feitos pelas mulheres que organizam o evento, e foi aí que descobrimos que a Quinta do Mestre sobrevive sem grandes apoios institucionais. A venda de comida é parte do que sustenta a noite. Comer lá é participar, não só consumir. Contamos com mais detalhes essa noite no nosso relato do quarto dia da nossa viagem por Alter do Chão, quando o roteiro de praias terminou direto na roda de carimbó.
Entrada: gratuita. Um chapéu passa durante a noite, contribua com o que puder.
Atenção: confirme nas redes sociais do Centro de Referência antes de ir. Em datas especiais ou durante baixa temporada, a programação pode variar.
Toca do Tatu: carimbó com clima de espaço cultural
Para quem prefere ambiente fechado, estrutura de bar e uma apresentação mais organizada, a Toca do Tatu é a pedida das quartas-feiras. O grupo anfitrião é o Tatu Kanastra, e o espaço funciona como centro cultural além de restaurante: tem venda de artesanato, artes visuais e, em algumas noites, teatro.
A diferença em relação à Quinta do Mestre é de formato e atmosfera. A Toca é mais contida, com lugar marcado, drinks regionais disponíveis e uma apresentação mais estruturada. Bom para quem quer chegar, sentar e assistir com conforto, especialmente se você não está em Alter numa quinta.
Entrada: R$ 20 por pessoa (verificado em dezembro de 2024, confirme antes de ir).
Espaço Borô (Espaço Alter do Som): shows com artistas renomados
O Espaço Borô, também chamado de Espaço Alter do Som, fica na Rua Lauro Sodré, 74, e é o espaço mais próximo de uma casa de shows clássica em Alter do Chão. As sextas-feiras costumam ter carimbó ao vivo, às vezes com artistas de projeção nacional como Dona Onete, que tem uma ligação histórica com o movimento de Alter.
O espaço é pet-friendly, tem menu regional e funciona também como restaurante. A entrada varia entre R$ 10 e R$ 20, dependendo da programação. Vale checar a agenda com antecedência nas redes sociais do espaço.
Pirarimbó: piracaia e carimbó num formato único
O Pirarimbó é uma experiência imersiva criada em 2020 e conduzida pelo Mestre Hermes Caldeira. O nome une duas palavras: piracaia (peixe assado na praia) e carimbó. É exatamente isso que você encontra: uma noite numa praia exclusiva, com peixe assado na fogueira, carimbó ao vivo, contação de histórias e uma imersão na cultura Borari.
Não é só apresentação. O Mestre Hermes apresenta os instrumentos, conta a história do ritmo, ensina os passos e convida todo mundo para entrar na roda. O ambiente é íntimo (vagas limitadas), e as avaliações no TripAdvisor são consistentemente excelentes.
Reserva obrigatória pelo site pirarimbo.com.br. Não tem como chegar no dia e entrar. Planeje com antecedência, especialmente na alta temporada, entre agosto e dezembro.
Piracaia: o luau ancestral do Tapajós
A piracaia é uma tradição milenar dos pescadores Borari: reunir pessoas na praia ao redor de uma fogueira para assar peixe, cantar e dançar. O nome vem do tupi, pirá (peixe) + caia (assado). Com o tempo, essa celebração virou atração turística, e ficou mais rica por isso, não menos autêntica.
A piracaia em Alter geralmente inclui peixe assado na folha de bananeira sobre carvão enterrado na areia, farofa de piracuí, drinks na cuia com frutas amazônicas e carimbó ao vivo. Uma noite debaixo do céu estrelado, com os pés na areia e o Tapajós a poucos metros.
Os principais operadores são o Pirarimbó (pirarimbo.com.br) e a Pérola Ecotour, que já usamos no passeio do Canal do Jari e que realiza piracaias às quartas e aos sábados. Reserva antecipada obrigatória nos dois casos.
Festa do Sairé: carimbó no maior festival da Amazônia
Se conseguir planejar sua viagem para setembro, tente coincidir com o Festival do Sairé, um dos eventos culturais mais antigos da Amazônia, com mais de 300 anos de história. A festa mistura ritos do povo Borari, procissões fluviais com catraias decoradas, a disputa dos botos Tucuxi e Cor-de-Rosa (numa espécie de boi-bumbá amazônico) e muito carimbó pelas ruas e praças da vila.
Em 2025, o Sairé aconteceu entre os dias 18 e 22 de setembro. A maior parte da programação é gratuita e acontece no espaço público. É o momento em que Alter do Chão fica mais cheia, reserve hospedagem com meses de antecedência se for nessa época.
