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As Dunas do Jalapão são formações de areia dourada com até 40 metros de altura localizadas dentro do Parque Estadual do Jalapão, no estado do Tocantins. Únicas no cerrado brasileiro, elas se formaram pela erosão do arenito da Serra do Espírito Santo e são um dos cenários mais fotografados do Centro-Oeste. O pôr do sol visto do topo é considerado um dos espetáculos naturais mais bonitos do Brasil.
Se você está planejando visitar o Jalapão, as dunas são parada obrigatória — e neste guia você encontra tudo que precisa saber para ir bem preparado.
O que são as Dunas do Jalapão
Quando a maioria das pessoas pensa em dunas de areia, pensa em litoral. As Dunas do Jalapão quebram essa lógica completamente — são um deserto dentro do cerrado, a centenas de quilômetros do mar, com areia fina de cor dourada a avermelhada que muda de tonalidade conforme a luz do dia.
Como as dunas se formaram
A origem das dunas está na Serra do Espírito Santo, a formação rochosa de arenito que domina o horizonte da região. Ao longo de milhares de anos, a chuva e o vento foram desgastando o arenito, soltando grãos de areia que o vento carrega e deposita sempre no mesmo ponto. O resultado é um acúmulo estável que já chegou a 40 metros de altura — e que continua mudando de forma lentamente, como todo deserto vivo.
É por isso que a areia das dunas tem aquela cor diferente de uma praia: não é branca, não é bege. É dourada, com tons de laranja e vermelho dependendo do horário. Não gruda na pele, não pesa nos pés como areia molhada — mas afunda quando você caminha, o que deixa a subida mais cansativa do que parece à primeira vista.
Como é o visual na prática
Do topo das dunas, a vista é de um cenário que parece não pertencer ao Brasil. De um lado, a imensidão da areia dourada com os contornos ondulados formados pelo vento. Do outro, o verde do cerrado e, ao fundo, a Serra do Espírito Santo mudando de cor conforme o sol se move. No entardecer, o conjunto vira um espetáculo de laranja e vermelho que faz qualquer câmera tremer na mão.
Onde ficam e como chegar nas Dunas do Jalapão
As Dunas do Jalapão estão localizadas dentro do Parque Estadual do Jalapão, no estado do Tocantins. O acesso é feito pela rodovia TO-255.
| Ponto de Partida | Distância aproximada | Tempo estimado (4×4) |
| Palmas (capital) | ~282 km | ~4 horas |
| Mateiros | ~37 km | ~45 minutos |
| Ponte Alta do Tocantins | ~130 km | ~2h30 |
Saindo de Palmas
A rota mais comum sai de Palmas, capital do Tocantins — cidade que tem aeroporto com voos diários de várias capitais brasileiras (LATAM, GOL e Azul operam rotas frequentes). A partir do aeroporto, você segue pela TO-030 em direção a Novo Acordo e depois pela TO-255 até a entrada do parque e, posteriormente, até as dunas.
Boa parte do percurso é em estrada de terra. Trecho arenoso, trecho com buracos, trecho onde o GPS some — é a aventura anunciada. Um veículo 4×4 é imprescindível. Se o seu carro atolar (e isso acontece com frequência, especialmente fora da estação seca), você vai querer estar com quem conhece a região.
Quem chega de outros estados pode alugar um 4×4 em Palmas ou contratar um pacote de expedição com agência local, que já inclui transporte, guia e hospedagem.
Mateiros: a base da viagem
Mateiros é o município mais próximo das dunas e a base natural de quem vai ao Jalapão. A cidade tem cerca de 3 mil habitantes, serviços básicos de hospedagem, restaurantes simples e guias credenciados disponíveis para contratação local.
O clima em Mateiros é típico do cerrado — estação seca bem definida de maio a setembro, com calor intenso e céu limpo. Na cheia, de outubro a abril, a cidade fica mais isolada e algumas estradas ficam intransitáveis.
Preciso de guia para visitar as Dunas do Jalapão?
A resposta honesta é: não é obrigatório, mas é muito recomendado — e os motivos vão além do óbvio.
As estradas do Jalapão têm pouca sinalização, cruzamentos confusos e trechos que mudam de aparência dependendo da estação. Um guia local conhece cada buraco, cada desvio e cada armadilha de areia fofa. Se o seu carro atolou a 50 km de Mateiros sem sinal de celular, a experiência do guia faz toda a diferença.
Além disso, guias credenciados conhecem os horários de menor movimento nos atrativos, sabem combinar as visitas do dia de forma eficiente e conseguem revelar detalhes da flora, fauna e história local que você nunca descobriria sozinho.
