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Os fervedouros do Jalapão são um dos fenômenos naturais mais impressionantes do Brasil. São nascentes de rios subterrâneos que emergem com tanta pressão que tornam impossível afundar, você literalmente flutua sem esforço em piscinas de água cristalina, cercado de buritis e bananeiras no coração do cerrado tocantinense. Estimativas apontam para mais de 20 fervedouros abertos à visitação na região, espalhados pelas cidades de Mateiros, São Félix do Tocantins e arredores.
Ao longo de duas viagens ao Jalapão, uma em 2016 e outra em janeiro de 2024, dessa vez em família com a Samara, o Heitor, a Sophia e o Nicolas, visitamos 9 fervedouros diferentes. Alguns eram velhos conhecidos, outros eram novidade até para nós. Neste guia, você encontra tudo: os que conhecemos de perto, com relato real, e os outros que completam o mapa dos fervedouros para quem quer montar o roteiro mais completo possível pelo Jalapão.
O que é um fervedouro?
Um fervedouro é uma nascente de rio subterrâneo, tecnicamente chamado de ressurgência, onde a água do lençol freático emerge com pressão tão intensa que empurra o corpo para cima, tornando impossível afundar. A areia ultrafina do solo fica suspensa pela corrente, criando aquele visual de fundo “borbulhante” e dando a sensação de estar pisando em areia movediça. Exceto que, ao contrário da areia movediça, você vai para cima, não para baixo.
Por que você não afunda no fervedouro?
O fenômeno acontece porque o Aquífero Urucuia, um dos maiores reservatórios de água subterrânea do Brasil, libera água para a superfície em pontos onde a pressão supera o peso da areia que cobre a nascente. Essa força ascendente é tão constante e intensa que sustenta o corpo humano sem esforço. Você pode tentar afundar com toda a força: vai notar que em segundos a água te empurra de volta para cima. É física pura, mas parece mágica.
A água dos fervedouros é quente ou fria?
O nome “fervedouro” confunde bastante. A água não é quente: o nome vem das bolhinhas que sobem com a pressão, lembrando água fervendo. Na prática, a temperatura é refrescante, agradável no calor do dia, um pouco fria de manhã cedo ou no final da tarde. Nada que o calor de 35°C do Tocantins não resolva.
Fervedouros só existem no Jalapão?
Em outras partes do mundo existem fenômenos semelhantes, piscinas naturais com ressurgência e hot springs, mas a combinação de água fria, pressão extrema e impossibilidade de afundar é considerada única do Jalapão. Guias locais confirmam: nunca encontraram nada parecido em nenhum outro lugar do planeta.
O Jalapão e seus fervedouros
O Parque Estadual do Jalapão ocupa cerca de 34 mil km² no leste do Tocantins, abrangendo municípios como Mateiros, São Félix do Tocantins, Ponte Alta do Tocantins e Novo Acordo. É uma das maiores unidades de conservação de cerrado do Brasil, e os fervedouros são a sua atração mais famosa.
Estima-se que existam mais de 20 fervedouros abertos à visitação na região, todos em propriedades privadas. A maioria está concentrada ao longo da TO-110, a estrada de areia que liga Mateiros a São Félix do Tocantins. Cada um tem personalidade própria: variam em tamanho, cor da água (azul, verde, turquesa), intensidade da pressão, profundidade e estrutura para o visitante.
Visitá-los em uma única viagem é quase impossível, e nem é o objetivo. O ideal é escolher um conjunto que faça sentido com o tempo que você tem e o tipo de experiência que busca. Se quiser uma ideia do que cabe em uma semana, dá uma olhada no resumo do que fizemos em 7 dias pelo Jalapão.
Fervedouros do Jalapão que conhecemos
Esses nove fervedouros a gente conheceu de verdade: entrou na água, sentiu a pressão, saiu com areia em todo lugar e voltou querendo mais. Cada um tem um artigo completo aqui no blog, mas aqui você encontra o resumo com nossas impressões reais de quem visitou em janeiro de 2024.
Fervedouro do Ceiça
O Ceiça é o mais antigo: foi o primeiro fervedouro descoberto e aberto ao público no Jalapão, e ainda hoje carrega um peso histórico que você sente assim que chega. Fica no município de Mateiros, cercado de bananeiras que criam um túnel de verde até a borda da nascente. A água é cristalina, levemente esverdeada, e a pressão é forte o suficiente para fotos subaquáticas incríveis.
