Ilha do Amor em Alter do Chão: guia completo, preços e dicas reais

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Ilha do Amor em Alter do Chão guia completo, preços e dicas reais - Vamos Trilhar

A Ilha do Amor em Alter do Chão é o cartão-postal mais famoso do Caribe Amazônico, um banco de areia branca e fina que emerge do Rio Tapajós durante a seca e some na cheia, como se o rio respirasse. Ela fica literalmente de frente para a orla de Alter do Chão, a menos de cinco minutos de travessia de barco, e concentra o que há de mais especial na vila: águas mornas e cristalinas, quiosques com mesas dentro do rio, pirarucu na brasa e, ao fundo, a Serra da Piraoca com sua vista de 360°. Foi eleita pelo jornal britânico The Guardian como uma das praias mais bonitas do Brasil, e depois de passar dias por lá em julho de 2024, a gente entende por quê.

Neste guia, contamos tudo sobre a Ilha do Amor: o que é, onde fica, quando ir, o que fazer, o que comer e como foi nossa visita em família, com um bebê de quase 2 anos, malas extraviadas e toda a imprevisibilidade que uma viagem real tem.

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Sobre Alter do Chão

Sobre Alter do Chão - Praça e letreiro - Vamos Trilhar

Alter do Chão é um distrito de Santarém, no oeste do Pará, localizado na margem direita do Rio Tapajós, a cerca de 34 km do centro de Santarém. Não é uma cidade grande: é uma vila ribeirinha com pouco mais de 5 mil habitantes, ruas de chão batido, restaurantes na beira da praça, barquinhos atracados na orla e aquela atmosfera de lugar que o tempo respeita.

Mas não se deixe enganar pela simplicidade. Em 2009, o jornal britânico The Guardian listou Alter do Chão entre as praias mais bonitas do Brasil, desbancando Fernando de Noronha. O apelido “Caribe Amazônico” não é exagero de marketing: quando as águas do Tapajós baixam na seca e os bancos de areia branca emergem, o visual é de outro nível. E o principal cartão-postal dessa paisagem toda é a Ilha do Amor.

A vila tem o essencial para uma boa viagem: pousadas confortáveis, restaurantes com culinária amazônica de qualidade, quiosques de artesanato e barqueiros experientes prontos para levar você aos passeios. Não espere luxo nem shoppings, espere autenticidade.

O ritmo das águas: seca e cheia no Rio Tapajós

Melhor época para conhecer a Ilha do Amor - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

A coisa mais importante que você precisa entender sobre Alter do Chão, e sobre a Ilha do Amor, é que a paisagem muda completamente dependendo da época do ano.

Período Estação O que acontece com a Ilha do Amor Para quem é
Agosto a dezembro Seca (verão amazônico) Areia larga, água cristalina, praia plena Quem quer praia, banho e sol
Setembro Pico da seca + Festival do Sairé Ilha no auge e mais movimento Quem quer praia e cultura local
Janeiro a julho Cheia (inverno amazônico) Ilha parcialmente ou totalmente submersa Quem prefere floresta e ecoturismo

Na seca, a praia existe em sua forma completa. Na cheia, a Ilha do Amor pode desaparecer quase inteira sob as águas do Tapajós, e o visual que você vê nas fotos simplesmente não está lá. Se o seu objetivo é praia, planejar para o período seco é fundamental.

A gente foi em julho, que é justamente o mês de transição entre a cheia e a seca: as chuvas já tinham diminuído bastante e o rio estava baixando, então encontramos uma faixa de areia generosa e água já bem clara, mesmo sem ser o auge de setembro ou outubro. Vale o alerta: em anos de cheia mais prolongada, julho pode entregar uma praia bem mais estreita do que a nossa. Se puder escolher a data, o período entre agosto e dezembro garante o cenário completo com menos surpresa.