Praça 7 de Setembro: carimbó dominical ao ar livre

Aos domingos, grupos de carimbó se apresentam na Praça 7 de Setembro, em frente à Igreja Nossa Senhora da Saúde, no centro histórico da vila. É o formato mais espontâneo: sem ingresso, sem estrutura de bar, sem horário fixo. Chega quem quer, senta na praça, observa ou entra na roda. O carimbó como parte do cotidiano, não como evento.
Resumo: todos os espaços de carimbó em Alter do Chão
| Local | Dia | Horário | Custo | Formato |
| Quinta do Mestre e a Sereia | Quintas | 20h30-00h | Gratuito (chapéu passa) | Rua / orla, ao ar livre |
| Toca do Tatu | Quartas | – | R$ 20/pessoa* | Espaço cultural fechado |
| Espaço Borô / Alter do Som | Sextas | – | R$ 10-20 | Casa de shows |
| Pirarimbó | Sob reserva | Noite | – | Praia privada com Mestre |
| Piracaia (Pérola Ecotour) | Quartas e sábados | Noite | – | Praia |
| Festa do Sairé | Setembro anual | Vários dias | Gratuito | Festival da vila |
| Praça 7 de Setembro | Domingos | – | Gratuito | Praça central |
*R$ 20 verificado em dezembro de 2024, confirme antes de ir.
Dicas práticas para viver o carimbó em Alter do Chão

- Leve dinheiro em espécie. O sinal de celular em partes de Alter é fraco e nem todo ponto de venda aceita cartão. Na Quinta do Mestre, o chapéu passa e a comida é paga em dinheiro vivo. Levar pelo menos R$ 50-80 para a noite é prudente.
- Você não precisa saber dançar. A roda é aberta e a participação é encorajada, para todo mundo, de qualquer jeito. A gente entrou sem saber nada e saiu tendo tentado o passo do peru (sem sucesso, mas com muitos risos). Isso faz parte.
- Contribua mesmo quando é gratuito. A Quinta do Mestre funciona sem grande apoio institucional. A venda de comida e o chapéu são o que sustentam a noite. Se você aproveitou, deixe sua parte.
- Para Pirarimbó e Piracaia, reserve com dias de antecedência. Na alta temporada (agosto a dezembro), as vagas enchem rápido. Não é o tipo de passeio que funciona no improviso, o site do Pirarimbó é pirarimbo.com.br.
- Leve repelente. Os eventos ao ar livre à noite, especialmente na orla, pedem proteção. O mosquito da Amazônia não tem hora.
- Chegue perto do horário na Quinta do Mestre. O evento começa às 20h30 e a orla vai enchendo gradualmente. Chegar cedo garante boa posição para ver a roda de perto.
- Para o Sairé, planeje a hospedagem com meses de antecedência. Setembro é alta temporada cultural e as pousadas enchem. Não deixe para última hora, as melhores opções somem primeiro.
- Qualquer quinta serve o ano inteiro. O carimbó da Quinta do Mestre acontece independente da estação, na seca ou na cheia, na baixa ou na alta temporada, o tambor bate.
Outros atrativos em Alter do Chão
O carimbó pode ser o motivo da viagem, mas Alter do Chão tem muito mais para combinar no roteiro:
A Ilha do Amor é o cartão-postal mais famoso: praia em forma de coração entre o Tapajós e o Lago Verde. De lá, a trilha da Serra da Piraoca sobe até o ponto mais alto de Alter para uma vista panorâmica de tirar o fôlego.
A Floresta Encantada é um passeio de canoa pelos igapós alagados no inverno amazônico: um labirinto de árvores submersas, luz entrando entre as folhas e silêncio que só a floresta sabe fazer.
A FLONA Tapajós é uma reserva de 544 mil hectares com trilhas guiadas pela comunidade de Jamaraquá e a Sumaúma gigante, uma árvore de cerca de 50 metros e talvez 400 anos de idade.
O turismo de cura no Rio Arapiuns é uma experiência espiritual e cultural com comunidades ribeirinhas, rituais de cura ancestral e banhos de ervas medicinais nas margens do Arapiuns. No mesmo rio acontece o passeio das tartarugas amazônicas, com soltura de filhotes e praias de areia branca nas comunidades ribeirinhas.