Ingresso: R$ 20 por pessoa | Capacidade: até 10 pessoas por vez | Tempo: 10 a 20 minutos (diminui se houver fila) | Estrutura: sem restaurante no local
Em alta temporada, a fila pode ser grande: se ficou mais de 10 pessoas esperando, o tempo de cada grupo cai para 10 minutos. Vá cedo. Não há estrutura de alimentação no Ceiça, então leve água e lanche.
Fervedouro das Macaúbas
O Macaúbas foi uma das surpresas mais gostosas da nossa segunda viagem. Fica em Mateiros, é o maior fervedouro em área aberto ao turismo na cidade, e tem uma cor de água que não existe em mais nenhum: um verde-esmeralda com toque de turquesa que fica ainda mais vivo nas fotos subaquáticas com dome. A flutuação é intensa, a pressão da nascente é muito boa, e a capacidade é para 10 pessoas, o que significa que se você for em grupo consegue entrar todo mundo junto.
Quando fomos pela primeira vez em 2016, era quase vazio. Hoje já ficou famoso. Mas ainda é menos concorrido que o Ceiça ou o Bela Vista na maioria dos dias.
Ingresso: R$ 20 a 25 por pessoa | Capacidade: até 10 pessoas | Tempo: 10 minutos (ou mais se estiver vazio) | Estrutura: propriedade na zona rural de Mateiros
Veja o guia completo do Fervedouro das Macaúbas com tudo que precisar antes de ir.
Fervedouro Buritizinho
O Buritizinho parece pequeno demais para tanto efeito, mas é exatamente isso que faz dele um dos nossos favoritos. O formato de gota, a água com o azul turquesa mais puro que vimos no Jalapão inteiro, e a transparência absurda do fundo fazem desse lugar um paraíso para fotos subaquáticas. A nascente é a mais profunda entre os fervedouros da região, o que significa menos pressão: a flutuação não é tão intensa quanto no Encontro das Águas, por exemplo, mas a beleza visual compensa de sobra.
Capacidade para 6 pessoas. Tem restaurante próximo com comida caseira, e no Rio Formiga ali do lado dá para fazer boia-cross (pago à parte).
Ingresso: R$ 15 a 25 por pessoa | Capacidade: até 6 pessoas | Tempo: 20 minutos | Estrutura: restaurante próximo, acesso por estrada a partir da TO-110
O guia completo do Fervedouro Buritizinho tem todos os detalhes de acesso e dicas de quem foi com criança pequena.
Fervedouro Encontro das Águas
Se você quer sentir o que é pressão de verdade, esse é o fervedouro. O Encontro das Águas tem a nascente mais forte do Jalapão: você entra na água e em segundos está suspenso com os joelhos quase dobrados pela força que vem de baixo. É uma sensação completamente diferente dos outros. A água fica com um tom mais amarronzado por causa da areia em suspensão, então não espere a água azul dos cartões-postais. O destaque aqui é a experiência física.
Fica próximo ao encontro dos rios Sono e Formiga, que têm cores e densidades diferentes e não se misturam por um longo trecho. Um espetáculo visual à parte, especialmente com drone.
Ingresso: R$ 15 por pessoa | Capacidade: até 4 pessoas | Tempo: 20 minutos | Estrutura: mínima
Contamos tudo em detalhes no guia do Fervedouro Encontro das Águas, incluindo como combinar com o Buritizinho no mesmo dia.
Fervedouro Rio Sono
O Rio Sono é o fervedouro mais frio de todos, e o mais silencioso dos que visitamos. Chegamos lá praticamente sozinhos e ficamos um bom tempo sem precisar dividir o espaço com ninguém, o que no Jalapão em temporada é um privilégio raro. O poço tem várias nascentes, o que permite explorar pressões diferentes num mesmo banho: dá para encontrar o ponto que mais te agrada.
A estrutura é boa: restaurante com comida caseira, redário para o cochilo pós-almoço, visitação noturna disponível. O acesso é feito por passarela de madeira, sem trilha.
Ingresso: R$ 15 a 20 por pessoa | Capacidade: até 6 pessoas | Tempo: 20 minutos | Estrutura: restaurante, redário, visitação noturna
Veja o guia do Fervedouro Rio Sono com todos os detalhes de acesso e o que esperar.