O que é a Ilha do Amor (e por que ela some)

O que é a Ilha do Amor - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

Tecnicamente, a Ilha do Amor não é uma ilha de verdade. É um banco de areia sazonal, uma faixa de areia branca que emerge do fundo do Rio Tapajós quando o nível das águas baixa na seca. Quando o rio volta a subir na cheia, a areia vai embora junto.

Ela fica posicionada entre dois corpos d’água distintos: de um lado, o Rio Tapajós propriamente dito; do outro, o Lago Verde, uma lagoa de águas mais calmas e translúcidas formada pelo próprio rio represado pelo banco de areia.

Banco de areia ou ilha de verdade?

A diferença importa para o planejamento. Ao contrário de uma ilha permanente, a Ilha do Amor existe em regime de empréstimo: o rio dá e o rio tira. No auge da seca, geralmente entre setembro e novembro, ela aparece em toda a sua extensão e até dá para chegar a pé, caminhando pela areia a partir da orla de Alter do Chão. Nos anos de cheia mais intensa, só aparecem as pontinhas dos quiosques de palha acima da água.

Isso também explica por que a visita na época errada é frustrante: não há “praia menor”, há ausência de praia.

O lado do Lago Verde e o lado do Tapajós

O lado do Lago Verde e o lado do Tapajós - Ilha do Amor - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

A dualidade da ilha é uma das coisas que mais surpreende quem chega sem saber, e que nenhum guia explica direito.

O lado do Lago Verde é o lado dos quiosques, da música, da animação. As barracas de palha ficam aqui, com mesas dentro d’água, cadeiras de praia e aquela energia de ilha caribenha. As águas do Lago Verde são mais calmas, rasas perto da beira e de temperatura morna. É onde a maioria das pessoas passa o dia.

O lado do Rio Tapajós é o avesso. Praticamente deserto, silencioso, com um horizonte aberto sobre o rio. As águas são mais frescas e a paisagem tem outro respiro. E é desse lado que o pôr do sol acontece, com o sol se pondo na direção do rio e o reflexo se espalhando em laranja e dourado sobre a superfície do Tapajós.

Se você quer energia e comida boa, fique no lado do Lago Verde. Se quer paz ou pôr do sol, atravesse para o lado do Tapajós no fim da tarde.

Como chegar na Ilha do Amor, em Alter do Chão

Como chegar na Ilha do Amor - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

A Ilha do Amor fica a menos de 5 minutos de travessia de barco a partir da orla de Alter do Chão, e a travessia de catraia custa R$ 5 por pessoa. Não há aeroporto na vila: o ponto de chegada é Santarém, a 34 km de distância por estrada asfaltada, com cerca de 40 minutos de trajeto de carro.

De Santarém a Alter do Chão

O ponto de chegada é o Aeroporto Internacional de Santarém, Maestro Wilson Fonseca (STM), que recebe voos de Belém, Brasília, Manaus e São Paulo (geralmente com conexão).

Do aeroporto até Alter do Chão são cerca de 34 km por estrada asfaltada, com trajeto de aproximadamente 40 minutos. Suas opções:

  • Transfer privado: a forma mais cômoda, especialmente com criança ou bagagem. A gente pagou R$ 110 e valeu cada centavo, chegar sem estresse depois de um dia longo de viagem não tem preço. Reservável antecipadamente pelas pousadas.
  • Táxi ou aplicativo (Maxim, Urbano Norte): disponíveis no aeroporto, valores semelhantes ao transfer.
  • Ônibus intermunicipal: a opção mais barata (R$ 10 a 15), mas exige ir primeiro ao centro de Santarém para pegar outra linha. Funciona para quem tem tempo e paciência.

Uma dica de ouro: saque dinheiro antes de sair de Santarém. Muitos passeios e quiosques em Alter do Chão só aceitam dinheiro vivo, e os caixas eletrônicos na vila são limitados, a gente aprendeu isso da pior forma no primeiro dia.

De Alter do Chão até a ilha: catraia, lancha ou a pé?