A Praia do Cajueiro e a Praia do CAT são as praias do centrinho, a dois passos do hotel. Simples, acessíveis a pé e perfeitas para um mergulho rápido antes ou depois do carimbó.
E, para quem quer conhecer a cidade que dá acesso a tudo isso, o city tour de Santarém leva ao mercado municipal, ao encontro das águas do Tapajós e do Amazonas, e a um museu que conta 400 anos de história.
Perguntas frequentes sobre carimbó em Alter do Chão

O carimbó em Alter do Chão é gratuito?
Depende do espaço. A Quinta do Mestre (quintas-feiras) e a Praça 7 de Setembro (domingos) são gratuitas, na Quinta do Mestre, um chapéu passa e contribuir é um gesto importante. A Toca do Tatu (quartas) cobra R$ 20 por pessoa (verificado em dezembro de 2024). O Espaço Borô (sextas) varia entre R$ 10 e R$ 20. Pirarimbó e Piracaia são experiências pagas e exigem reserva antecipada. O Sairé, em setembro, é gratuito na maior parte.
Posso participar da roda mesmo sem saber dançar carimbó?
Sim, e você deve tentar. A roda existe exatamente para isso: transmitir a tradição para quem chega. Ninguém vai cobrar técnica; o que importa é entrar no ritmo, tentar acompanhar o movimento, rir quando errar. A gente errou bastante e foi ótimo. O carimbó é uma dança de comunidade, não de palco.
Qual a diferença entre a Quinta do Mestre e a Toca do Tatu?
A Quinta do Mestre acontece ao ar livre, na orla, toda quinta-feira: é gratuita, comunitária e tem uma autenticidade difícil de superar. A Toca do Tatu é um espaço cultural fechado, funciona nas quartas-feiras e cobra R$ 20, tem estrutura de bar, artesanato para comprar e apresentação mais organizada. As duas são boas; a escolha depende do que você prefere: rua e roda aberta ou espaço fechado com mais conforto.
O que é a Festa do Sairé e quando acontece?
O Sairé é o maior festival cultural de Alter do Chão, realizado todo setembro, em 2025 foi de 18 a 22. Com mais de 300 anos de história, mistura ritos do povo Borari, procissões fluviais, a disputa dos botos Tucuxi e Cor-de-Rosa e muito carimbó pelas ruas. É gratuito em sua maior parte. Se sua viagem puder coincidir, é a imersão cultural mais completa que Alter tem a oferecer.
Quem é Mestre Chico Malta e por que ele é importante?
Mestre Chico Malta é músico, compositor, contador de histórias e Mestre Griô de tradição oral. Nascido em Santarém, mora em Alter do Chão há mais de 30 anos. Foi ele quem fundou o Movimento de Roda de Curimbó em 2010, o primeiro grupo de carimbó pau e corda de Santarém, e criou a Quinta do Mestre em março de 2018. É a referência máxima do carimbó tapajônico e o principal responsável por transformar Alter do Chão num polo do carimbó raiz no Pará.
O que é a piracaia e como reservar?
A piracaia é uma tradição dos pescadores Borari: reunir pessoas na praia ao redor de uma fogueira para assar peixe, cantar e dançar. Hoje é uma experiência turística conduzida por operadores locais. Os principais são o Pirarimbó (pirarimbo.com.br), liderado pelo Mestre Hermes Caldeira, e a Pérola Ecotour, que realiza piracaias às quartas e aos sábados. Ambos exigem reserva antecipada, não há entrada no dia.
O carimbó de Alter do Chão é diferente do resto do Pará?
Sim. O carimbó raiz chegou a Alter como pau e corda só por volta de 2005, e o Movimento de Roda de Curimbó criou um sotaque próprio a partir de ritmos locais como o curimbó, o marambiré e as folias do Çairé, heranças do povo Borari. Esse carimbó tapajônico tem uma identidade distinta do carimbó estilizado mais popular nas rádios, e é esse sotaque raiz que você vai encontrar nas rodas de Alter.
Alter do Chão encanta de dia, pelas praias, pelos passeios, pela floresta. Mas a noite tem uma camada que a maioria dos turistas passa batido. Uma quinta-feira na orla, com o tambor batendo, a saia rodando e a roda se abrindo para quem chega, isso não está nos guias de praia. É o carimbó em Alter do Chão. E ele espera por você.
Conta pra gente nos comentários se você já foi a uma roda de carimbó em Alter do Chão, ou se ficou alguma dúvida sobre como chegar, o que esperar ou qual espaço escolher!