Fervedouro Buritis
Visto de cima pelo drone, o Buritis tem formato de coração rodeado por buritis imensos, e as fotos ficam irreais. A luz que entra entre as palmeiras muda a cor da água ao longo do dia: de manhã mais azul, à tarde com um verde mais intenso. É um dos mais fotografados do Jalapão, e merece mesmo.
A pressão aqui é mais suave do que no Ceiça ou no Encontro das Águas, o que facilita mergulhar um pouco mais. Tem uma cabana na entrada que vende bebidas e comida.
Ingresso: R$ 25 por pessoa | Capacidade: até 10 pessoas | Tempo: 20 minutos | Estrutura: cabana com bebidas e lanches
O guia completo do Fervedouro Buritis conta tudo, inclusive a história do Nicolas entoando “Pintinho Amarelinho” no caminho até a nascente.
Fervedouro Beija-flor
O Beija-flor foi uma das descobertas mais agradáveis de janeiro de 2024. Menos conhecido que o Ceiça ou o Bela Vista, tem um charme próprio: vegetação densa fechando ao redor, água que varia entre verde e azul conforme a luz, pressão moderada e aquela sensação de intimidade que os fervedouros mais famosos já perderam. O Heitor ficou completamente encantado, e a gente ficou mais tempo do que o previsto por isso.
O nome não é coincidência: beija-flores aparecem no local com alguma frequência, atraídos pela vegetação do cerrado ao redor.
Confira o guia do Fervedouro Beija-flor com nosso relato completo da visita.
Fervedouro Bela Vista
O Bela Vista é o mais bonito? Para muita gente, sim. É o maior fervedouro aberto à visitação do Jalapão, com 15 metros de diâmetro e aproximadamente 80 metros de profundidade. A água tem aquele azul intenso que parece irreal, e a estrutura é a melhor de todos: pousada, restaurante, camping e, exclusivo para hóspedes, banho noturno com iluminação subaquática.
Dica importante: se chover forte na noite anterior, a água pode ficar turva e o acesso fechado temporariamente. Aconteceu com turistas que encontramos por lá. Confirme as condições antes de sair.
Ingresso: R$ 20 a 30 por pessoa | Capacidade: até 10 pessoas | Tempo: 15 a 20 minutos | Estrutura: pousada, restaurante, camping, banho noturno para hóspedes
Leia o guia do Fervedouro Bela Vista com tudo sobre a visita, incluindo o episódio das andorinhas atacando o drone.
Fervedouro Por Enquanto
O nome é curioso, e a experiência corresponde. Fica em São Félix do Tocantins, em propriedade particular com estrutura completa: pousada, camping e restaurante. A água é azul-turquesa, o poço é amplo, e o fluxo de visitantes é bem menor do que nos fervedouros mais badalados. Foi ali que ficamos hospedados na noite antes de seguir para a Cachoeira da Arara, e o banho ao entardecer, com o sol baixando entre os buritis, foi um dos momentos mais bonitos de toda a viagem.
Ingresso: R$ 20 a 40 por pessoa | Tempo: 20 minutos | Estrutura: pousada, camping, restaurante
O guia do Fervedouro Por Enquanto conta também sobre o banho noturno com iluminação subaquática que fizemos ali.
Outros fervedouros do Jalapão que valem o desvio
Esses não visitamos pessoalmente, mas fazem parte do mapa completo dos fervedouros abertos ao turismo. São informações coletadas de fontes locais, agências e relatos de quem foi, e valem muito como referência para quem quer ampliar o roteiro.
Fervedouro Alecrim
Um dos primeiros fervedouros a abrir para o público no Jalapão, o Alecrim fica em São Félix do Tocantins, a apenas 2 km do centro da cidade, o mais próximo da cidade entre todos. Tem mais de uma nascente: uma principal, com pressão forte e flutuação intensa, e outras secundárias mais calmas, onde dá para explorar sem tanta força puxando para cima. A água tem um tom mais esverdeado que a maioria, o que o diferencia visualmente do circuito.
A estrutura é simples, sem restaurante no local, mas o Alecrim oferece banho noturno, o que é um diferencial pouco comum. Em feriados e alta temporada fica bastante cheio por estar perto da cidade.
Ingresso: R$ 10 a 20 por pessoa | Capacidade: 6 a 10 pessoas | Como chegar: pela TO-110 saindo de Mateiros, ou pela TO-030 vindo de Palmas
Fervedouro Recanto do Salto
O Recanto do Salto tem a maior capacidade de visitação entre todos os fervedouros do Jalapão: 20 pessoas por hora. Para quem viaja em grupo grande ou quer fugir das filas dos menores, é uma excelente alternativa. Além do fervedouro, tem uma prainha natural ao lado, o único do circuito com essa combinação, além de chalés e área de camping.