Uma vez na vila, a Ilha do Amor está ali, de frente para a orla, dá para vê-la da praça central. Para chegar, você pega uma catraia (canoa de madeira movida a remo) diretamente na orla principal. A travessia dura menos de 5 minutos e custa R$ 5 por pessoa. Se preferir mais velocidade, as lanchas fazem o mesmo trajeto por R$ 10.

No auge da seca, quando o rio está no ponto mais baixo, geralmente em setembro e outubro, é possível caminhar até a ilha pela faixa de areia exposta que conecta a orla à ilha. A gente não chegou a fazer isso (fomos em época em que ainda precisava de barco), mas quem faz diz que é uma experiência à parte: ir caminhando pelo fundo do rio que vira areia.

Os catraieiros ficam na orla o dia todo, das primeiras horas da manhã até o entardecer. Não tem horário fixo marcado, você simplesmente chama.

Quando ir à Ilha do Amor

A melhor época para visitar a Ilha do Amor é entre agosto e dezembro, quando o verão amazônico está em plena seca e a ilha existe em sua forma completa, com destaque para setembro, quando praias no auge e o Festival do Sairé acontecem juntos.

A melhor época: agosto a dezembro

Quando ir para a Ilha do Amor - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

Dentro desse período, setembro merece menção especial: além das praias estarem no auge, é quando acontece o Festival do Sairé, a maior manifestação folclórica do oeste do Pará, uma mistura de rituais católicos e indígenas que existe desde o século XVII. A vila lota, o movimento é intenso, mas o clima é único.

Outubro e novembro são ótimas opções para quem quer a beleza da seca com menos gente. Em dezembro, as festas de fim de ano começam a movimentar a vila, se você curte agito, é a época perfeita.

E na cheia, vale a pena visitar Alter do Chão?

Construções na Ilha do Amor - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

Vale, mas com expectativas ajustadas. A Ilha do Amor some, mas Alter do Chão não. A Floresta Encantada, por exemplo, só é navegável de canoa entre as copas das árvores quando o rio está cheio, é um passeio completamente diferente e igualmente mágico. Os passeios de flora, fauna e comunidades ribeirinhas continuam. A vila continua acolhedora.

Se você for na cheia, não vá esperando praia, vá esperando floresta e rio.

O que fazer na Ilha do Amor, em Alter do Chão

Na Ilha do Amor dá para nadar em águas mornas, alugar caiaque e stand-up paddle, comer pirarucu com os pés na água, subir a Serra da Piraoca para uma vista de 360° e assistir a um dos pôres do sol mais bonitos da Amazônia, tudo isso sem sair da mesma faixa de areia.

Banho, caiaque, stand-up paddle e banana boat

Passeio de banana boat na Ilha do Amor - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

A atividade principal é a mais simples: entrar na água. A temperatura morna do Tapajós, bem diferente do frio dos rios serranos do Sudeste, surpreende quem vai pela primeira vez. Não é calor de piscina, é uma mornidão agradável que convida a ficar horas dentro.

A parte mais rasa, perto da beira do lado do Lago Verde, tem fundo de areia fina e é perfeita para crianças. Para quem quer se movimentar mais, tem aluguel de caiaque para remar pelo Lago Verde e stand-up paddle para quem já tem prática, e se você curte aventuras aquáticas, vai se sentir em casa. E se a família quiser uma dose de adrenalina e risadas, o banana boat é clássico e sempre arranca gargalhadas.

Uma coisa importante antes de entrar na água: arraste os pés na areia. Na época de seca, aumenta a incidência de raias no fundo raso dos rios amazônicos. A picada é muito dolorosa. Arrastar o pé ao entrar espanta a raia antes de você pisar nela, os moradores locais fazem isso naturalmente, vale copiar.

