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Areia branca, água doce em tons de azul-turquesa, floresta fechada nas margens e o silêncio que só a Amazônia sabe dar. As praias de Alter do Chão, no Pará, são esse tipo de coisa que você vê nas fotos e pensa que alguém editou demais. Não editou. É assim mesmo.
A gente foi em julho de 2024 e passou 9 dias visitando 22 praias, entre o Rio Tapajós, o Rio Arapiuns e o Lago Verde. Contamos dia a dia como foi essa viagem, começando pelo nosso primeiro dia em Alter do Chão, com a chegada e o banho na Praia do Cajueiro. Algumas praias estavam nos roteiros clássicos. Outras, a gente chegou por indicação do guia, por curiosidade, por sorte. Cada uma tinha uma personalidade própria: aquela que é perfeita para o pôr do sol, aquela que parece que pertence só a você, aquela onde os botos aparecem sem avisar.
Julho é mês de transição em Alter do Chão: o rio já está baixando, mas ainda não é o auge da seca, então algumas praias que descrevemos aqui ainda estavam emergindo parcialmente quando passamos por elas. Este guia cobre todas as 22, com acesso, dicas reais e o que esperar de cada uma, organizadas por onde ficam, para facilitar o planejamento do seu roteiro.
Sobre Alter do Chão, o Caribe Amazônico

Alter do Chão é um distrito do município de Santarém, no oeste do Pará, às margens direitas do Rio Tapajós. A vila tem população pequena, ruas de paralelepípedos, lojinhas de artesanato, uma praça central onde o tempo para, e um horizonte que vale a viagem inteira.
O apelido “Caribe Amazônico” não é marketing. As águas do Tapajós têm baixo teor de sedimentos, o que resulta numa transparência e numa cor azul-esverdeada que realmente lembra o Caribe. Diferente de outros rios amazônicos de cor escura, o Tapajós é claro, quente e convidativo. Entrar nessa água após um dia de calor amazônico é um dos melhores momentos que uma viagem pode oferecer.
A história do lugar remonta a 1626, quando o explorador português Pedro Teixeira chegou à região, então habitada pelos índios Borari. As missões jesuítas que se seguiram misturaram o catolicismo com os rituais indígenas, e dessa mistura nasceu a Festa do Sairé, celebrada em setembro há mais de 300 anos e que é o maior evento cultural da região.
Hoje, a economia local gira em torno do turismo, da pesca e do artesanato. O destino recebe visitantes do Brasil inteiro e também do exterior: o jornal britânico The Guardian já elegeu Alter do Chão como uma das praias mais bonitas do Brasil, num ranking publicado em 2009. O reconhecimento é verdadeiro, mas entenda: não é uma praia. São dezenas delas, espalhadas por um território imenso, com personalidades completamente diferentes.
Como chegar em Alter do Chão

Não há aeroporto em Alter do Chão. O ponto de chegada é o Aeroporto Internacional Maestro Wilson Fonseca (STM), em Santarém, que recebe voos diretos de Belém (cerca de 1h10), Manaus, Brasília e São Paulo, normalmente com conexão. Azul, GOL e LATAM operam a rota.
De Santarém até Alter do Chão são aproximadamente 38 km pela rodovia PA-457, asfaltada e em boas condições. O trajeto leva entre 40 e 50 minutos, dependendo do tráfego.
Suas opções do aeroporto até a vila:
- Transfer privado: a mais cômoda, especialmente com bagagem ou criança. A gente usou e pagou em torno de R$ 110 (reservável antecipadamente pela pousada)
- Táxi ou aplicativo (Maxim, Urbano Norte): disponíveis no aeroporto, valores similares ao transfer
- Ônibus: a opção mais barata (R$ 4 a 5), mas exige ir primeiro ao centro de Santarém para pegar outra linha. Funciona, mas cansa com mala grande
Dica de ouro: saque dinheiro em Santarém antes de seguir para Alter. Muitos quiosques, barqueiros e comunidades só aceitam espécie, e os caixas eletrônicos na vila são limitados. A gente aprendeu isso da pior forma no primeiro dia, quando as malas foram extraviadas pela companhia aérea e ainda tentamos resolver o câmbio no aeroporto.
Quando ir para as praias de Alter do Chão

Alter do Chão tem duas caras completamente diferentes ao longo do ano, e escolher a época certa é fundamental se o seu objetivo são as praias. Confira nosso guia completo sobre a melhor época para visitar Alter do Chão para todos os detalhes mês a mês.
Verão amazônico (agosto a dezembro): o nível do Rio Tapajós baixa, as faixas de areia aparecem, a Ilha do Amor surge do nada, as águas ficam mais cristalinas e os barcos saem cheios toda manhã. Temperaturas entre 28 e 35°C com sol predominante. É quando as fotos que circulam na internet foram tiradas. Se você quer praia, este é o período certo.
Auge da seca: setembro, outubro e novembro. Setembro tem o bônus extra do Festival do Sairé, a maior manifestação cultural do oeste do Pará, uma mistura de ritual indígena, catolicismo e muito carimbó que acontece na segunda semana do mês. A vila enche, vibra e fica completamente diferente.
Inverno amazônico (janeiro a julho): o rio sobe, e a maioria das praias some sob as águas. O que parece ruim tem outro lado: a Floresta Encantada fica mágica, navegável de canoa entre árvores submersas, o Canal do Jari transborda de vida, e o movimento turístico cai bastante, com preços mais acessíveis e uma Alter do Chão mais local, mais tranquila, mais autêntica. Julho é o mês de transição: as primeiras praias começam a reaparecer, mas ainda com menos areia exposta do que na seca plena, exatamente como encontramos na nossa viagem.
De fevereiro a junho, evite se praias são seu foco principal.
| Período | Praias | O que ganha em troca |
| Ago-dez | Plenas | Tudo, é a época ideal |
| Set-nov | Auge | + Festival do Sairé (setembro) |
| Jan-fev | Reduzidas | Floresta Encantada no auge |
| Mar-jun | Submersas | Canal do Jari, igapós, menos turistas |
| Jul | Emergindo | Transição, praias começam a aparecer |
Como funcionam as praias, e como se locomover entre elas