Se optar por ir por conta, leve GPS offline atualizado, mais gasolina do que acha que vai precisar, uma corda reboque e bastante água. Não é impossível — só exige muito mais planejamento.
Como é a visita nas dunas na prática
O caminho até o topo
Do estacionamento, a trilha até o topo das dunas tem cerca de 800 metros e é feita exclusivamente a pé. Parece pouco no mapa — mas você percorre boa parte no plano, atravessando alguns riachos rasos, e a parte final é em areia fofa com inclinação. Conta uns 10 a 15 minutos de caminhada tranquila se você for devagar, mais se for com crianças ou parar bastante para fotos.
Um detalhe importante: é proibido subir pelo paredão frontal da duna. Há fiscais posicionados no alto para garantir isso, e a multa é real. O acesso correto é pela trilha lateral, que contorna a duna e leva ao topo com segurança. Siga a trilha demarcada sem atalhos.
A areia é fina e avermelhada, diferente de qualquer praia. Muita gente prefere ir descalço — e faz sentido, dá muito mais conforto na subida. Só cuidado com a temperatura da areia no meio do dia: no auge do sol, ela esquenta bastante.
O pôr do sol nas dunas
Este é o momento pelo qual as dunas são famosas — e ele merece toda a reputação. Chegue por volta das 16h para garantir tempo de subir, escolher um bom ponto e acompanhar a luz mudando gradualmente. Nós não conseguimos ver, pois estava nublado no dia que visitamos.
Conforme o sol vai baixando, a areia passa do dourado intenso para o laranja e, nos últimos minutos antes do por do sol completo, para tons de vermelho e bordo. A Serra do Espírito Santo ao fundo segue o mesmo espetáculo de cores. São aqueles minutos em que todo mundo para de falar ao mesmo tempo.
Depois do pôr do sol, você tem pouco tempo — o parque fecha às 18h30, com entrada máxima até as 17h30. Desça pela mesma trilha com cuidado, pois a visibilidade cai rápido.
A vista para a Serra do Espírito Santo
Das dunas, a Serra do Espírito Santo é a formação rochosa que fecha o horizonte em quase todas as direções. É ela a origem das dunas — e vê-la do alto, enquanto a areia ainda reflete a luz do dia, dá uma noção bonita do quanto a natureza trabalhou para criar aquele cenário.
Para quem tem disposição extra e quer ver as dunas de cima, existe a opção de fazer a trilha de subida à Serra do Espírito Santo — saindo de madrugada para chegar ao nascer do sol. É necessário contratar guia local em Mateiros. A vista de lá de cima das dunas, ao amanhecer, dizem que é de outro mundo. Ainda não conseguimos fazer essa trilha (choveu na noite anterior e a subida ficou escorregadia demais), mas fica na lista para a próxima volta.
A Lagoa dos Jacarés
No caminho para as dunas, ainda dentro do parque, você passa pela Lagoa dos Jacarés — um espelho d’água de cor esverdeada que reflete a Serra do Espírito Santo de um jeito que rende fotos impressionantes. O nome assusta à primeira vista, mas pode ficar tranquilo: não há jacarés no local.
Um ponto importante: o banho não é permitido na Lagoa dos Jacarés. É uma parada para contemplação e fotos, não para mergulho. Muitos roteiros param ali rapidamente antes de seguir para as dunas.
O Bar da Dona Benedita
Bem na beira da estrada que leva para as dunas, o Bar da Dona Benedita é uma parada quase ritualística dos grupos que visitam o Jalapão. Serve lanches, bebidas geladas e refeições simples — e, quando está disponível, a famosa cachaça de Jalapa (numa das nossas visitas, infelizmente estava em falta).
É um espaço de hospitalidade genuína, daquele jeito que só o interior do Brasil tem. Vale a parada tanto na ida quanto na volta — é um bom lugar para descansar, trocar ideia com outros viajantes e apoiar diretamente o comércio local.
Melhor época para visitar as Dunas do Jalapão
A estação seca, de maio a setembro, é a melhor época para visitar. Nesse período:
- As estradas de terra ficam mais transitáveis e seguras
- O céu limpo garante pores do sol intensos e bem definidos
- Os rios estão em nível baixo, facilitando travessias
- As temperaturas, embora quentes (pode passar dos 35°C no meio do dia), são mais previsíveis
A estação chuvosa, de outubro a abril, não inviabiliza a visita, mas muda bastante o cenário. A vegetação fica mais verde e exuberante, as cachoeiras ganham volume — mas as estradas de terra ficam lamacentas, alguns trechos ficam intransitáveis e o acesso às dunas pode ser comprometido. Se for nesse período, vá com agência experiente e com folga no roteiro para imprevistos.