Comer com os pés na água na Ilha do Amor

Almoço na Ilha do Amor - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

Os quiosques da Ilha do Amor têm um diferencial que poucos lugares no Brasil oferecem: mesas dentro do rio. Você senta, pede o prato, e fica ali com os pés na água enquanto almoça. É uma daquelas experiências que parecem simples e ficam na memória para sempre.

O prato obrigatório é o filé de pirarucu, o maior peixe de água doce do Brasil, com textura firme e sabor suave. Serve bem para dois ou três, dependendo da fome. Na nossa visita, o filé saiu por R$ 100 e chegou acompanhado de arroz, farinha e salada. Para petiscar enquanto espera: iscas de pirarucu e manjubinha frita são as pedidas. Chegue cedo para garantir mesa nos quiosques mais disputados, nos fins de semana de alta temporada, lotam rápido.

Uma refeição completa para um casal fica em torno de R$ 100 a R$ 150, dependendo de quanto você pedir. Vale ter dinheiro em espécie, nem todos os quiosques têm maquininha.

A trilha da Serra da Piraoca: a vista de cima da Ilha do Amor

Trilha da Serra da Piraoca saindo da Ilha do Amor - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

A Serra da Piraoca é o morro que aparece ao fundo em toda foto da Ilha do Amor, aquela silhueta verde que emoldura a paisagem. E tem uma trilha que sobe até lá.

O acesso começa dentro da ilha: você caminha pelo lado esquerdo, passa os quiosques, segue pela praia até onde a areia termina, e encontra a entrada da trilha sinalizada. São cerca de 2 km no total, com a maior parte do percurso plana, de areia e terra. O trecho final é a parte que não perdoa: uma subida íngreme de 110 metros, com pedras soltas e raízes expostas.

No topo: uma vista panorâmica de 360° do Rio Tapajós, do Lago Verde, da Ilha do Amor lá embaixo, da vila de Alter do Chão e da floresta amazônica se estendendo até o horizonte. A subida leva em torno de 45 minutos e compensa cada gota de suor.

Dica urgente: não vá de chinelo. A gente fez isso, nossas malas estavam extraviadas e não tínhamos tênis. A subida com pedras soltas de chinelo foi sofrida para falar o mínimo (e a gente ainda estava com o Nicolas no colo em boa parte do caminho). O pôr do sol do topo compensou, mas o calçado adequado teria transformado a experiência.

Fotografia e drone na Ilha do Amor

Fotografia de drone da Ilha do Amor - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

A Ilha do Amor é um dos melhores pontos de Alter do Chão para fotografia aérea. O contraste entre a areia branca, o azul-esverdeado do Tapajós, a vegetação densa da Serra ao fundo e o centrinho colorido ao longe cria composições que parecem editadas, mas são reais.

De cima, você também consegue ver a forma completa do banco de areia, a separação entre o Lago Verde e o Tapajós, e a trilha da Serra saindo da extremidade da ilha. Voamos o drone na nossa visita e essas foram as imagens que mais guardamos da viagem.

Verifique a regulamentação da ANAC antes de voar, a área não é restrita, mas vale confirmar.

O pôr do sol na Ilha do Amor: qual lado escolher

Pôr do sol na Ilha do Amor - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

O pôr do sol da Ilha do Amor é um dos mais bonitos de toda a região, e acontece no lado do Tapajós, não no lado dos quiosques. Posicione-se ali no fim da tarde, com pelo menos 30 minutos de antecedência para escolher um bom ponto.

O sol desce na direção do rio, o céu vai virando gradualmente laranja, dourado e rosado, e o reflexo se espalha sobre a superfície do Tapajós como se o rio tivesse pegado fogo. Tem pôr do sol que a gente vê e esquece. Esse fica.

Como foi nossa experiência na Ilha do Amor

Como foi nossa experiência na Ilha do Amor - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

Chegamos em Alter do Chão no primeiro dia de uma forma que a maioria das viagens não começa: saímos do Rio às 3 da manhã, fizemos escala em Recife e Belém, e ao aterrissar em Santarém descobrimos que a Azul havia extraviado nossas malas. As roupas do corpo eram tudo que tínhamos, sem roupa de banho, sem tênis, sem protetor solar, sem as fraldas do Nicolas.