A primeira coisa que você precisa entender sobre as praias de Alter do Chão é que elas existem em regime de empréstimo. O rio dá e o rio tira. Quando o Tapajós baixa, surgem faixas de areia que parecem ter sido colocadas ali a dedo. Quando o rio sobe, elas desaparecem completamente. Não há “praia menor na cheia”, há ausência de praia.
Isso também explica por que os locais falam tanto da seca e da cheia: não é conversa de barqueiro. É a diferença entre ver e não ver o lugar que você foi buscar.
Os passeios de barco: como funciona na prática
A maioria das praias de Alter do Chão não é acessível por terra. Para chegar até elas, você pega um passeio de barco organizado a partir da orla da vila, como o Roteiro de Praias pelo Rio Tapajós que fizemos no quarto dia da nossa viagem.
O hub logístico é a ATUFA (Associação de Turismo Fluvial de Alter do Chão), com base no cais da orla, perto da Praia do CAT. É lá que você encontra os barqueiros, negocia roteiros e combina horários. O telefone mais recente que temos: (93) 99182-7250, mas confirme na chegada, pois os contatos eventualmente mudam.
A dinâmica é simples: você chega por volta das 8h, conversa com os barqueiros, e embarca num grupo de 8 a 12 pessoas num passeio coletivo. O barco navega entre 4 e 5 praias ao longo do dia, com paradas para banho, almoço em comunidade e, se o timing for bom, pôr do sol na Ponta do Cururu ou na Ponta do Muretá.
Custos de referência (conferidos em 2024/2025):
- Passeio coletivo no Rio Tapajós: R$ 100 a 150 por pessoa
- Almoço em comunidade ribeirinha: R$ 60 a 130
- Passeio de dia inteiro no Rio Arapiuns: R$ 250 a 300 por pessoa
- Catraia para a Ilha do Amor: R$ 5 por trecho
Uma dica que economiza: tente combinar com a pousada na noite anterior via WhatsApp. Muitos barqueiros têm passeios planejados e você pode se encaixar num grupo com melhor preço. Passeio privativo é mais caro, mas dá mais flexibilidade de horários e paradas.
Praias acessíveis por terra
Nem tudo exige barco. Algumas praias chegam de carro ou de tração humana:
- Praia do Cajueiro e Praia do CAT: a pé do centro, sem custo
- Praia do Pindobal: cerca de 9 km de Alter por estrada de terra
- Ponta de Pedras: cerca de 27 km de Alter por estrada, ou 30 minutos de barco
Visão geral: as 22 praias num relance
| Praia | Localização | Acesso | Destaque principal | Melhor época |
| Praia do Cajueiro | Centro | A pé | Tranquila, local, sombra do cajueiro | Ago-dez |
| Praia do CAT | Centro | A pé | Pôr do sol, hub dos barcos, estrutura | Ano todo |
| Ilha do Amor | Lago Verde / Tapajós | Catraia R$5 | Cartão-postal, quiosques, dois lados opostos | Ago-dez |
| Floresta Encantada | Lago Verde | Barco/canoa | Igapó alagado, natureza, biodiversidade | Jan-jul (cheia) |
| Praia da Valéria | Lago Verde | Barco | Águas rasas, silêncio, mata densa | Ago-dez |
| Praia do Ararirá | Tapajós | Barco | Selvagem, sem estrutura, aves | Ago-dez |
| Praia do Tapari | Tapajós | Barco | Isolada, banho tranquilo | Ago-dez |
| Praia de Cajutuba | Tapajós | Barco | Areia fina, ribeirinha | Ago-dez |
| Praia do Maguari | Tapajós | Barco (~50 min) | FLONA, almoço em comunidade, trilha | Ago-dez |
| Praia de São Domingos | Tapajós | Barco | Deserta, contraste de águas | Ago-dez |
| Praia do Pindobal | Tapajós | Barco ou carro | Família-friendly, restaurantes, estrutura | Ago-dez |
| Ponta de Pedras | Tapajós | Barco ou carro | Formações rochosas, piscinas naturais | Ago-dez |
| Ponta do Cururu | Tapajós | Barco | Melhor pôr do sol, botos, deserta | Ago-dez |
| Ponta do Muretá | Tapajós | Barco | Contemplativa, isolada, pôr do sol | Ago-dez |
| Praia do Jacaré | Tapajós | Barco | Pedras no fundo, mirante fotogênico | Ago-dez |
| Ponta do Iucuxi | Arapiuns | Barco (dia inteiro) | Banco de areia selvagem, brisa | Ago-dez |
| Praia do Toronó | Arapiuns | Barco | Botos, águas rasas, perfeita para criança | Ago-dez |
| Comunidade Coroca | Arapiuns | Barco | Tartarugas, meliponário, almoço | Ago-dez |
| Praia de Caracaraí | Arapiuns | Barco | Selvagem, com sombra, fauna | Ago-dez |
| Ponta Grande | Arapiuns | Barco | Extensa, cinematográfica | Ago-dez |
| Praia da Costa do Macaco | Arapiuns | Barco | Isolada, mata densa, nome curioso | Ago-dez |
| Praia do Maracanã | Santarém | Carro ou barco | Urbana, esportes, complemento | Ano todo |
Perto do centro: as praias que você visita a pé
Antes de embarcar num barco de passeio, Alter do Chão já oferece três praias a poucos minutos a pé do centrinho. São elas que fazem o primeiro contato com o Rio Tapajós, e que a gente costuma subestimar até que o sol bate na água e o horizonte abre.
Praia do Cajueiro