Fica na TO-110, a cerca de 4 km de uma entrada à direita, na zona rural de Mateiros, próximo ao Ribeirão Brejão. Não é um dos mais fotogênicos da lista, mas a estrutura e a capacidade o tornam uma parada estratégica muito boa.
Fervedouro Borboleta
Menos conhecido e menos concorrido que os clássicos, o Borboleta aparece como alternativa para quem quer evitar fila. O nome vem da presença constante de borboletas no entorno, e o lugar tem aquele clima de descoberta que os fervedouros mais famosos já perderam um pouco. Fica próximo aos outros fervedouros entre Mateiros e São Félix. Os dados práticos de ingresso e capacidade ainda são escassos nas fontes: confirme com a agência ou diretamente no local.
Fervedouro Licuri
Aberto ao público apenas em 2021, o Licuri é um dos mais tranquilos e intimistas do Jalapão. Fica a cerca de 15 km de Mateiros, na comunidade do Rio Formiga, dentro da propriedade da Pousada Licuri. Quem se hospedar lá tem acesso livre ao fervedouro a qualquer hora do dia ou da noite, sem fila e sem limite de tempo. Um privilégio difícil de encontrar em qualquer outro fervedouro da região.
A água é azul-esverdeada, com bastante areia em suspensão (não tão cristalina quanto o Buritizinho), mas a flutuação é agradável e a experiência é notavelmente mais reservada. Quase não tem sinalização nas estradas até lá: praticamente obrigatório ir com guia ou agência.
Ingresso: R$ 15 por pessoa | Estrutura: sem infraestrutura além da escada de madeira de acesso (pousada ao lado para hóspedes)
Fervedouro Veredas
O Veredas fica em área de mata nativa, com acesso por trilha leve cercada de veredas, aquelas áreas úmidas do cerrado onde os buritis crescem em abundância. A nascente tem pressão constante, água clara e fria, e o entorno silencioso faz a experiência parecer mais imersiva do que nos fervedouros mais movimentados. Administrado por moradores locais, é um exemplo de turismo de base comunitária funcionando bem.
Fervedouro Jatobá
O Jatobá fica a cerca de 7 km de São Félix do Tocantins e tem uma das estruturas mais completas entre os fervedouros menos conhecidos: pousada com acomodações confortáveis, restaurante (mediante agendamento), área de camping, boia-cross no rio ao lado, passeio de quadriciclo e visitação noturna. O nome vem da árvore jatobá, símbolo de resistência no cerrado, que está presente no entorno da nascente.
É perfeito para quem quer combinar a experiência do fervedouro com uma hospedagem mais estruturada fora do circuito principal.
Ingresso: R$ 20 a 40 por pessoa | Visitação noturna: disponível
Fervedouro da Korubo (Soninho)
O Soninho é uma categoria à parte. Exclusivo para clientes da agência Korubo, ele só está disponível para quem fecha um pacote de camping-safari com a empresa, e o pacote não inclui nenhum outro fervedouro do circuito. Ou seja: quem for com a Korubo vai ao Soninho; quem quiser ver outros precisa de outro arranjo.
A profundidade relatada varia entre fontes (cerca de 30 a 70 metros), mas o que ninguém discute é a pressão: é tão intensa que os banhistas ficam com os joelhos dobrados dentro da água, e um “fundo falso” de areia é criado pelas correntes de convecção. A capacidade é para grupos grandes (até 34 pessoas), sem fila e sem pressa, exatamente o oposto do roteiro tradicional. A estrutura inclui refeições no local e barraquinhas de artesanato na entrada.
Acesso: exclusivo Korubo Safari | Ingresso: incluso no pacote
Outros fervedouros na região
Além dos listados acima, existem fervedouros menos documentados que aparecem nos roteiros de algumas agências locais, como o Capão Grande. Os dados práticos desses locais ainda são escassos: se o seu guia ou agência incluir algum deles no roteiro, acredite que vai ser uma grata surpresa. O Jalapão ainda guarda muitos segredos.
Qual fervedouro escolher?