Horário de funcionamento e regras de visitação
| Informação | Detalhe |
| Funcionamento | Segunda a domingo, 06h às 18h30 |
| Entrada máxima | Até 17h30 |
| Melhor horário | Chegada por volta das 16h (pôr do sol) |
| Entrada | Gratuita |
| Veículos | Apenas no estacionamento — acesso às dunas exclusivamente a pé |
Regras principais:
- Proibido subir pelo paredão frontal da duna (use a trilha lateral)
- Proibido retirar areia, plantas ou qualquer material do local
- Recolha todo o lixo — não deixe nada para trás
- Respeite os limites demarcados pelos fiscais
- Não é permitido pernoitar nas dunas
Os fiscais estão presentes e aplicam multas. Não é ameaça vazia — vi grupos sendo advertidos por tentar subir fora da trilha.
Quem pode visitar as Dunas do Jalapão?
A visita é indicada para todas as idades. A trilha é curta, sem grandes desafios técnicos — mas o sol e a areia fofa pedem atenção.
Crianças e idosos conseguem fazer o percurso tranquilamente, desde que no ritmo deles e com os cuidados básicos: proteção solar, hidratação e um bom calçado (ou ir descalço na parte final, que é mais confortável na areia).
O maior desafio físico é a subida final em areia fofa, que cansa mais do que a distância sugere. Para quem tem dificuldade de mobilidade, o trecho plano já oferece uma boa visão das dunas — mas o topo exige esforço.
O que levar para as dunas
- Protetor solar FPS 50+ e chapéu — não subestime o sol do cerrado, especialmente no período de mais visibilidade, entre 15h e 18h
- Óculos escuros — a claridade no topo das dunas é intensa
- Pelo menos 1 litro de água por pessoa — não há fontes no percurso
- Calçado leve ou sandália — muita gente prefere tirar o calçado na areia fofa (guardar na mochila)
- Câmera ou celular carregado — o pôr do sol vai exigir muito da bateria
- Lanterna — para a descida se o sol cair antes de você sair
- Não é necessário equipamento técnico de nenhum tipo
Quanto custa visitar as Dunas do Jalapão?
A entrada nas dunas é gratuita. O que custa é chegar lá.
| Tipo de viagem | Custo estimado por pessoa |
| Pacote completo com agência (4–6 dias) | R$ 2.500 a R$ 5.000 |
| Conta própria (veículo, combustível, hospedagem, alimentação) | R$ 1.500 a R$ 3.000 (dependendo do grupo) |
| Guia local avulso (dia) | R$ 200 a R$ 350 por pessoa |
| Hospedagem simples em Mateiros | R$ 150 a R$ 200 (casal, com café da manhã) |
Valores de referência de 2025–2026. Confirme com agências e pousadas antes de viajar.
Para grupos pequenos (casal ou família), o custo por pessoa cai bastante se você dividir o aluguel do 4×4 e a hospedagem. Para quem vai sozinho ou em dupla, o pacote com agência costuma sair mais em conta do que parece na primeira olhada — e elimina toda a dor de cabeça logística.
O que fazer perto das dunas no mesmo roteiro
As dunas costumam ser visitadas no final do dia, o que deixa a manhã livre para outros atrativos. Aqui estão os que combinam melhor no mesmo roteiro:
Cachoeira do Formiga — águas de tom azul-esverdeado e piscina natural na base. Uma das favoritas de quem vai ao Jalapão. Fica a cerca de 35 km de Mateiros.
Fervedouros do Jalapão — nascentes de água cristalina onde é impossível afundar. São mais de 120 fervedouros catalogados na região, com alguns abertos à visitação. Experiência única e imperdível.
Pedra Furada — formação de arenito com arcos naturais esculpidos pela erosão, perto de Ponte Alta do Tocantins. Outro ponto clássico para pôr do sol. Atenção: o guia nos avisou que onças e colmeias de abelhas foram registradas na área.
Cânion Sussuapara — corredor estreito de rochas com paredes úmidas cobertas de vegetação, a 14 km de Ponte Alta. A trilha tem apenas 100 metros, mas o ambiente lá dentro é completamente diferente de tudo no Jalapão: úmido, silencioso, com água pingando das paredes o tempo todo. No primeiro passo que demos dentro do cânion, vimos um caçará comendo um rato e logo depois uma cobra colorida.