Foi a primeira praia que pisamos em Alter do Chão. Chegamos exaustos no primeiro dia, as malas tinham sido extraviadas pela companhia aérea, estávamos de chinelo, com o Nicolas de quase 2 anos no colo, e fomos direto para a beira do rio sem grandes expectativas. Contamos com mais detalhes como foi esse primeiro dia em Alter do Chão e por que a Praia do Cajueiro acabou sendo a primeira parada.
A Praia do Cajueiro fica na orla principal da vila, a cerca de 5 a 10 minutos a pé do centro. Uma faixa de areia branca e fina que se estende pelo Tapajós, com um cajueiro centenário de copa larga que projeta sombra generosa sobre a areia, e que deu nome tanto à praia quanto à pousada mais famosa da região.
A água é morna, rasa perto da beira, sem correnteza forte. Entrar ali depois de um dia de viagem é o tipo de coisa que redefine o que você entende por descanso.
O ambiente é mais local do que turístico: moradores passam pela tarde, barqueiros preparam as embarcações para o dia seguinte, vendedores locais aparecem com frutas frescas. Sem aquela energia de praia badalada, é tranquilo no sentido verdadeiro da palavra.
Para quem é: quem quer a beira do rio sem esforço, famílias com criança, o banho do fim de tarde ou o pôr do sol com a Ilha do Amor em silhueta ao fundo.
Acesso: gratuito, a pé do centro. Melhor época: agosto a dezembro (na cheia, a areia some).
Uma coisa que ninguém avisa: há arraias no fundo arenoso do Tapajós. A picada é dolorosa. A solução é simples: arraste os pés em vez de dar passos normais. Isso afasta a raia antes de você pisar nela.
Praia do CAT

O CAT (Centro de Atendimento ao Turista) é uma praia e um hub ao mesmo tempo. É de lá que saem a maioria dos passeios de barco de Alter do Chão, onde fica a Associação de Barqueiros e onde você chega cedo de manhã para conversar sobre roteiros e preços. Detalhamos tudo sobre esse ponto no guia completo da Praia do CAT.
A praia em si tem um deck de madeira que avança sobre o rio, quiosques com petiscos e bebidas regionais, e uma posição invejável para o pôr do sol: o sol desce exatamente na direção do Tapajós, criando aquele reflexo dourado que se espalha por toda a superfície do rio.
À noite, o CAT muda de personalidade. DJs nos fins de semana, barzinhos com Gin Tucuxi e drinques de frutas amazônicas, mesas espalhadas pela areia com luz incandescente. Às quintas-feiras, o Carimbó da Quinta do Mestre acontece na orla, uma roda de carimbó aberta ao público, patrimônio imaterial do Brasil, que a gente assistiu e que o Nicolas não quis sair de jeito nenhum.
Para quem é: quem vai contratar passeios, quem quer pôr do sol sem esforço, quem curte a vida noturna de Alter do Chão.
Acesso: gratuito, a pé do centro. Funciona o ano todo (na cheia, perde areia mas mantém a estrutura e o pôr do sol).
Ilha do Amor

O cartão-postal. A praia que aparece em todas as fotos, que todo mundo conhece pelo nome, que deu fama internacional a Alter do Chão. Temos um guia completo sobre a Ilha do Amor com todos os detalhes, mas aqui vai a visão geral.
A Ilha do Amor não é uma ilha de verdade, é um banco de areia que divide o Lago Verde e o Rio Tapajós, ligado ao continente pela areia exposta durante a seca. Para chegar, você pega uma catraia na orla principal: R$ 5 por trecho, travessia de menos de 5 minutos. No auge da seca (setembro e outubro), dá para atravessar caminhando pela areia, o rio fica tão baixo que a água bate nas coxas.
O que surpreende quem chega sem saber é que a Ilha do Amor tem dois lados completamente diferentes:
Lado do Lago Verde: é onde a maioria das pessoas passa o dia. Quiosques, restaurantes, mesas dentro d’água, cadeiras de praia, barracas de palha. Música, movimento, comida boa. As águas do Lago Verde são mais calmas, rasas perto da beira, temperatura morna. Você pede um tambaqui grelhado, senta com os pés na água e entende o apelido Caribe Amazônico.
Lado do Rio Tapajós: o avesso. Praticamente deserto, silencioso, com um horizonte aberto sobre o rio e águas mais frescas. É desse lado que o pôr do sol acontece, o sol descendo na direção do Tapajós e o reflexo se espalhando em laranja e dourado sobre a superfície. Se você quer energia e comida boa, fica no lado do Lago Verde. Se quer paz ou pôr do sol, atravessa para o lado do Tapajós no fim da tarde.
Aos finais de semana e em setembro (Sairé), a Ilha do Amor enche bastante. Dias de semana são sempre mais tranquilos, e permitem até aquela sensação de ter a praia quase só para você. Se você tiver disposição, dá para combinar a visita com a trilha da Serra da Piraoca, que sai justamente da Ilha do Amor rumo ao ponto mais alto de Alter do Chão.
Para quem é: todo mundo. Mas especialmente quem quer a experiência completa de Alter do Chão numa tarde só.
Acesso: catraia R$ 5. Melhor época: agosto a dezembro (na cheia máxima, pode desaparecer).
Na Lagoa Verde: floresta, silêncio e água esverdeada
O Lago Verde é um ecossistema à parte dentro de Alter do Chão, um corpo d’água de cor esverdeada e mais calma que o Tapajós, rodeado de mata fechada. É ali que a Floresta Encantada acontece na cheia, e é de lá que a Ilha do Amor se alimenta por um dos lados.
Floresta Encantada