Com tantas opções, a pergunta inevitável é essa. Depende muito do que você busca:
| Se você quer… | Vá ao… |
| O mais fotogênico para fotos subaquáticas | Buritizinho ou Ceiça |
| Sentir a pressão mais intensa | Encontro das Águas |
| O maior e mais estruturado | Bela Vista |
| Tranquilidade e menos fila | Rio Sono, Por Enquanto, Licuri |
| Cor de água mais diferente | Macaúbas (verde-esmeralda único) |
| Ir com criança pequena | Korubo / Soninho (partes rasas) |
| Experiência noturna | Bela Vista (hóspedes), Alecrim, Jatobá, Licuri (hóspedes) |
| Grupo grande sem espera | Recanto do Salto (20 pessoas/hora) |
| Descoberta fora do circuito | Borboleta, Licuri, Veredas |
Se quiser ver uma comparação rápida dos 9 que visitamos, incluindo como cada um se saiu no teste da pressão e da fotografia, confira o resumo dos 9 fervedouros que conhecemos no Jalapão.
Regras e cuidados nos fervedouros
Os fervedouros são ecossistemas frágeis e a visitação tem regras que existem por boas razões, não são frescura.
O que é proibido:
- Protetor solar, hidratante, bronzeador, shampoo ou repelente no banho
- Cigarro dentro da área
- Bebidas alcoólicas
- Pisar na borda do poço (o terreno é frágil e pode ceder)
Por que não usar protetor solar? A água dos fervedouros é limpa justamente pela ausência de produtos químicos. Substâncias do protetor solar afetam a qualidade da água e o ecossistema da nascente. Se precisar se proteger do sol, use camiseta UV de manga longa. Passe o protetor na noite anterior, se necessário.
Tempo de permanência: Em geral de 15 a 20 minutos por grupo. Se não houver fila, muitos proprietários deixam ficar mais. Respeite o tempo: tem gente esperando.
Futuro da regulação: Há discussão crescente sobre regulamentação do turismo nos fervedouros, um modelo próximo ao de Bonito (MS), com acesso controlado por agendamento. Se acontecer, vai mudar bastante a dinâmica. Por enquanto, a regra é: chegue cedo, respeite as normas, leve dinheiro em espécie.
Dicas práticas para aproveitar os fervedouros do Jalapão ao máximo
- Saia cedo, antes das 8h nos fervedouros mais disputados. Você pega o lugar mais vazio, a luz da manhã é melhor para fotos, e ainda tem tempo para fazer dois ou três num mesmo dia
- Leve dinheiro em espécie. O sinal de internet é muito instável na região e a grande maioria dos fervedouros não aceita cartão nem Pix com segurança
- GoPro com dome é o setup ideal para fotos subaquáticas. O efeito metade dentro, metade fora da água fica incrível nos fervedouros
- Óculos de mergulho ajudam a enxergar o fundo de areia borbulhando. Vale muito levar
- Saia com areia em tudo, biquíni, sunga, cabelo. É inevitável. Um mergulho no rio depois resolve
- Não passe protetor na manhã do dia. Aplique na noite anterior se precisar de proteção
- Chuva forte na noite anterior pode fechar o fervedouro ou deixar a água turva. Confirme com a pousada se o tempo virar
- A capacidade é pequena. Feriados prolongados e julho/agosto são os piores momentos para quem quer tranquilidade. Junho, início de setembro e maio são muito melhores
Melhor época para visitar os fervedouros do Jalapão
A melhor época para visitar os fervedouros do Jalapão é entre maio e setembro, durante a estação seca. As estradas de terra (e são muitas) ficam em condições muito melhores, a água dos fervedouros está mais transparente e as chances de chuva durante os passeios são mínimas.
Julho e agosto são os meses de pico do turismo: ótimos em clima, mas com filas maiores nos fervedouros mais populares. Junho é talvez o ponto ideal, com tempo seco e firme, menos turistas e ainda no começo da temporada.
De outubro a abril é a estação chuvosa. As estradas ficam mais difíceis, os fervedouros podem ter água mais turva após chuvas fortes, e alguns atrativos podem ficar inacessíveis temporariamente. A vantagem é que você vai encontrar muito menos gente, ótimo para fotos e para quem tem flexibilidade de agenda. Fomos em janeiro de 2024 e, mesmo com algumas variações de cor d’água por conta das chuvas, a experiência valeu cada quilômetro.
Como chegar aos fervedouros do Jalapão
A porta de entrada do Jalapão é Palmas, capital do Tocantins. De lá, a viagem até Mateiros, cidade base para a maioria dos fervedouros, leva entre 4 e 5 horas por estrada, boa parte em terra. Carro 4×4 é praticamente obrigatório nos meses secos e absolutamente obrigatório nos meses chuvosos.