Assinamos o termo de extravio, respiramos fundo, e seguimos. Porque o Tapajós estava ali esperando.

Chegamos na Pousada Sombra do Cajueiro, deixamos o pouco que tínhamos, fomos ao centrinho comprar o básico (chinelo, protetor, roupa de banho, fraldas) e descemos direto para a Praia do Cajueiro, a mais próxima da pousada. O primeiro contato com o rio foi quase terapêutico: a água morna, o Nicolas se jogando sem medo, o calor úmido do Pará que sumia dentro d’água. Já valia ter vindo.

No segundo dia, acordamos com o café reforçado da pousada (tapioca, bolo, frutas, ovos mexidos) e saímos para o primeiro passeio completo: Floresta Encantada de manhã, Ilha do Amor de tarde e Serra da Piraoca ao entardecer.

Brincando na areia da Ilha do Amor - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

A chegada à ilha foi no começo da tarde, depois do passeio de canoa pelos igapós. O barco nos deixou diretamente na areia, e a primeira impressão foi exatamente a dualidade que a gente não esperava: de um lado, música, barracas, mesas na água, a energia de quem está de férias e sabe disso. Do outro, a ponta mais tranquila da ilha, quase deserta, com um silêncio que não é vazio, é cheio de vento, rio e floresta.

A gente escolheu um restaurante no meio-termo: boa localização, mesa com os pés na água, vista para o movimento sem estar no epicentro do barulho. Pedimos um filé de pirarucu para compartilhar (R$ 100), iscas de pirarucu e manjubinha frita de entrada. A comida demorou um pouco, ritmo amazônico, que é mais sábio que o nosso, mas valeu. O pirarucu estava suculento, bem temperado, daquele jeito que um peixe serve quando foi pescado cedo e preparado com cuidado. O Nicolas, que à época estava com quase 2 anos, brincou na areia com uma facilidade de quem nasceu para isso, e até fez amizade com outro Nicolas, um outro garotinho que estava na ilha com a família, coincidência que rendeu mais risadas do que qualquer conversa de adulto naquele dia.

Depois do almoço, enquanto o sol ainda estava alto demais para subir a serra, ficamos sentados na mesa com os pés na água, deixando o tempo passar do jeito que Alter do Chão convida. É um lugar que ensina a desacelerar sem precisar falar nada, você simplesmente vai desacelerando.

Por volta das 16h, decidimos caminhar até a entrada da trilha. Fizemos o caminho pelo lado esquerdo da ilha, passando os quiosques, seguindo até a extremidade onde a areia dava lugar à mata. A placa estava lá, sinalizada.

E a gente subiu de chinelo.

Os primeiros dois terços da trilha são tranquilos: areia, terra, mata, som de pássaro. O trecho final é outra história. A subida íngreme com pedras soltas de chinelo, levando o Nicolas no colo em alguns momentos, enquanto o sol ainda batia forte, não foi elegante. Mas chegamos ao topo depois de uns 45 minutos, e o que estava lá em cima apagou qualquer reclamação.

A Ilha do Amor vista de cima é completamente diferente da Ilha do Amor vista de dentro. De lá, você entende a geometria do lugar: o banco de areia se estendendo entre o Lago Verde e o Tapajós, a vila de Alter do Chão ao fundo, a floresta amazônica se abrindo em todas as direções. E o céu, naquele momento, começando a tingir-se de laranja.

Ficamos em silêncio por uns minutos. Que é o que o Tapajós faz com a gente.

Descemos com cuidado (de chinelo, é ainda mais delicado na descida), chegamos de volta à praia, e encontramos um barqueiro que nos levou de volta ao centrinho por R$ 20, o mesmo que tinha nos levado ao passeio da manhã, coincidência improvável que rendeu uma boa conversa no trajeto de volta.