Tecnicamente, a Floresta Encantada não é uma praia. Mas ela está no coração da Lagoa Verde e merece espaço neste guia, especialmente porque é a atração de Alter do Chão que mais surpreende quem vai sem saber o que esperar.
O passeio é de canoa. Você embarca com um guia e navega entre árvores cujos troncos estão submersos, só as copas aparecem acima da água. A luz filtra pelas folhagens, o silêncio é de floresta, e de vez em quando aparece uma preguiça num galho ou um grupo de peixes que rola embaixo do casco. É um dos cenários mais fotogênicos de toda a região.
O truque é a época: a Floresta Encantada só existe assim na cheia (janeiro a julho), quando o nível do rio sobe e inunda a mata. Na seca, o canal seca parcialmente e o passeio perde o efeito. Se você vai entre agosto e dezembro, ainda vale o passeio, mas vá com expectativas ajustadas.
Custo: R$ 50 a 80 por pessoa. Duração: 30 minutos a 1 hora. Sai da orla de Alter, combinado com barqueiros ou com as operadoras Cuicuera Tour e Selvagem Tours. Leia o guia completo da Floresta Encantada para entender como encaixar no roteiro.
Para quem é: quem vai na cheia e quer a Amazônia em formato labirinto verde. Ótimo para crianças, o passeio é suave, sem correnteza, e a experiência visual prende até os menores.
Praia da Valéria

A Praia da Valéria é uma das praias mais tranquilas do Lago Verde, acessível por barco curto da vila, com águas rasas e calmas cercadas de mata densa. Sem infraestrutura nenhuma: sem barraca, sem quiosque, sem restaurante. É você, a areia, a mata e o silêncio interrompido apenas pelo canto dos pássaros.
Fomos numa tarde e ficamos tentando identificar os pássaros pelo barulho. Falhamos feio, mas aproveitamos muito. Esse tipo de praia é o que diferencia Alter do Chão de qualquer destino de praia mais popular: existe um lugar onde literalmente não tem ninguém.
Para quem é: quem quer sossego de verdade, isolamento, fotos sem pessoas no fundo.
Acesso: barco. Leve água e lanches, não tem estrutura nenhuma. Melhor época: agosto a dezembro.
No Rio Tapajós: de barco e sem pressa
O Rio Tapajós é o coração das praias de Alter do Chão. São quilômetros de faixas de areia ao longo das margens, com praias que vão desde as mais movimentadas e com estrutura completa até pontos praticamente virgens onde você desembarca e é a única pessoa à vista. Os passeios de barco no Tapajós costumam durar o dia inteiro, com 4 a 5 paradas entre praias, almoço em comunidade ribeirinha e retorno por volta das 18h, como fizemos no nosso Roteiro de Praias pelo Rio Tapajós.
Praia de Cajutuba
Uma das primeiras paradas no Roteiro de Praias clássico do Tapajós. Cajutuba é uma praia fina e branca próxima de comunidades ribeirinhas, praticamente deserta durante a semana. Você desembarca, anda pela areia, nada um pouco, e já é hora de seguir. Uma dessas paradas que servem de aquecimento para o dia, mas que ficam na memória justamente por isso: pelo silêncio, pela sensação de descoberta.
Para quem é: quem quer a praia deserta de verdade como primeira parada.
Praia do Maguari

A Praia do Maguari fica dentro da Floresta Nacional do Tapajós (FLONA), o que já diz muito sobre o que esperar. O acesso é por barco, cerca de 50 minutos de Alter do Chão, com desembarque na Comunidade Maguari, onde fica a Casa do Elton, restaurante comunitário com pirarucu fresco e o dinheiro indo direto para a família local.
A praia em si tem formato de ponta de areia bem marcada, estávamos praticamente sozinhos quando chegamos e ficamos sem conseguir identificar qual parte estava mais bonita porque toda parte estava bonita. A Praia do Maguari foi a mais bonita do Roteiro de Praias no dia em que fizemos.
Dá para combinar com uma trilha guiada pela mata da FLONA após o almoço, e aí o dia vira uma experiência completa de floresta e praia juntos.
Atenção ao almoço: a comida é boa, mas chegamos com muita fome e o pirarucu veio em porção menor do que esperávamos para o preço (R$ 130). Vá preparado para ajustar expectativas de quantidade, é comida caseira, servida pela família que cuida do espaço.
Para quem é: quem quer praia + floresta + imersão comunitária num dia só.
Acesso: barco (~50 min). Guia recomendado para a trilha.
Praia de São Domingos