Cachoeira da Velha — a maior cachoeira do Jalapão, com 100 metros de largura e 15 metros de altura, formando uma ferradura d’água que lembra miniatura das Cataratas do Iguaçu. Não é indicada para banho pela correnteza.
Prainha do Rio Novo — logo ao lado da Cachoeira da Velha, é o ponto seguro para mergulhar no Rio Novo — um dos poucos rios com água potável no mundo. Cenário do filme “Deus é Brasileiro”.
Cachoeira da Arara — duas quedas vigorosas despejando em um poço de água com tonalidade dourada. Chegamos como primeiros visitantes do dia e tivemos o lugar quase só pra nós. O nome vem das araras-canindé que habitavam a área antes da ocupação humana.
Cachoeiras Escorrega Macaco e Roncadeira — duas cachoeiras separadas por 80 metros, acessadas por trilha de 1,5 km com macacos do lado o tempo todo. A Escorrega Macaco tem 50 metros; a Roncadeira, 70 metros e um barulho que você ouve antes mesmo de ver. Antes de chegar, você desce uma escada de 143 degraus. A trilha mais longa de toda a viagem.
Morro Vermelho (Gorgulho) — formações rochosas vermelhas que lembram chaminés, esculpidas pelo vento. Parada quase obrigatória no caminho de volta para Palmas. O pôr do sol no topo, com o laranja do céu encontrando o vermelho das rochas, é um dos mais bonitos da região.
Lagoa do Japonês — em Pindorama do Tocantins, com águas azul-turquesa de alta transparência e uma gruta submersa acessível de barco. Rodeada por paredões de pedra, ideal para banho e flutuação.
Se você quer ver tudo isso organizado dia a dia, confira nossa viagem completa de 7 dias pelo Jalapão — com relato de cada parada, dicas de hospedagem e tudo que aprendemos no caminho.
Perguntas frequentes sobre as Dunas do Jalapão
As Dunas do Jalapão têm entrada paga?
Não. A entrada nas dunas é gratuita. O Parque Estadual do Jalapão não cobra ingresso para acesso às dunas. O custo da visita está principalmente no transporte (4×4 e combustível) e, se você contratar, no serviço de guia.
Precisa de guia para visitar as Dunas do Jalapão?
Não é obrigatório por lei, mas é altamente recomendado, especialmente para quem não conhece a região. As estradas são pouco sinalizadas, os trechos de areia fofa podem atolar veículos sem tração, e não há sinal de celular em grande parte do percurso. Guias credenciados em Mateiros também otimizam o roteiro do dia, combinando as dunas com outros atrativos de forma eficiente.
Dá para visitar com crianças?
Sim, sem problema. A trilha é curta e plana na maior parte do percurso. A subida final em areia fofa exige um pouco mais de esforço, mas crianças em geral adoram — e andar na areia descalço é uma das melhores partes. Cuide da proteção solar e leve água suficiente para todos.
Qual o melhor horário para ver o pôr do sol nas dunas?
Chegue por volta das 16h. Isso garante tempo suficiente para caminhar até o topo, escolher um bom ponto e acompanhar a luz mudando gradualmente até o crepúsculo. O parque fecha às 18h30, então planeje a descida antes disso.
As Dunas do Jalapão ficam em qual estado e município?
As dunas ficam no estado do Tocantins, dentro do Parque Estadual do Jalapão. O município mais próximo é Mateiros, a cerca de 37 km. O acesso se dá pela rodovia TO-255, saindo de Palmas (a ~282 km de distância).
Quanto tempo dura a visita às dunas?
Em média, 2 a 3 horas — incluindo o deslocamento de carro até a entrada, a caminhada de ida e volta (cerca de 30 minutos no total) e o tempo no topo para apreciar o pôr do sol e tirar fotos. Se você incluir a parada na Lagoa dos Jacarés e no Bar da Dona Benedita, some mais uma hora ao roteiro.
Vale a pena visitar as Dunas do Jalapão?
Das experiências que tivemos no Jalapão, o pôr do sol nas dunas está entre as mais marcantes — e olha que a concorrência é alta num lugar com fervedouros, cachoeiras e cânions desse nível. É um daqueles momentos em que a natureza faz tudo ao mesmo tempo: o silêncio, a imensidão, a luz que muda na sua frente e a Serra do Espírito Santo colorindo o fundo.
Não é um passeio de adrenalina. É um passeio de contemplação. E às vezes é exatamente isso que a gente precisa.
Se ficou alguma dúvida sobre as dunas ou sobre o roteiro do Jalapão, deixa nos comentários — a gente responde!