Dicas práticas para visitar a Ilha do Amor

O que levar na mochila para a Ilha do Amor

O que levar para a Ilha do Amor - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

  • Protetor solar biodegradável: obrigatório para entrar na água. O protetor convencional polui o rio. Use o convencional fora d’água e troque para o biodegradável na hora do banho.
  • Repelente: a umidade amazônica atrai insetos, especialmente no fim do dia.
  • Dinheiro em espécie: catraieiros, quiosques e muitos passeios só aceitam dinheiro. Saque em Santarém antes de ir.
  • Roupa de banho extra: você vai molhar todo dia, sem exceção.
  • Calçado fechado: se for à trilha da Serra da Piraoca, não vá de chinelo. Sério.
  • Mochila impermeável ou saco seco: para proteger eletrônicos nos passeios de barco.
  • Toalha compacta de secagem rápida: ocupa menos espaço e seca mais rápido.
  • Garrafa reutilizável: o calor amazônico pede hidratação constante.

Dias de semana ou fim de semana na Ilha do Amor

Dia da semana ou final de semana na Ilha do Amor - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

A diferença é real e significativa. Nos fins de semana de alta temporada (setembro a novembro), a Ilha do Amor fica cheia: música alta, muita gente, fila nos quiosques. É uma experiência válida e animada, mas diferente.

Nos dias de semana, especialmente de segunda a quarta, a ilha tem outro ritmo: mais tranquila, mesas disponíveis, espaço para caminhar pela areia sem esbarrar em ninguém. Se você tem flexibilidade para escolher o dia, prefira um dia de semana, a experiência é completamente diferente.

A Ilha do Amor é boa para famílias com crianças pequenas?

A Ilha do Amor é boa para famílias ou crianças pequenas - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

Sim. A água morna, rasa perto da beira e sem correnteza forte é ideal para quem ainda está aprendendo a nadar, ou para quem, como o Nicolas, estava com menos de 2 anos e simplesmente queria splashar tudo. Algumas dicas práticas:

  • Leve boia ou colete salva-vidas: para quem ainda não nada, é segurança e liberdade ao mesmo tempo.
  • Aplique protetor solar biodegradável frequentemente: o sol amazônico não brinca.
  • Leve lanche e água: o calor consome energia de criança rápido, e nem sempre dá para depender só dos quiosques.
  • Vá cedo ou no fim da tarde: evitar o pico de calor entre 11h e 15h, que é intenso.
  • Cuidado com as raias: arraste os pés ao entrar na água com a criança.

Segurança na Ilha do Amor: raias e protetor solar

Segurança na Ilha do Amor - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

Os dois alertas mais importantes da Ilha do Amor: raias e protetor solar convencional.

Raias ficam no fundo arenoso raso, especialmente na seca. A picada é dolorosa e pode causar inchaço sério. Prevenção: arraste os pés na areia ao entrar na água em vez de dar passos normais. Isso espanta a raia antes de você pisar nela, é o que os moradores fazem naturalmente.

Protetor solar convencional não deve entrar na água com você. Além de ser descortesia com o Tapajós, que é um dos rios mais limpos da Amazônia, vai contaminar a água em que o seu próprio filho está nadando. Use o biodegradável dentro d’água, e use bastante.

Onde nos hospedamos em Alter do Chão

Onde nos hospedamos - Pousada Sombra do Cajueiro - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

Ficamos na Pousada Sombra do Cajueiro, a menos de 2 minutos a pé da Praia do Cajueiro. A hospedagem é familiar, com chalés de madeira, varanda com rede, e um café da manhã que inclui açaí fresco, tapioca e frutas regionais. O que mais usamos foi a cozinha, com o Nicolas, ter autonomia para fazer mingau à noite e não depender de restaurante em todo momento foi fundamental.