Deserta, tranquila e com um contraste de águas que a gente não estava esperando: de um lado, águas rasas com pequenas correntes; do outro, calma funda onde a gente pulou do barco várias vezes com aquela sensação estranha de flutuar sem tocar o fundo.
Ficamos menos tempo aqui, o Nicolas estava dormindo e a gente não quis tirar ele do cochilo. Às vezes as paradas menores são necessárias justamente para isso: respirar, contemplar, não ter pressa de fazer nada.
Para quem é: parada de contemplação no Roteiro de Praias.
Praia do Pindobal

A mais família-friendly do Rio Tapajós, e provavelmente a mais estruturada fora da Ilha do Amor. O Pindobal fica a cerca de 9 km de Alter do Chão, em Belterra, acessível por estrada de terra ou por barco (~1 hora de navegação).
Quando chegamos, tinha criança correndo, barracas de madeira com sombra, demarcações de onde nadar e uma barraquinha servindo arraia frita (surpreendentemente boa, textura que lembra frango, sem o sabor forte que a gente imaginava). O Nicolas fez amizade em cinco minutos e ficou correndo pela praia enquanto a gente sentava e respirava.
O Pindobal é o tipo de praia onde você passa mais tempo do que planejou, porque tem conforto suficiente para relaxar sem abrir mão da beleza natural.
Para quem é: famílias com criança, quem quer estrutura e movimento, grupos que querem almoço garantido.
Acesso: barco (~1h) ou carro pela estrada de Belterra. Melhor época: agosto a dezembro, a areia fica mais extensa.
Ponta de Pedras

A Ponta de Pedras tem um diferencial visual que nenhuma outra praia do Tapajós tem: formações rochosas no meio da areia, criando um contraste que é fotogênico de todo ângulo. Enquanto o resto das praias de Alter do Chão é todo areia branca e água azul, aqui aparecem pedras escuras que emergem do rio e criam piscinas naturais e áreas rasas entre elas.
Fica a cerca de 27 km de Alter por estrada (ou 30 min de barco) e tem restaurantes com comida típica regional, o Panela de Barro serve um tambaqui na brasa que a fama chegou antes da gente chegar.
Para quem é: quem quer praia com um visual diferente, boa estrutura de alimentação, formações rochosas para escalar e fotografar.
Dica: leve calçado fechado ou sapatilha de borracha. As pedras têm arestas e o caminhar entre elas sem proteção dói.
Ponta do Cururu

Se você pergunta para qualquer morador de Alter do Chão qual é o melhor lugar para ver o pôr do sol, a resposta vai ser a Ponta do Cururu. E eles estão certos.
A Ponta do Cururu é uma língua de areia fina que avança pelo Tapajós, quase como um dedo apontado para o horizonte. Sem infraestrutura durante o dia, praticamente deserta. No fim da tarde, barcos começam a chegar de todos os lados, ancoram ali perto, e todo mundo senta na areia ou no convés para assistir o espetáculo.
O sol desce devagar, muda de cor, o rio vira espelho, o céu pega tons que parecem irresponsavelmente bonitos. A gente ficou em silêncio por uns vinte minutos. Era esse tipo de situação.
Os botos aparecem por ali com alguma frequência, são eles que deram origem ao nome do Sairé, o festival que celebra as lendas dos rios. Não é garantido avistá-los, mas nas vezes que fizemos esse passeio, apareceram.
Para quem é: pôr do sol. Simplesmente o pôr do sol.
Acesso: barco (~25 min de Alter). Melhor no entardecer, o dia pode ser combinado com o Canal do Jari.
Ponta do Muretá

Contemplativa, isolada, e com uma lagoa escondida atrás das árvores que você só descobre se o guia levar. A Ponta do Muretá é outra praia sem estrutura nenhuma, acessível por barco, perfeita para entardecer.
A atmosfera ali é diferente. Enquanto a Ponta do Cururu acumula barcos ancorados e vira um point, a Muretá mantém uma quietude que vai ficando mais rara conforme o destino fica mais conhecido.
Ficamos umas duas horas. O guia sentou numa rede que tinha amarrado entre dois troncos, o Nicolas dormiu no barco, e a gente ficou tentando fotografar o pôr do sol sem conseguir capturar o que estávamos sentindo. É assim que Alter do Chão funciona: você desiste de achar que vai conseguir reproduzir aquilo, e simplesmente fica.
Atenção: a lagoa atrás das árvores tem arraias no fundo. Arraste os pés, o mesmo cuidado de sempre.
Para quem é: quem quer o pôr do sol sem movimento, paz, contemplação.
Acesso: barco (~15 a 20 km de Alter). Sem estrutura, leve o que for consumir.
Praia do Ararirá e Praia do Tapari

Duas praias selvagens no Tapajós, sem infraestrutura, acessíveis por barco em passeios que combinam com outros pontos do rio. A Ararirá tem mata densa nas margens e é uma das melhores paradas para observação de aves, botos também aparecem com frequência por ali.