Saindo de Palmas, o caminho passa por Ponte Alta do Tocantins e segue até Mateiros. De Mateiros, a maioria dos fervedouros fica ao longo da TO-110, a estrada de areia que liga a cidade a São Félix do Tocantins: são cerca de 50 km de estrada que concentram a maior parte dos atrativos.
Quem prefere não dirigir pode contratar pacotes com agências especializadas que saem de Palmas com guia e transporte. Nós fomos por conta própria nas duas viagens: é totalmente viável, mas exige planejamento.
Além dos fervedouros, o Jalapão tem outras experiências que completam muito bem o roteiro. A Cachoeira do Formiga tem um poço verde-esmeralda que parece irreal, e as Dunas do Jalapão oferecem um pôr do sol que está entre os mais bonitos do Brasil.
Perguntas frequentes sobre os fervedouros do Jalapão
Quantos fervedouros tem no Jalapão?
Estima-se que existam mais de 20 fervedouros abertos à visitação na região do Jalapão, com mais de 120 catalogados no total, a maioria ainda sem acesso turístico. Os números variam muito entre fontes porque novos fervedouros são descobertos com regularidade e alguns abrem ou fecham para o público ao longo do tempo.
Qual o fervedouro mais bonito do Jalapão?
A resposta varia conforme quem você pergunta. O Bela Vista é o mais citado pela beleza da água azul intensa e pela estrutura. O Buritizinho ganha entre os fãs de fotos subaquáticas pela transparência incomparável. O Macaúbas tem a cor mais única de todos. É impossível eleger só um: cada fervedouro tem um diferencial que o torna especial no seu próprio jeito.
Quanto custa entrar nos fervedouros do Jalapão?
Os ingressos variam entre R$ 10 e R$ 40 por pessoa (referência 2024/2025), dependendo do fervedouro. A maioria fica na faixa de R$ 15 a R$ 25. Os valores podem mudar sem aviso: sempre confirme no local e leve dinheiro em espécie.
Pode usar protetor solar nos fervedouros?
Não. É proibido entrar nos fervedouros com protetor solar, hidratante, bronzeador ou repelente. A proibição existe para preservar a qualidade da água, que é extremamente sensível a produtos químicos. Use camiseta com proteção UV dentro da água e aplique o protetor na noite anterior, se necessário.
É seguro nadar nos fervedouros sem saber nadar?
Sim. A pressão da água empurra o corpo para cima de forma constante: mesmo quem não sabe nadar flutua sem esforço. Alguns fervedouros têm áreas mais rasas nas bordas que permitem caminhar. O risco de afogamento é muito baixo justamente por causa da ressurgência.
A água dos fervedouros é quente?
Não. O nome “fervedouro” não tem relação com temperatura. A água é refrescante, com temperatura agradável no calor do dia e um pouco mais fria de manhã cedo ou ao entardecer. É a pressão que “ferve”, não a temperatura.
Preciso contratar agência para visitar os fervedouros?
Não é obrigatório para a maioria deles: é possível ir por conta própria com carro 4×4 e GPS. Mas agência facilita muito. O guia conhece as estradas sem sinalização, gerencia o tempo entre atrativos e já incluiu os ingressos no pacote. Para fervedouros mais recentes como o Licuri, a agência é praticamente indispensável pela falta de sinalização. Para o Korubo/Soninho, é obrigatório fechar pacote com a agência Korubo. Nós fomos sem agência nas duas viagens, e em janeiro de 2024 contratamos um guia local em Mateiros. A diferença foi enorme.
Valeu cada quilômetro de areia
Duas viagens ao Jalapão e nove fervedouros diferentes, e ainda temos uma lista grande de atrativos que queremos conhecer. Os fervedouros são daquelas experiências que você não esquece: a sensação de entrar na água e simplesmente flutuar, sem esforço, rodeado de cerrado preservado, é estranha e gostosa ao mesmo tempo. Parece mágica, mas é física pura.
Se você está montando o roteiro, além dos fervedouros não deixa de incluir a Praia do Caju no Rio Novo, com uma das águas mais limpas que já bebemos diretamente do rio. E se já foi, conta nos comentários qual foi o seu favorito. A gente adora saber como foi a experiência de quem lê o blog.
Vamos trilhar?

