O staff é atencioso e nos ajudou com dicas de passeios, transfer e até informações sobre como sacar dinheiro (sim, esse assunto voltou várias vezes). Preços em torno de R$ 250 a R$ 350 por noite para casal com café, dependendo da temporada. Na alta, reserve com antecedência, lota.

Outras opções por perfil: para quem quer mais estrutura, Villa Eden ou Beloalter Hotel têm vistas para o Tapajós; para quem quer economizar sem abrir mão de boa localização, a Pousada do Mingote é uma boa pedida; e para quem viaja com criança e quer autonomia na cozinha, vale buscar acomodações de temporada no Airbnb.

Dica de ouro: hospede-se em Alter do Chão, não em Santarém. Fazer o trajeto de 40 minutos de ida e volta todo dia cansa e desperdiça tempo de viagem. Estar a pé dos passeios, do centrinho e das praias vale muito mais.

Outros passeios de Alter do Chão

Floresta Encantada

A Floresta Encantada é um passeio de canoa pelos igapós do Igarapé Cuicuera, com árvores submersas, silêncio de floresta e luz filtrada pela copa. É a experiência que combinamos com a Ilha do Amor no nosso segundo dia, saindo pela manhã antes de seguir para a praia à tarde. Fica melhor na cheia, quando o canal está cheio e o passeio vira um labirinto verde, mas na seca o canal encolhe parcialmente e ainda vale a visita.

Canal do Jari

O Canal do Jari é um passeio de dia inteiro por um canal fluvial que liga o Tapajós ao Rio Amazonas, com paradas para ver preguiças, jacarés, iguanas e botos, além do jardim de vitórias-régias de Dona Dulce. Fizemos esse passeio no nosso terceiro dia em Alter do Chão, e o relato completo, com os valores e o roteiro do dia, está no nosso terceiro dia em Alter do Chão.

Roteiro de praias e carimbó

Um dia inteiro navegando entre praias fluviais como Catajuba, Maguari e São Domingos, com direito a uma rodada de carimbó na vila à noite. Contamos como foi esse dia especificamente no nosso quarto dia em Alter do Chão, incluindo o que esperar de cada praia.

FLONA do Tapajós

A Floresta Nacional do Tapajós é uma trilha de mata primária que passa pela Sumaúma centenária e termina num banho de igarapé de águas cristalinas. É um dia mais puxado fisicamente, mas foi um dos que mais ficaram na nossa memória, como contamos no relato do quinto dia em Alter do Chão.

Rio Arapiuns: tartarugas amazônicas e turismo de cura

O Rio Arapiuns é o outro lado de Alter do Chão, com praias mais selvagens e comunidades ribeirinhas. Fomos duas vezes até lá: uma para o passeio das tartarugas amazônicas, e outra para viver o turismo de cura, com trilha, banho de ervas e artesanato local. Foram dois dos dias mais marcantes da viagem inteira.

Outros atrativos próximos

Ponta do Cururu

A Ponta do Cururu é o pôr do sol mais famoso de Alter do Chão, num banco de areia no meio do rio a cerca de 25 minutos de lancha. É uma das paradas clássicas dos passeios de barco, e a gente fez mais de uma vez, porque esses pôres do sol não cansam.

Praia do Cajueiro e Praia do CAT

A Praia do Cajueiro fica a menos de 10 minutos a pé do centrinho e foi nosso primeiro contato com o Tapajós, ainda no dia da chegada, como contamos no relato do primeiro dia em Alter do Chão. Junto com a Praia do CAT, formam as duas praias mais acessíveis da vila, ambas a pé, sem precisar de barco.

City Tour de Santarém

A 40 minutos de transfer de Alter do Chão, Santarém rende pelo menos meio dia de passeio, com o Mercadão 2000, o encontro das águas do Tapajós com o Amazonas e boas opções de almoço. Fizemos esse city tour no nosso último dia por lá, e o relato completo está no oitavo dia em Alter do Chão.