A Tapari é mais isolada ainda, com areia fina e pouca sombra natural: leve protetor solar de amplo espectro e uma canga para criar a própria sombra.
São daquelas paradas que entram no roteiro por contexto, você não vai até lá exclusivamente por elas, mas ficam na memória como o tipo de beleza discreta que o Tapajós tem em abundância. Para ambas: leve água e lanches, pois não há nada disponível no local.
Praia do Jacaré

A Praia do Jacaré entrou no roteiro quase por acidente, o plano era a Ponta do Cururu, mas como era sábado e estaria cheia, o guia sugeriu o Jacaré. Foi a melhor escolha do dia.
A praia tem pedras no fundo do rio e uma pedra grande voltada para o pôr do sol que vira mirante natural. O cenário é diferente de tudo que tínhamos visto até então: pedras, areia, água e um céu que estava pesado de nuvens que cruzavam devagar sem estragar nada, só dando textura.
O guia serviu abacaxi cortado ali mesmo. Choviscou um pouco, leve, quase poético.
Para quem é: pôr do sol com visual diferente, fotografia, quem quer fugir da Ponta do Cururu nos fins de semana.
No Rio Arapiuns: o lado selvagem que poucos conhecem

O Rio Arapiuns é o outro lado de Alter do Chão, e é o mais subestimado. A maioria dos visitantes passa a viagem inteira no Tapajós e não chega até lá. É uma pena, porque as praias do Arapiuns são diferentes em tudo: água mais escura e cristalina (não esverdeada como o Tapajós, mas de uma transparência diferente, quase espelhada), menos turistas, mais silêncio, mais Amazônia. Foi lá que fizemos o Passeio das Tartarugas Amazônicas e o Turismo de Cura, dois dos dias mais marcantes da viagem.
Para chegar ao Arapiuns, você navega pelo Tapajós a partir de Alter do Chão por mais de uma hora até o ponto onde os dois rios se encontram. Ali, a água começa a mudar gradualmente, é um dos momentos mais bonitos da viagem, especialmente se você estiver prestando atenção no rio e não no celular.
O passeio no Arapiuns é de dia inteiro. Saia antes das 9h. Custo médio: R$ 250 a 300 por pessoa incluindo todas as paradas. Dinheiro em espécie é obrigatório dentro das comunidades.
Alerta importante: as praias do Arapiuns têm arraias de fundo arenoso. Arraste os pés em vez de dar passos normais. O ferrão de arraia causa dor intensa, inchaço e pode levar a necrose local se não tratado. Não é pra ter medo, é pra ter respeito.
Ponta do Icuxi

A primeira parada no Arapiuns. O nome vem dos botos tucuxi que outrora abundavam no ponto, hoje aparecem menos, segundo o guia, mas a praia compensa.
Um grande banco de areia branca no meio de nada. Sem barraca, sem quiosque, sem ninguém além do nosso grupo. Ficamos uns 30 minutos ali, molhando os pés, sentindo a brisa, respirando fundo aquele pedaço de Amazônia sem filtro. O tipo de parada que parece curta demais quando acaba.
Para quem é: quem quer a praia no estado mais bruto possível.
Praia do Toronó

No momento em que ancoramos na Praia do Toronó, cinco botos estavam nadando perto do barco, um deles saiu completamente fora d’água. A gente estava tirando foto antes mesmo de desembarcar.
A praia em si é excelente: areia fina, águas rasas e calmas perto da beira, perfeitas para crianças pequenas. Ficamos uns 45 minutos ali. Fiquei brincando de “voar” com o Nicolas: erguia ele sobre a água e deixava pousar suavemente, ele adorou, risadas borbulhando a cada vez.
Se você estiver com sorte e na época certa, os botos podem aparecer de novo enquanto você está na praia. Tenha a câmera na mão desde quando o barco começa a ancorar.
Para quem é: famílias com criança pequena (água rasa ideal), quem tem chance de ver botos, um dos melhores banhos do Arapiuns.
Comunidade Coroca

A Coroca não é uma praia, é uma comunidade ribeirinha no Rio Arapiuns onde acontece um dos passeios mais completos que Alter do Chão tem a oferecer: o Passeio das Tartarugas Amazônicas.
Ao desembarcar, a mudança de ritmo é imediata. O redário com redes estendidas à entrada, o jardim bem cuidado, os barracões com telhado de palha traçada. Os moradores recebem sem pressa de roteiro turístico.
O guia leva ao meliponário, onde vivem abelhas canudo e jandaíra, nativas, sem ferrão. É uma aula sobre mel, sobre ecossistema, sobre o saber ribeirinho que não aparece em livro didático. Depois, o projeto de tartarugas amazônicas chancelado pelo IBAMA: filhotes no lago interno, processo de soltura, ciclo de vida. É um dos passeios mais didáticos e emocionantes que fizemos em toda a viagem.
Almoço comunitário no meio do caminho: sucos de frutas amazônicas (taperebá, cupuaçu), pratos regionais simples e gostosos. O suco de taperebá com abacaxi custou R$ 5. Ficou na memória tanto quanto o pôr do sol da noite.
Depois do almoço, o redário para um descanso contemplativo, redes suspensas ao ar livre com vista para a mata. O Nicolas correu pela comunidade e fez amizade com a filha do guia enquanto a gente aprendia sobre abelhas.
Dá para pernoitar na Coroca? Dá. A Casa Coroca comporta de 3 a 6 pessoas, com refeições incluídas. Contato com Dona Neiva: (93) 99181-6365. Reserve com antecedência, especialmente na alta temporada.
Para quem é: todo mundo que quer ir além da praia e entender como a Amazônia é habitada. Especialmente para famílias, crianças adoram as tartarugas.
Praia de Caracaraí

Selvagem, com sombra natural, águas rasas, o guia escolheu Caracaraí especialmente porque tínhamos o Nicolas junto, e a praia é boa para crianças pequenas explorarem sozinhas na parte rasa.
Ele mergulhou do mesmo ponto umas dez vezes seguidas, correndo da areia para a água. A cada mergulho, o sorriso aberto. Ficamos 30 minutos ali, mas com a qualidade daquele sorriso, valeu por uma tarde inteira.
Aves exóticas aparecem nas árvores das margens, leve binóculo se você se interessar por ornitologia.
Para quem é: parada familiar, crianças, observação de aves.
Ponta Grande
Uma das praias mais extensas e cinematográficas do Arapiuns, areia larga, horizonte aberto, águas límpidas para caminhadas à beira-rio. Um dos lugares onde você entende por que as pessoas voltam para Alter do Chão.
No nosso dia, o guia optou por Caracaraí no lugar de Ponta Grande para dar mais conforto ao grupo com criança. Mas por todos os relatos de quem chegou lá: não pule.
Praia da Costa do Macaco

O nome é curioso o suficiente para entrar neste guia sozinho. A Costa do Macaco é uma praia isolada no Arapiuns, cercada por mata densa, sem estrutura nenhuma. Uma das paradas do passeio de Turismo de Cura, combinada com trilha pelo Breu Branco e rituais com comunidades locais.
Para quem quer aventura, silêncio e mata, é o tipo de lugar que não aparece em guia de turismo convencional.
Em Santarém: Praia do Maracanã

A Praia do Maracanã fica em Santarém, acessível por carro ou barco. É uma praia urbana, com a infraestrutura e o movimento que isso implica, e serve bem como complemento para quem está passando um dia em Santarém antes ou depois da viagem para Alter do Chão.
Não tem a mesma magia das praias fluviais do Tapajós ou do Arapiuns. Mas se você estiver em Santarém e quiser um banho de rio, ela resolve. Pode ser combinada com o City Tour de Santarém, que inclui o Mercadão 2000 com frutas amazônicas, ervas medicinais e peixes frescos, o Centro Cultural João Fona com cerâmicas tapajônicas, e a vista do Encontro das Águas do Tapajós com o Amazonas. Foi exatamente esse passeio que fizemos no nosso último dia de viagem, e que serviu como despedida de Alter do Chão.
Outros passeios imperdíveis saindo de Alter do Chão
As praias são o coração de Alter do Chão, mas não são tudo. Para uma viagem completa, alguns passeios vão além da areia e entram num nível diferente de experiência:
Trilha da Serra da Piraoca: caminhada de 2 a 3 horas saindo da Ilha do Amor até o ponto mais alto de Alter do Chão. No topo, vista panorâmica de 360° do Rio Tapajós, Lago Verde, Lago das Piranhas e da vila inteira. O trecho final é de pedras soltas e inclinou bastante, fomos de chinelo e nos arrependemos. Use tênis.
FLONA Tapajós (Floresta Nacional do Tapajós, comunidade Jamaraquá): uma das experiências mais marcantes de toda a região: trilha de ~9 km na mata primária, com guia obrigatório, passando pela Sumaúma centenária de mais de 50 metros de altura e com banho no Igarapé do Paulo de águas cristalinas. Custo: R$ 120 a 180 por pessoa mais taxa de entrada. Exige disposição física, mas é um dia que ninguém esquece.
Canal do Jari: passeio de dia inteiro pelo canal que conecta o Tapajós ao Amazonas. Paradas para avistar fauna (jacarés, iguanas, papagaios, botos), visita ao Jardim das Vitórias-Régias da Dona Dulce, almoço regional incluído. Custo médio: R$ 120 a 200 por pessoa. Um dos melhores passeios da região para quem quer biodiversidade.
Passeio das Tartarugas Amazônicas (Rio Arapiuns): roteiro de dia inteiro com foco na Comunidade Coroca: meliponário de abelhas sem ferrão, soltura de filhotes de tartaruga-da-amazônia chancelado pelo IBAMA, praias do Arapiuns. Custo: R$ 220 + R$ 60 de almoço + R$ 25 de taxa comunitária.
Turismo de Cura (Rio Arapiuns): jornada espiritual e holística pelas comunidades ribeirinhas de Arimum e Urucureá: banhos medicinais, rituais indígenas, oficinas de artesanato em palha de tucumã, almoço comunitário. Custo: R$ 200 a 300, com apoio da Pérola Ecotour em parte do roteiro. Para quem quer ir fundo no que a Amazônia tem de mais humano.
Roteiro de Praias (Rio Tapajós): dia inteiro navegando entre praias fluviais do Tapajós com paradas para banho, piquenique e pôr do sol. Custo: R$ 150 a 250 por pessoa. O passeio mais indicado para quem quer máximo de praias num dia só.
Qual praia escolher? Guia rápido por perfil
| Perfil | Praias recomendadas | Observação |
| Família com criança pequena | Praia do Toronó, Praia do Pindobal, Praia do Cajueiro | Água rasa, sem estrutura exigente, som calmo |
| Melhor pôr do sol | Ponta do Cururu, Ponta do Muretá, Praia do CAT | Cururu é o clássico, Muretá é mais íntimo |
| Isolamento total, sem ninguém | Praias do Arapiuns em geral, Ponta do Iucuxi, Praia da Valéria | Exige barco e dia inteiro |
| Estrutura + restaurante | Ilha do Amor, Praia do Pindobal, Ponta de Pedras | Boa comida, cadeira e sombra garantidos |
| Primeira visita a Alter do Chão | Ilha do Amor + Praia do CAT | O pacote completo do centrinho num dia |
| Aventura e natureza selvagem | Rio Arapiuns completo, Praia do Maguari | Precisa de guia e barco, vale cada minuto |
| Fotografia | Ponta de Pedras, Praia do Jacaré, Ponta Grande | Cenários que rendem fotos fora do comum |
Quando ir: o mês a mês das praias
| Mês | Praias | Atmosfera | Observação |
| Janeiro | Reduzidas | Alta umidade, menos turistas | Floresta Encantada emergindo |
| Fevereiro | Mínimas | Cheia começando | Preços menores |
| Março-Maio | Submersas | Cheia máxima | Igapós no auge, Canal do Jari excelente |
| Junho | Emergindo | Transição | Ainda arrisca ver pouca areia |
| Julho | Parcial | Seca começando | Primeiras praias aparecem (foi quando fomos) |
| Agosto | Boas | Seco, quente | Boa opção para quem quer sossego |
| Setembro | Plenas | Festival do Sairé | Melhor equilíbrio: praias + cultura |
| Outubro | Plenas | Auge da seca | Máximo de areia exposta |
| Novembro | Plenas | Quente, sol intenso | Alto movimento turístico |
| Dezembro | Boas | Primeiras chuvas | Boa opção antes das festas de fim de ano |
Perguntas frequentes sobre as praias de Alter do Chão