Nosso segundo dia completo em Alter do Chão

Se você quiser ver como encaixamos a Floresta Encantada, a Ilha do Amor e a trilha da Serra da Piraoca num único dia, sem correria, vale acompanhar o relato hora a hora do nosso segundo dia em Alter do Chão.

Perguntas frequentes sobre a Ilha do Amor

Perguntas Frequentes da Ilha do Amor - Alter do Chão - PA - Vamos Trilhar

Quanto custa a travessia para a Ilha do Amor?

A travessia de catraia (canoa de madeira) custa R$ 5 por pessoa. De lancha, R$ 10. No auge da seca, quando o nível do rio está no ponto mais baixo, é possível chegar a pé caminhando pela faixa de areia exposta, sem custo nenhum. A travessia de barco dura menos de 5 minutos.

Quando a Ilha do Amor some?

Durante a cheia do Rio Tapajós, entre janeiro e julho, o nível do rio sobe e a areia da praia diminui ou desaparece completamente. O pico da cheia costuma ser entre março e maio. Na seca, de agosto a dezembro, a ilha está em plena forma, com areia larga, água cristalina e quiosques abertos.

Qual a diferença entre o lado do Lago Verde e o lado do Tapajós na Ilha do Amor?

São dois ambientes completamente distintos na mesma ilha. O lado do Lago Verde é onde ficam os quiosques, as mesas dentro d’água, a música e o movimento, é o lado animado, de socialização e gastronomia. O lado do Rio Tapajós é o avesso: quase deserto, silencioso, com horizonte aberto e águas mais frescas. É desse lado que o pôr do sol acontece. Cada um tem seu valor, idealmente, você passa o dia no lado do Lago Verde e migra para o lado do Tapajós no final da tarde.

A Ilha do Amor é boa para crianças pequenas?

Sim. A água é morna, rasa perto da beira e sem correnteza forte, perfeita para crianças pequenas. Levamos o Nicolas com quase 2 anos e ele brincou com total liberdade na parte rasa. Recomendamos boia ou colete salva-vidas para quem ainda não nada, protetor solar biodegradável e lanche na mochila para quando a fome bater no pico do calor.

Vale a pena fazer a trilha da Serra da Piraoca saindo da Ilha do Amor?

Vale muito, mas com atenção ao calçado. A trilha tem cerca de 2 km, com a maior parte plana e um trecho final de subida íngreme de 110 metros com pedras soltas. A subida leva em torno de 45 minutos e a vista panorâmica de 360° do topo, com a Ilha do Amor, o Lago Verde, o Tapajós e toda a vila de Alter do Chão, compensa qualquer esforço. Não vá de chinelo (a gente aprendeu isso da forma difícil).

A água da Ilha do Amor é própria para banho?

Sim. A Prefeitura de Santarém monitora regularmente a qualidade das praias de Alter do Chão. A Ilha do Amor é classificada como própria para banho nos relatórios de balneabilidade. A água do Tapajós é naturalmente ácida, o que inibe a proliferação de organismos causadores de doenças, é uma das razões pelas quais as praias fluviais da região têm aparência tão limpa.

Tem entrada paga na Ilha do Amor?

Não. O acesso à praia é gratuito. Nos quiosques, você paga apenas a consumação, o que pedir e beber. Alguns guarda-sóis e cadeiras de praia podem ser alugados por R$ 10 a 20, mas nada é obrigatório.

A Ilha do Amor foi o primeiro contato que a gente teve com o Rio Tapajós de verdade: chegamos exaustos, sem bagagem, com um bebê e toda a imprevisibilidade de uma viagem real. E o rio resolveu tudo em questão de minutos. É isso que o lugar faz: ele te desacelera antes que você perceba, e quando você percebe, já não quer sair.

Conta pra gente nos comentários: você já foi à Ilha do Amor? O que achou? E se ficou alguma dúvida sobre a viagem, é só perguntar, a gente responde.

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