Quantas praias tem Alter do Chão?
Há dezenas de praias distribuídas ao longo do Rio Tapajós, Rio Arapiuns e Lago Verde. Em 9 dias, em julho de 2024, visitamos 22 delas, e ainda ficaram pontos que não conseguimos alcançar. O número exato é difícil de determinar porque cada seca revela configurações diferentes de areia.
As praias de Alter do Chão somem na época da chuva?
Sim. A maioria some completamente entre fevereiro e junho, quando o nível do Rio Tapajós sobe. As praias do centrinho (Cajueiro, CAT) resistem mais. A Ilha do Amor pode desaparecer quase por completo nos anos de cheia intensa. Se o objetivo é praia, planeje a viagem entre agosto e dezembro.
Qual é a praia mais bonita de Alter do Chão?
Depende do que você quer. Para a experiência mais completa: Ilha do Amor. Para o melhor pôr do sol: Ponta do Cururu. Para natureza selvagem e isolamento: as praias do Rio Arapiuns. Para fotografia com cenário diferente: Ponta de Pedras. Não há uma resposta única, e isso é exatamente o que torna o destino tão rico.
Qual a diferença entre as praias do Tapajós e do Arapiuns?
São duas experiências completamente diferentes. O Tapajós tem praias mais estruturadas, roteiros bem estabelecidos, restaurantes em algumas paradas e mais turistas. O Arapiuns é mais selvagem, as praias são mais isoladas, a água tem outra transparência (mais escura e cristalina) e o passeio inclui imersão em comunidades ribeirinhas. O Tapajós você faz em qualquer dia; o Arapiuns é o dia mais especial da viagem.
Tem arraia nas praias de Alter do Chão?
Sim, especialmente no Arapiuns e em praias de areia fina onde o fundo é plano. A regra é uma só: arraste os pés ao entrar na água, em vez de dar passos normais. O ferrão de arraia provoca dor intensa, inchaço e pode levar a necrose local sem tratamento. Não é para ter medo, é para ter respeito e seguir a instrução que o guia vai dar.
Quais praias são acessíveis por carro, sem precisar de barco?
Praia do Cajueiro e Praia do CAT: a pé do centro da vila, sem custo. Praia do Pindobal: cerca de 9 km por estrada de terra. Ponta de Pedras: cerca de 27 km por estrada. Todas as outras praias mencionadas neste guia exigem barco.
Quanto custa um passeio de barco pelas praias?
Passeio coletivo no Rio Tapajós: R$ 100 a 150 por pessoa (sem almoço). O almoço em comunidade ribeirinha sai em torno de R$ 60 a 130 à parte. Passeio de dia inteiro no Rio Arapiuns: R$ 250 a 300 por pessoa. Valores de referência de 2024/2025, confirme na chegada, pois podem variar por temporada.
Vale visitar Alter do Chão na época da cheia?
Vale, mas com expectativas ajustadas. As praias somem, mas a Floresta Encantada fica navegável (um dos cenários mais únicos da região), o Canal do Jari transborda de vida, as comunidades ribeirinhas ficam mais acessíveis por barco e o movimento turístico cai bastante. Preços menores, Alter mais local, menos filas. Se você quer praia, vá na seca. Se você quer Amazônia de verdade, a cheia entrega uma versão igualmente válida.
É seguro levar crianças pequenas?
Sim, e foi uma das melhores decisões que tomamos. O Nicolas tinha quase 2 anos e aproveitou cada parada à sua maneira. As praias rasas do Toronó e do Cajueiro são perfeitas para crianças pequenas. O passeio do Arapiuns também funciona bem, avise o guia na contratação que você vai com criança, e um bom guia vai adaptar o roteiro com paradas mais curtas e praias com sombra. Recomendamos: colete salva-vidas, protetor solar biodegradável e lanches na mochila.
Conclusão
Nove dias, 22 praias, dois rios, um lago, uma floresta alagada, um festival de carimbó às quintas-feiras e um filho de quase 2 anos que aprendeu a mergulhar na areia do Arapiuns. Alter do Chão é daqueles destinos que você vai achar que entendeu depois de um dia, e vai perceber, só na viagem de volta, que não tinha nem começado a entender.
A Ilha do Amor é o começo, não o fim. O Arapiuns é o lugar onde a viagem muda de tom. E em algum lugar entre uma praia e outra, você para de tentar fotografar o que está sentindo e simplesmente fica.
Você já foi às praias de Alter do Chão? Conta pra gente nos comentários qual foi a sua favorita, e se ficou alguma dúvida sobre o roteiro, é só perguntar.
